Fachada sede do Banco Master, em liquidação, na Av Faria Lima, em São Paulo (SP) - Crédito: Rovena Rosa/Agência Brasil
Até pouco tempo, antes do escândalo do banqueiro Daniel Vorcaro, passarela preferida dos bilionários no maior centro financeiro do país, a Av. Faria Lima, em São Paulo (SP), agora é evitada até em cartões de visita. A região virou referência de parcerias que vão do chamado ‘crime organizado’, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), à corrupção política e mazelas em geral da Praça dos Três Poderes, na Capital federal.
Nesta quarta (04/03), com a nova prisão do banqueiro mineiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a República balançou por dentro mais uma vez. Parte importante das relações políticas do banqueiro são exibidas, desde novembro, em infográfico nas redes sociais.
A detenção foi determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), novo relator das fraudes do Master. Motivo: formação de organização criminosa e representar “riscos graves” às pessoas.
A ocorrência, entretanto, abriu arestas entre o STF e a Procuradoria-Geral da República (PGR). O chefe da PGR, Paulo Gonet, defendeu não haver motivos.
André Mendonça substituiu Dias Toffoli no mês pasado. Toffoli foi citado pela Polícia Federal (PF) em negócios com Master e Vorcaro, e sua permanência, portanto, ficou insustentável perante a opinião pública. Enfim, com a mudança de mãos, as investigações ganharam ritmo acelerado.
Nos boletins da atual fase da Operação Compliance Zero, a PF revela um Vorcaro à frente do crime comum. O banqueiro aparece bem no formato de executivo do sonho de um capo di tutti capi da máfia italiana – na Cicília ou em Nova York.
Em outubro de 2025, o Master apareceu nos relatórios da Operação Carbono Oculto, que apurou atuação do crime organização. De um lado, uma gestora de ativos do banco, a Reag. Do outro, o PCC, que tem histórico de recebimento de remessas pelo Master no exterior.
Nesta quarta, veio a público que o Master tinha, porém, a sua própria instituição criminosa. “A Turma”, detalhou o portal G1, operava com funções departamentais definidas. Atuava até contra instituições de investigação no exterior.
Por tabela, destacou a PF, promovia festas de orgia para poderosos. No litoral da Bahia.
“A Turma”, com a mesma ousadia das máfias, criou áreas dentro do próprio BC e da PF.
Vorcaro comandava a organização sem reconhecer limites. Planejou incursões em sitemas do FBI (PolíciaFederal dos EUA) e Interpol (Polícia Internacional).
“A Turma” deveria, neutralizar e/ou intimidar aqueles que, no exercício legal das funções, atrapalhassem os negócios do Master. Gravações extraídas pela PF de celulares, revelam Vorcaro à frente. Determinou, por exemplo, a simulação de acidente e baixar o cacete contra o jornalista Lauro Jardim (O Globo/Rádio CBN).
O chefe da milícia de Vorcaro, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o ‘Sicário’, preso também nesta quarta, em Belo Horizonte, tentou suicídio na cela da PF. Socorrido pelos próprios agentes e depois levado para hospital. No atendimento hospitalar, todavia, teria sidoi aberto o protocolo de morte encefálica. CORREÇÃO – Ainda no início da noite de quarta (04/03), as informações obtidas pela imprensa tratavam simplesmente da morte do capanga. Mais tarde, porém, surgiu a negativa, entrando em pauta protocolo da morte encefálica. Na quinta-feira, todavia, esse procedimento também foi negado. Por fim, prevalece, até a manhã desta sexta-feira, “estado grave“, conforme noiticiaram o jornal Estado de Minas e a Agência Brasil.
A amarração das pontas das fraudes do Master com as redes de influências de Vorcaro nas cúpulas do Executivo, Legislativo e Judiciário levaram rios de desconfiança contra Toffoli. O ministro se empenhou, pois, pelo engavetamento das investigações em seu período como relator – dezembro 2025 ao começo de fevereiro.
Ao perder a função, revelações graves apuradas pela PF começaram a ser liberadas mais rápido.
O BC, antes das ações do ministro do STF, teve, porém, atuação atípica ao decretar a liquidação (18/11) do Master. A autoridade monetária não seguiu a prática da intervenção prévia. Isso, então, gerou desconfianças. ALÉM DO FATO tratou disso na época. Reveja no conteúdo de “Novembro ‘master’: corrupção, prisão de generais e COP30 pífia”.
Na primeira semana de dezembro, Toffoli blindou o Master e Vorcaro contra opinião pública.
Resumo da ópera: muito daquilo, então, que se ouve e se lê das fraudes da Av Faria Lima passa, até antes, pela Praça dos Três Poderes.
A monta das fraudes do Master, contra investidores do mercado e previdências estaduais e municipais, seria de R$ 50 bilhões a R$ 70 bilhões. Esse o cálculo inicial do BC.
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