Tão complicada quanto o escândalo que envolveu a tentativa de compra do Banco Master, do banqueiro mineiro Daniel Vorcaro. É o que se pode dizer da Ata da reunião do Conselho de Administração do BRB – Banco de Brasília S.A., que aprovou aumento do capital, de até R$ 8,817 bilhões (R$ 8.817.200.000,00).
Esse aporte, aprovado pelo CA, na quarta (22/04), será quase que exclusivamente uma tentativa de se salvar, ao menos, a logomarca do BRB. Controlado pelo Governo do Distrito Federal, o banco afundou em fraudes do Master e atos de corrupção política de Vorcaro. As irregularidades eram, porém, conhecidas do Governo do DF e envolviam a compra do Master (ver adiante).
A chamada de capital servirá apenas para cobrir parte do rombo na aventura com o Master.
Os escândalos apontados em novembro pela Polícia Federal (PF) e Banco Central (BC) mostram que a administração do BRB direcionou o banco em vários dos buracos criados pelo Master. Em um deles, fraudes de R$ 16 bilhões, o BRB comprou carteiras podres das empresas do Grupo Master. Muitas, por exemplo, montadas com títulos forjados e/ou sem garantia legal.
O Conselho do BRB aprovou proposta para elevação do capital social de R$ 2,344 bilhões (R$ 2.344.020.829,07) para R$ 11,161 bilhões (R$ R$ 11.161.020.829,07). Para tal, serão emitidas para subscrição privada até 1.083.134.020 de ações ordinárias (com direito a voto) e até 561.865.980 de preferenciais.
Nada de novo, portanto, daquilo sabido pelo mercado financeiro. Os acionistas deverão exercer seus direitos entre 29 de abril e 28 de maio junto ao agente escriturador, o Banco Bradesco.
Veja a íntegra do documento do BRB enviado à Bolsa de Valores B3.
Trajetória da crise do BRB
As irregularidades o BRB, todavia, são anteriores à chegada do Master. O ALÉM DO FATO apontou isso em junho de 2022 e dezembro de 2024. Acesse o link e relembre etapas do caso BRB-Master:
- Mistureba no BRB: privatização, BTG Pactual e Flamengo – junho 2022
- BRB acende luz amarela: fluxo de caixa – dezembro 2024
- Master vai pendurar moedas pobres no FGC – abril 2025
- Master incomoda no Planalto – setembro 2025
- Master fedeu para investidores e mineração; respingos em 2026 – novembro 2025
- B3 entra no elo Master, apontado primeiro no ALÉM DO FATO – dezembro 2025
- Toffoli vence (se impõe), mas não convence – dezembro 2025
- Master, PT da Bahia e saída e Lewandowski – janeiro 2026
- República federativa Daniel Vorcaro – fevereiro 2026
- Metamorfose Toffoli: julgador no fio da navalha – fevereiro 2026
Bancos exibiram uma Brasília bem mais corrupta
O escândalo do conjunto Master, Daniel e BRB está longe de um desfecho. Abriu inúmeras ramificações em Brasília, Estados e municípios. Há, entretanto, rastros de corrupção que direcionam aos andares de cima dos Três Poderes da República.
Um dos labirintos, por exemplo, levou ao empresário Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha. Ele é o filho mais velho do presidente Lula (PT-SP). Lulinha, citado nas investigações da Polícia Federal (PF) em fraudes no INSS, foi aliviado por decisão no Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação apura desvios nos pagamentos dos benefícios de aposentados e pensionistas – R$ 6,3 bilhões – e operações de créditos consignados.
Mas o escândalo do Master ganhou muito tutano, mesmo, dentro da Suprema Corte. Depois dos envolvimentos apurados pela PF do ministro Dias Toffoli, vieram inúmeras citações da mulher do ministro Alexandre de Moraes. Relembre AQUI.
Deleção mais esperada no caso BRB
A hipótese de novas revelações surge no anúncio de provável acordo de delação premiada pelo executivo Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. Costa, por ordem de Ibaneis Rocha (MDB-DF), então governador do Distrito Federal, pressionou para que o BRB comprasse o Master.
O Governo do DF mandou o BRB ofertar R$ 2 bilhões pelo Master, enquanto o BTG oferecia R$ 1,00. Isso, portanto, fortaleceu os questionamentos contra o Governo do DF.
A negociação da delação está no Correio Braziliense desta quinta (23/04).
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

