Algo em comum em filmes e documentário sobre Lula (E) e Bolsonaro: padrinhos financiadores com rastros na corrupção política - Créditos: Ricardo Stuckert/Agência Brasil e Agência Minas
Lula estava no segundo mandato e vivia em mar de relações políticas estreitas com empreiteiras líderes da construção pesada. Há telhado de vidro em todas as capelas partidárias na Esplanada dos Ministérios. Em definitivo, Brasília não é para amadores.
Os fatos insitem que, em Brasília, ter ‘rabo preso’ (relações que geram favorecimentos) é parte do melhor status. Nessa tendência, a semana política colocou o pré-candidato Flávio Bolsonaro, senador pelo PL-RJ e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ), no topo da desgraça eleitoral. Aparece em notícia comprometedora de conversa vazada (por ente público, o mais provável) ao portal Intercept Brasil: senador pediu, em 2025, R$ 61 milhões ao mineiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Destinação da grana: financiar filme documentário do pai. Baita caixa, portanto, para uma película simplória, barata.
Flávio diz que a TV Globo recebeu bem mais. Veja link no final do post.
Intercept conta, em seu portal, como obteve a trechos da conversa entre Flávio e Vorcaro: “Documentos e mensagens obtidos com exclusividade pelo Intercept Brasil indicam que pelo menos 10,6 milhões de dólares — cerca de R$ 61 milhões, considerando a cotação do dólar nos períodos das transferências — haviam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações, para financiar o projeto cinematográfico ligado à família Bolsonaro”. Leia mais AQUI.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP), pré-candidato à reeleição, e todos políticos e partidos aliados ao PT, radiantes com o Intercept, arrombaram a porta principal do cine Esplanada dos Ministérios. De Norte a Sul e por todos os becos, pediram que a Polícia (qual Polícia?!) que investigue. Mas, no popular, o recado foi: cair de pau na candidatura do Flávio.
O escândalo, não era para menos, ocupou todo noticiário. A imprensa, em geral, sempre a espera de uma picanha ao ponto (servida ao paladar do Poder), se fartou de carona no Intercept.
“O filme de terror de Flávio Bolsonaro”, titulou o Estadão. O Correio Braziliense, em análise para o atual clima das eleições de outubro, porém, adotou cautela: “São 20 semanas pela frente. Em um ambiente político marcado pela radicalização, é razoável imaginar que este seja apenas o começo de uma temporada de denúncias, vazamentos, operações policiais e guerras de narrativa“.
Dentro do previsível, o Intercept, então, foi elevado ao degrau máximo no altar do jornalismo.
Pois bem. Nada de errado com a dimensão dada ao fato perante a opinião pública.
Nesta sexta-feira (15/05), entretanto, no embalo do pautão, a edição impressa da revista Veja relembra, na capa, outros filmes de louvação aos donos da república. Manchete, em caixa alta: “HISTÓRIA DE CINEMA”. E lá está a do presidente Lula: Lula, o Filho do Brasil, dirigido por Fábio Barreto, em 2009. Lançado em 2010, quando as empreiteiras ainda destinava, despreocupadas, favores financeiros a políticos.
A reportagem lembra que a película para Lula teve financiamento de empreiteiras enlameadas (se viu depois) na maior engenharia da corrupção política no país. O ilícito comeu o dinheiro do Tesouro Nacional (impostos) e do caixa de estatais federais. A lama das empreiteiras apareceu em investigações (a partir de 2014) da Operação Lava Jato, aberta pela Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF).
O petista estava no segundo mandato consecutivo (2006-2010). Sustentava 100% dos poderes da faixa de presidente da República, portanto, inquilino no gabinete principal do Palácio do Planalto.
Mas, ao contrário do sucesso surfado pelo Intercept, até o inícionesta tarde, a capa da Veja seguia exemplarmente ignorada nas repercursões sobre Flávio. Mas, não surpreende, pois, destoou da marchinha mais cantada nas Redações.
A publicação semanária observa que Vorcaro foi generoso em duas outras produções para presidentes da República. Contribuiu para o filme para Michel Temer – 963 Dias — A História de um Presidente que Recolocou o Brasil nos Trilhos, e no documentário Lula, em 2024, de Oliver Stone.
O senador Flávio Bolsonaro, em entrevista à GloboNews, afirmou que o programa Domingão, da TV Globo, recebeu mais de 2,5 vezes aquilo que teria captado com Vorcaro.
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