Congresso se rendeu à pizza do Planalto na CPMI do INSS. Isso deverá encorajar Lula a encarar palco do empresariado do agribusiness, a Agrishow - Crédito: Agência Brasil
Nos três primeiros anos da gestão Lula-3, o empresariado do agribusiness manteve viva a tendência pelo bolsonarismo. Isso colocou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) distante da porteira das feiras anuais da Agrishow, em Ribeirão Preto (SP).
Agrishow é a principal feira de tecnologia de maquinário para o agronegócio da América Latina, e uma das maiores do mundo. Nesta edição, com a tradicional exibição de máquinas e tecnologias digitais e de serviços de última geração, será de 27 de abril a 1º de maio.
Em 2023 e 2024, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ), literalmente, imperou nas feiras. Lula não baixou lá, optando por evitar vaias e constrangimento em público que, sabidamente, lhe era desfavorável. No ano anterior, em campanha pela reeleição (perdida para Lula), Bolsonaro desfilou montado em cavalo branco.
Bolsonaro não foi à Agrishow de 2025. Apesar do caminho liberado, Lula se deixou representar pelo vice Geraldo Alckmin (PSB-SP). O petista usou como álibi da viagem à Roma (Itália), para os funerais do Papa Francisco. A feira da Agrishow, todavia, dura uma semana. Ou seja, teria outra data.
O motivo do chefe do Planalto, todavia, seguia pautado na relação delicada entre o Governo do PT e o mundo do agronegócio.
Agrishow 2026 não terá Bolsonaro. Condenado à reclusão pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no processo da “trama golpista”, cumpre prisão domiciliar, em caráter especial. Ele foi condenado em 11 de setembro, a 27 anos de prisão.
A porteira, então, está aberta para Lula arriscar seu discurso eleitoreiro em palco do empresariado do agribusiness. Agrishow é território dominado por plantadores de lavouras de soja, milho e algodão.
Lula, porém, seguiu administrando imbróglio particular na sala da CPMI do INSS. A investigação conjunta da Câmara dos Deputados e Senado, em cima de relatórios da Polícia Federal (PF), apurava roubos nos contracheques dos benefícios de aposentados e pensionistas. Tolerados pelo Ministério da Previdência, pelo Governo Federal, subtraíram dos aposentados R$ 6,3 bilhões – cálculo oficial inicial do próprio Planalto.
O empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do chefe do Planalto, foi citado, indiciado e teve quebra de sigilo aprovada na CPMI do INSS. O conjunto da obra, pois, virou pedreira para os discursos inflamados do pai nesta campanha pela reeleição. Aí, o ministro Gilmar Mendes, do STF, surgiu como salvador da pátria petista: derrubou a quebra de sigilo e blindou Lulinha.
No embalo do Gilmar, o Planalto exonerou até um ministro para votar a derrubada de tópicos que tiravam o sono de Lula. E veio, então, sem novidades, uma pizza gorda (4.000 páginas e mais de 200 indiciados), encerrando as águas de março. Desta vez, uma CPMI sem relatório final, encheu barrigas alheias ao PT e base aliada. Deram garfadas aliviadas políticos (com e sem mandatos) nos governos dos Estados e Prefeituras, lotados em leque elástico de partidos.
Mas, ainda resta o fator Donald Trump. Desde a posse, em 20 de janeiro de 2025, o presidente dos Estados Unidos está atravessado na goela e o caminho de Lula. O petista não soube, a exemplo do mundo, agir com diplomacia para negociar os tarifaços alfandegários de Trump, aplicados no 1º trimestre de 2025.
Para agravar, em janeiro último, o chefe da Casa Branca ordenou invasão à Venezuela. Os militares sequestraram o então ditador chavista Nicolás Maduro. Segue preso nos EUA. Maduro é amigo fraterno de Lula, que esperneou, seguindo a bula do PT. A atitude aumentou, portanto, seu desgaste político com os empresários da agricultura e pecuária.
Mas não ficou só nisso. Trump abriu a guerra conjunta de Israel-EUA contra a ditadura do Irã. Os ataques resultaram em altas na cotação do petróleo internacional. No Brasil, veio a especulação de sempre nos preços dos combustíveis. De quebra, há uma ameaça de escassez de óleo diesel. A poeira encobriu de incertezas as lavouras, em plena colheita de grãos (excluído o café).
Lula, portanto, se arriscar um palanque na abertura oficial da Agrishow 2026, precisa assegurar antes tanques cheios das colheitadeiras, tratores e carretas envolvidosna safra 2025/2026. Por enquanto, tenta empurrar metade da fatura para cima dos governadores. O Planalto exige dos Estados a renúncia de naco no imposto sobre a importação de diesel. Mas, nem pensar em cortar gastos do Governo Federal, cabos eleitorais de peso.
No 1º de maio, Dia do Trabalho, em 2024, Lula foi ao ABC Paulista e voltou bravo para Brasília. Não gostou de ver poucos “companheiros” mobilizados para aplaudi-lo. Por birra, ficou de fora em 2025.
Em ano eleitoral, a coisa muda e Lula aceita convites até palanques em sonho. É provável que apareça nas duas praças, de Ribeirão Preto e São Bernardo do Campo.
Mas, claro, na Agrishow, sem coincidir com a presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP). Tarcísio concorrerá à reeleição. Fernando Haddad (PT-SP), ex-ministro da Fazenda, deverá ser seu principal adversário. É esperar!
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