Esta segunda (18/05), sem sombras de dúvidas, será uma segundona bem ao estilo e gosto do brasileiro. Por aqui, se ama futebol ao extremo e pouco se importa com a corrupção crônica na política.
No final da tarde (17h) de hoje, o Brasil vai parar para ouvir o técnico da Seleção, o italiano Carlo Ancelotti, convocar os jogadores que levará à Copa. Ou seja, nesse turno, os fatos ofertados pela Polícia Federal (PF) nos escândalos (fraudes e corrupção política) do Banco Master, fatalmente, descerão para o segundo plano.
Só o expediente da manhã, portanto, funcionará para o cotidiano das mazelas políticas na ordem do dia dos últimos tempos: peças que a PF deposita sobre o tabuleiro de xadrez da Operação Compliance Zero. Então, só algo bombástico do Master e/ou seu dono, o mineiro Daniel Vorcaro, vinculando as cúpulas dos Três Poderes da República, poderá romper a corrente da Seleção.
Lula torce para que Ancelotti e seu time conquistem a Copa pelo Brasil, pensando, claro, em levar o título para os palanques do PT, em outubro.
O filme de Bolsonaro e a volta de “Bessias”
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT/RJ), ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e personagens diversos citados no caso Master apostam num fôlego após o almoço desta segundona. O cardápio principal continuará, porém, com os R$ 61 milhões pedidos por Flávio para o filme do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ).
Flávio, no momento, nas pesquisas, incorpora a principal pré-candidatura contra os propósitos de reeleição de Lula.
A sobremesa, no embalo do baque sofrido por Flávio, com os milhões pedidos a Vocaro, ganha um elemento de Lula. O petista está decidido a reapresentar o chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, o “Bessias”, à vaga no STF. Ele foi rejeitado pelo Senado há menos de três semanas, em 29 de abril.
PT da Bahia aperta calcanhar
Mas, o clima continua pesado para Lula reapresentar, em tão pouco tempo, o nome Messias ao Congresso. E o problema não reside apenas nos conflitos com o presidente do Senado e do Congresso, o senador Davi Alcolumbre (Novo-AP). Ressurgem tensões relacionadas aos elos de Vorcaro com o núcleo do PT da Bahia.
A situação persiste porque Lula não concluiu o aparelhamento (elementos da confiança política do PT) da PF nas investigações do Master.
No rompimento das CPIs
A Bahia é a porta de sustentação do chefe do Planalto tanto nas relações dentro do Congresso quanto nas campanhas pelo Nordeste.
Os políticos do PT da BA mexem com os nervos dos planos de Lula. Rui Costa (PT), por exemplo, foi o homem forte (saiu em abril) no Governo Lula 3, como chefe da Casa Civil. Ele governou a Bahia até 2022. É pré-candidato ao Senado.
Além dos fatores acima, parlamentares da Bahia funconam como cabo de guerra do Governo do PT. Eles são fundmentais para frustrar esforços de opositores em Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados. E vale para a nova tentativa com os escândalos do Master..
Uma Comissão provocaria muito cheiro da borracha queimando do Master. A fumaça invadiria dezenas (ou centenas) de salas da Praça dos Três Poderes, contra o Executivo, Legislativo e Judiciário.
Dia de Neymar será um colírio
Ancelotti, no Rio de Janeiro, terá, nesta segundona, todas as luzes até a leitura do último nome dos atletas que levará à Copa do Mundo. A competição será de 11 de junho a 19 de julho, na América do Norte.
De imediato, ao último nome, os holofotes se voltarão, portanto, para o atacante Neymar Jr. Isso com ele convocado ou não.
O país está dividido quanto à convocação ou não do jogador do Santos. Num fato incomum, tanto o técnico quanto o jogador terão de se explicar no final do dia. Coisas do futebol.
Esta segundona, então, poderá funcionar como analgésico para os políticos – de todos os partidos. Vivem tensos com as revelações da PF para o caso Vorcaro.
A dúvida sobre a participação do atacante santista na Copa 2026, ganhou novo elemento no segundo tempo da partida contra o Coritiba, ontem (17/05), em São Paulo. Por engano de um dos árbitros auxiliares, Neymar foi substituído. Os protestos do jogador e companheiros, todavia, de nada adiantaram. O Santos já perdia por 3 a 0 e esse foi o placar final.
Neymar, até aqui, não figura nos planos de Ancaelloti. Mas será que o episódio de ontem moverá o técnico a praticar um gesto de desagravo, a convocação?
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

