Empreiteiras lava-jato bancaram filme sobre Lula (2009) - Além do Fato Empreiteiras lava-jato bancaram filme sobre Lula (2009) - Além do Fato

Empreiteiras lava-jato bancaram filme sobre Lula (2009)

  • por | publicado: 15/05/2026 - 14:31

Algo em comum em filmes e documentário sobre Lula (E) e Bolsonaro: padrinhos financiadores com rastros na corrupção política - Créditos: Ricardo Stuckert/Agência Brasil e Agência Minas

Lula estava no segundo mandato e vivia em mar de relações políticas estreitas com empreiteiras líderes da construção pesada. Há telhado de vidro em todas as capelas partidárias na Esplanada dos Ministérios. Em definitivo, Brasília não é para amadores.

Os fatos insitem que, em Brasília, ter ‘rabo preso’ (relações que geram favorecimentos) é parte do melhor status. Nessa tendência, a semana política colocou o pré-candidato Flávio Bolsonaro, senador pelo PL-RJ e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ), no topo da desgraça eleitoral. Aparece em notícia comprometedora de conversa vazada (por ente público, o mais provável) ao portal Intercept Brasil: senador pediu, em 2025, R$ 61 milhões ao mineiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Destinação da grana: financiar filme documentário do pai. Baita caixa, portanto, para uma película simplória, barata.

Flávio diz que a TV Globo recebeu bem mais. Veja link no final do post.

Intercept conta, em seu portal, como obteve a trechos da conversa entre Flávio e Vorcaro: “Documentos e mensagens obtidos com exclusividade pelo Intercept Brasil indicam que pelo menos 10,6 milhões de dólares — cerca de R$ 61 milhões, considerando a cotação do dólar nos períodos das transferências — haviam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações, para financiar o projeto cinematográfico ligado à família Bolsonaro”. Leia mais AQUI.

Ordem do dia: dissecar e salgar Flávio

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP), pré-candidato à reeleição, e todos políticos e partidos aliados ao PT, radiantes com o Intercept, arrombaram a porta principal do cine Esplanada dos Ministérios. De Norte a Sul e por todos os becos, pediram que a Polícia (qual Polícia?!) que investigue. Mas, no popular, o recado foi: cair de pau na candidatura do Flávio.

O escândalo, não era para menos, ocupou todo noticiário. A imprensa, em geral, sempre a espera de uma picanha ao ponto (servida ao paladar do Poder), se fartou de carona no Intercept.

“O filme de terror de Flávio Bolsonaro”, titulou o Estadão. O Correio Braziliense, em análise para o atual clima das eleições de outubro, porém, adotou cautela: “São 20 semanas pela frente. Em um ambiente político marcado pela radicalização, é razoável imaginar que este seja apenas o começo de uma temporada de denúncias, vazamentos, operações policiais e guerras de narrativa“.

Dentro do previsível, o Intercept, então, foi elevado ao degrau máximo no altar do jornalismo.

Mimo das empreiteiras levou Lula aos cinemas, em 2010

Pois bem. Nada de errado com a dimensão dada ao fato perante a opinião pública.

Capa da edição atual da Veja – Crédito: Reprodução/Redes Sociais

Nesta sexta-feira (15/05), entretanto, no embalo do pautão, a edição impressa da revista Veja relembra, na capa, outros filmes de louvação aos donos da república. Manchete, em caixa alta: “HISTÓRIA DE CINEMA”. E lá está a do presidente Lula: Lula, o Filho do Brasil, dirigido por Fábio Barreto, em 2009. Lançado em 2010, quando as empreiteiras ainda destinava, despreocupadas, favores financeiros a políticos.

A reportagem lembra que a película para Lula teve financiamento de empreiteiras enlameadas (se viu depois) na maior engenharia da corrupção política no país. O ilícito comeu o dinheiro do Tesouro Nacional (impostos) e do caixa de estatais federais. A lama das empreiteiras apareceu em investigações (a partir de 2014) da Operação Lava Jato, aberta pela Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF).

O petista estava no segundo mandato consecutivo (2006-2010). Sustentava 100% dos poderes da faixa de presidente da República, portanto, inquilino no gabinete principal do Palácio do Planalto.

Teve dinheiro também do Vorcaro, em 2024

Mas, ao contrário do sucesso surfado pelo Intercept, até o inícionesta tarde, a capa da Veja seguia exemplarmente ignorada nas repercursões sobre Flávio. Mas, não surpreende, pois, destoou da marchinha mais cantada nas Redações.

A publicação semanária observa que Vorcaro foi generoso em duas outras produções para presidentes da República. Contribuiu para o filme para Michel Temer – 963 Dias — A História de um Presidente que Recolocou o Brasil nos Trilhos, e no documentário Lula, em 2024, de Oliver Stone.

O senador Flávio Bolsonaro, em entrevista à GloboNews, afirmou que o programa Domingão, da TV Globo, recebeu mais de 2,5 vezes aquilo que teria captado com Vorcaro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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