Economia

Paranapanema abate R$ 3,9 bi; alquimia da Americanas

Em recuperação judicial desde dezembro 2022 e líder nacional em metalurgia e peças de cobre (marca Caraíba), a Paranapanema S.A. concluiu acordo para liquidação parcial dos débitos. Isso possibilitará à companhia reduzir R$ 4,2 bilhões no endividamento vencido, ficando saldo de R$ 327,4 milhões. 

O referido Acordo de Liquidação Parcial do Acordo Global trata de débitos de R$ 4,3 bilhões com 11 bancos. 

A Paranapanema cumprirá o acertado em três etapas, a partir do pagamento, em 01 de julho próximo, de R$ 100 milhões. E seguirá com a transferência de R$ 41 milhões de conta vinculada, e, R$ 185 milhões (100%), de conta judicial. 

Paranapanema transferirá direitos creditórios

De acordo com a Ata da Reunião do Conselho de Administração, dia 06/05, o Acordo vincula a transferência, pela Paranapanema, de 100% dos benefícios econômicos previstos em nove (09) direitos creditórios (contas a receber) judiciais. As bases pactuadas, entretanto, devem ser cumpridas em prazo de três anos (julho de 2029). 

Debêntures conversíveis em ações

Todos os valores estimados no Acordo e direitos operacionais direcionados aos credores, permitirão, por fim, abater R$ 3,9 bilhões na dívida.

A engenharia financeira apresentada pela Paranapanema comporta duas emissões privadas (11/05) de debêntures conversíveis em ações, de R$ 110 milhões e R$ 100 milhões. 

Saldo zerado, mesmo sem pagamento

Conforme o comunicado de ontem (12/05), será extinta eventual sobra no saldo remanescente de R$ 327,4 milhões: declarada “definitivamente quitada” caso não seja integralmente liquidada ao final de três anos.  

Dificuldade de crédito financeiro

A Ata da última Reunião do CA dedica um parágrafo para espelhar a situação crítica atual.

“(i) A Companhia enfrenta, no momento, severa restrição de acesso a fontes de financiamento, decorrente de sua atual condição econômico-financeira, marcada, entre outros fatores, por patrimônio líquido negativo da ordem de R$ 7 bi, elevado endividamento concentrado no curto prazo, inadimplemento de obrigações financeiras relevantes e recorrência de resultados operacionais negativos. Tal conjuntura tem limitado de forma significativa a disposição de instituições financeiras e demais agentes de mercado em conceder novas linhas de crédito ou renovar financiamentos existentes, sobretudo na ausência de garantias adicionais ou de uma reestruturação prévia e abrangente do passivo. A insuficiência de capital de giro já impacta diretamente sua capacidade operacional, resultando em redução do nível de produção, dificuldades no relacionamento com fornecedores estratégicos e risco concreto de paralisação ou prolongamento da hibernação de unidades industriais”.

Acesse a íntegra da ATA.

Parque fabril da Paranapanema

A Paranapanema se posiciona como “maior produtora brasileira não-integrada de cobre refinado, vergalhões, fios trefilados, laminados, barras, tubos, conexões e suas ligas” (Fonte: comunicado da companhia de 12/05). As atividades do grupo estão em três unidades fabris: cobre refinado e cobre primário, em Dias d’Ávila (BA); e, duas de cobre e ligas – Utinga (SP) e Serra (ES). 

Crescimento de 22% em 2025

No exercício fiscal de 2025, a Paranapanema registrou receitas líquidas de R$ 562,4 milhões com as vendas de produtos e serviços. Houve, então, aumento de 22% em relação a 2024. O desempenho, todavia, não evitou o prejuízo líquido R$ 1,331 bilhão. Em produtos, a companhia colocou no mercado 36,457 mil toneladas, portanto, 7% de expansão sobre o exercício anterior. 

Volume vendido cresceu 75% no 1T26

No 1T26, os volumes expedidos pela Paranapanema somaram 10,299 mil toneladas. Um salto extraordinário, portanto, de 75% em comparação com o 1T25. As receitas, de R$ 134,1 milhões, avançaram 48%. O balanço, todavia, apontou prejuízo líquido, de R$ 131,9 milhões, mas 59% inferior ao contabilizado no 1T25. 

Paranapanema seguiu a Americanas

A engenharia do Acordo firmado pela Paranapanema remete, em parte, a lances adotados pela holding Americanas S.A. Nos acordos celebrados com credores, rombo declarado na recuperação judicial, de mais de R$ 37 bilhões, em janeiro de 2022, virou R$ 1,8 bilhão, em novembro de 2023. Relembre AQUI.

Nairo Alméri

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