Não há mistérios a se desvendar na investida do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), de descrédito ao Banco Central (BC). O ministro quer um dos diretores do BC em mesmo m2 da sala de acareação no caso do Banco Master (ver adiante).
Se nada mudar, será amanhã (30/12), às 14h, na sede da Polícia Federal (PF), em Brasília.
A crescente citação de integrantes do Supremo no pacote das apurações de escândalos (roubo, corrupção política e malha de influências) do Banco Master e seu dono, o banqueiro mineiro Daniel Vorcaro, justificam Toffoli. Reside aí, sugerem os fatos, clara razão dessa tentativa do ministro de intimidação da autoridade monetária.
Toffoli, no primeiro ato, impediu agentes do BC e da PF de darem satisfação à opinião pública sobre os labirintos do Master. Ou seja, decretou o caladão. Mas agiu assim após ser citado em situação conflituosa. Pegou carona em jatinho particular o exterior. E mais: voou em companhia de advogado do Master.
O dito advogado protocolou recurso do banco no STF. Toffoli é o relator.
Na tangente dessa embolada, o envolvimento da mulher do ministro Alexandre de Moraes. Este é o temido relator da “trama golpista”. Moraes colocou na cadeia o ex-presidente Jair Bolsonaro e um bando de generais.
É cenário, portanto, para panelaços, mesmo que silenciosos.
ENTENDA O CASO – Acesse o post Toffoli de marqueteiro por um Lula-4.
Privilégio dado a Alcolumbre; Amapá no mapa
Caminharam por túneis do Master políticos em todos os graus dentro dos Executivos dos Estados e Federal. Também ministros de Estado e do Judiciário.
Isso, em parte, moveu a distinção de Toffoli ao presidente do Senado e Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP). Permitiu ao senador, primeiro que todos, fora do BC e PF, conhecer o conteúdo dos relatórios das investigações.
Não foi, todavia, uma deferência à toa.
O Amapá, Estado de Alcolumbre, mereceu uma chamada (abaixo) na edição eletrônica de O Globo, no domingo (28/12):

Toffoli atropela o rito das investigações
O ministro, por fim, tenta convencer ao mundo que a intimação do diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos, para a acareação será “salutar”. Estará frente a frente de investigados: Vorcaro e o ex-presidente do BRB – Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa.
Repete que o BC e Aquino não são investigados. O representante da autoridade monetária estará presente apenas para esclarecer fatos. Mas, misturado a investigados.
Toffoli, porém, passou por cima de princípios básicos nas investigações até se chegar a uma acareação. Primeiro, ocorre a fase dos depoimentos individuais. Havendo contradições, vem, então, o expediente da acareação.
Ministros da Corte na moita
Nem mesmo o pedido do chefe da Procuradoria-Geral da República (PGR), ministro Paulo Gonet Branco, convenceu Toffoli de retirar o BC da acareação.
Ele tem poder para teimar e se impor. E age sem o risco de ser perturbado por seus pares, que sabem aliar adversários.
BC entra os autos: vira bandido
Na prática, Toffoli colocará o representante do BC em companhia de investigados, mesmo patamar do Master e BRB. É, portanto, clara manobra política de desgaste: colocar a autoridade monetária em mesmo galinheiro sujo dos elos de Vorcaro.
Parte dos elos dos ilícitos que o BC e a PF apuram aparecem em infográfico que circula nas redes sociais desde o final de novembro. A todo instante, um daqueles nomes engrossa o noticiário
Última ficha, no STF e mercado de bancos
O BC, mesmo com as negativas de Toffoli, à PGR e à própria instituição, acena com a possibilidade recorrer ao STF. Todavia, as chances são mínimas.
Na confraria, a julgar por fatos recentes, será melhor deixar Toffoli sozinho no confronto ao BC. Ou seja, quanto menos mexer no vespeiro criado por Vorcarco, melhor.
Enfim, o banco federal recorre também ao próprio mercado financeiro, aos grandes bancos.
Eleições e tamanho do PT no Supremo
A outra leitura é simples: 2026 será ano eleitoral. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) é declarado candidato à reeleição. Junto com ele, uma leva de aliados e apoiadores nos Estados e Congresso Nacional. Entre estes, políticos influentes são citados nas relações do Master.
O PT tem a maior bancada no STF. Na hipótese de Lula conquistar nova temporada, se desejar, o partido poderá até ousar reunir o Diretório no Plenário da Corte.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

