Cármen Lúcia amarrou o bode nos gabinetes da República  - Além do Fato Cármen Lúcia amarrou o bode nos gabinetes da República  - Além do Fato

Cármen Lúcia amarrou o bode nos gabinetes da República 

  • por | publicado: 13/04/2026 - 21:47 | atualizado: 14/04/2026 - 10:41

Ministra Cármen Lúcia deixou no ar o desafio: ocupantes de cargos importantes da República dizerem que nunca fizeram nada de errado na vida pública - Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

Eu não faço nada errado”. A autora da frase, proferida nesta segunda (13/04), em São Paulo, é a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ela é a atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a relatora do Código de Ética, encomendado pelo presidente do Supremo, ministro Edison Fachin.

Fachin levantou a necessidade de um Código, para regular a conduta dos ministros, a partir de ação da Polícia Federal nas investigações das fraudes do Banco Master. A PF revelou que gravações de um dos celulares do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, continham citações de pagamentos ao ministro Dias Toffoli.

ASSOCIE ESTA LEITURA: Fila do Master no STF

Naquele momento, Toffoli era, no STF, o coordenador das investigações a Operação Compliance Zero. Além disso, o relator de recurso de advogado de um ex-diretor do banco.

De lá até hoje, a coisa fedeu mais ainda dentro do Supremo. O caldo entornou com envolvimentos da mulher do ministro Alexandre de Moraes, também no caso Master.

A ministra escolheu, então, a hora adequada para a sua autoavaliação. Nunca nos últimos tempos, o STF atravessou enorme prova de descrédito pela opinião pública.

Cármen Lúcia foi nomeada como encarregada pelo Código na abertura do Ano Judiciário de 2026, em fevereiro.

Desde os tempos da Lava Jato

Os escândalos das fraudes do Master e Vorcaro colocaram uma fogueira sem precedentes nos porões do Supremo. Havia, sim, sinais de fumaça desde as investigações, processos e condenações da Operação Lava Jato, que investigou a maior rede de corrupção política no país.

Com base nas investigações e nas recomendações de processos do Ministério Público Federal (MPF) a Lava Jato, aberta em março de 2014, chegou no atual presidente Luiz Inácio Lula Silva (PT-SP). Ele foi preso em abril de 2018. Na época, Lula estava sem mandato.

Depois, em 2019, o STF abriu escalada de anulações a rodo de condenações e prisões por atos de corrupção apontados na Lava Jato. O desmonte contou com o empenho pessoal do então presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ). Bolsonaro, condenado, em 2025, pelo STF, mas por liderar a “trama golpista”, está preso.

As suspeitas da sociedade para os ilícitos nas relações ministros da Suprema Corte com o mundo do empresariado é antiga. Mas liberou nuvens de fumaça mais densas agora, nas investigações da Operação Compliance Zero. RELEMBRE AQUI.

A frase de Cármen Lúcia, proferida com a tranquilidade de sempre, traduziu como deve se comportar quem ocupa cargo público – nomeado, concursado e eleito.

Vão silenciar?

Mas a ministra deu mais que um recado. Algemou um rebanho de bodes fedorentos nas salas dos presidentes dos Três Poderes da República. E jogou as chaves no Lago Paranoá, em Brasília.

Com a palavra (réplica), portanto, o mundo dos chefes da República. A começar, porém, pelos presidentes do Judiciário, do Executivo (República) e das duas casas do Legislativo – presidentes do Senado (e Congresso), senador Davi Alcolumbre (Novo-AP), e da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB).

Cármen Lúcia se diz vítima de ataques machistas

Cármen Lúcia revelou, ainda em São Paulo, que antecipou (para 14/04) a saída da presidência do TSE por conselho da família. Pesou, completou, ataques machistas dirigidos contra ela.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Almir Pinheiro

Bolsonaristas ficam de fora dessa narrativa ??