O escândalo político e financeiro no Master tem cara de ser maior que o conjunto da corrupção fechado na Operação Lava Jato. Uma eventual CPI, porém, seria a aposta de políticos envolvidos com o banco para o sucesso de uma operação abafa, ao menos, até as eleições - Crédito: Reprodução/Instagram
Por que emperra a apuração de corrupção política e fraudes no sistema financeiro pelo Grupo Banco Master e seu dono, o mineiro Daniel Vorcaro? O caso Master, ao lado dos roubos nos benefícios de aposentados e pensionistas do INSS, é um dos maiores escândalos no Governo Lula 3 (PT).
Contra os aposentados, até onde se sabe, a fraude começou no Governo Bolsonaro (PL – 2019-2022). Mas foi tolerada pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Um dos investigados pela Polícia Federal (PF) é Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP), estaria de saída do país, de retorno à Espanha.
A lentidão no caso Master leva a uma provável avaliação comum nos Três Poderes da República: fatos novos com potencial para abalar estruturas políticas no Executivo, Legislativo e Judiciário. O Supremo Tribunal Federal (STF) vive elevado grau de politização.
Antes da censura imposta pelo STF, via ministro Dias Toffoli, aos fatos das investigações, a sociedade soube da venda de pacote de moedas podres, algo como R$ 12,2 bilhões, ao BRB – Banco de Brasília.
Dentro dele, também, os créditos consignados para militares da Força Aérea Brasileira (FAB – Ministério da Defesa). Vorcaro arrancou do Governo Lula (PT-SP) contrato para o período 2024-2029 na FAB.
Além disso, abriu no mercado financeiro o rombo estimado (não medido ainda) que pode chegar aos R$ 70 bilhões. Os negócios de elevados riscos pelo Master contaram com desfecho favorável na rede de influências de Vorcaro em Brasília.
Alguns dos fatos sabidos:
Mas, acabou que, nesta terça (13/01), o próprio BC concordou com uma investigação do TCU, desde que seja tratada como “área técnica”. Não há, entretanto, prazo para esse expediente.
A investida do Tribunal de Contas da União (TCU) foi abortada, em parte, por pressão dos bancos. A atitude do TCU, todavia, não deve ser vista como simples trapalhada de um ministro em plantão. Jhonatan de Jesus é ex-deputado federal (2011/março de 2023), pelo Republicanos-RR.
Jhonatan apareceu em denúncias no combate à pandemia da Covid-19. Antes disso, foi titular (11/08/2015 a 14/04/2016) na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fundos de Pensão.
As tantas outras idas-e-vindas nos escândalos do Master, desde a liquidação pelo BC, em 18 de novembro, incomodam aos políticos. O país terá eleições gerais em outubro próximo.
Os casuísmos do Judiciário, compulsoriamente, trazem à luz da campanha presidencial outros fatos. Aterrorizam de vereadores ao presidente Lula. Eles reprisam escândalos consagrados, como os do Mensalão do PT, Correios, Petrolão. A vasta literatura da enciclopédia da Operação Lava Jato respingou em todos os partidos políticos.
Há, pois, uma embolada de sonâmbulos em Brasília. Eles vagam abraçados por corredores do Planalto, Ministérios, Câmara dos Deputados, Senado, STF etc. Mas também abrem portas nos governos dos Estados e Prefeituras, principalmente dos gavetões dos fundos de pensão municipais.
Emperrar, até mesmo sepultar, o caso Master é, por fim, uma causa comum para os poderosos na política do país.
O retorno das atividades no Congresso, em fevereiro, será marcado, então, por uma velha causa. Da Praça dos Três Poderes, ecoarão aplausos para mais uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).
CPI é massa principal das pizzas nas apurações de corrupção.
Ao empurrar para o Congresso, Jhonatan encerra a sua ponta. Os políticos, turbinados por verbas do Executivo, que puxam votos, assumem com as fichas do vai dar em nada. Ou seja, para quem tem mandato, a eterna aposta em mais uma tábua de salvação até às eleições.
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