Toffoli vence (se impõe), mas não convence  - Além do Fato Toffoli vence (se impõe), mas não convence  - Além do Fato

Toffoli vence (se impõe), mas não convence 

  • por | publicado: 29/12/2025 - 20:32 | atualizado: 06/01/2026 - 13:24

Toffoli atua para desacreditar o Banco Central no caso Master. Ministros do STF no radar das investigações- Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Não há mistérios a se desvendar na investida do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), de descrédito ao Banco Central (BC). O ministro quer um dos diretores do BC em mesmo m2 da sala de acareação no caso do Banco Master (ver adiante). 

Se nada mudar, será amanhã (30/12), às 14h, na sede da Polícia Federal (PF), em Brasília. 

A crescente citação de integrantes do Supremo no pacote das apurações de escândalos (roubo, corrupção política e malha de influências) do Banco Master e seu dono, o banqueiro mineiro Daniel Vorcaro, justificam Toffoli. Reside aí, sugerem os fatos, clara razão dessa tentativa do ministro de intimidação da autoridade monetária. 

Toffoli, no primeiro ato, impediu agentes do BC e da PF de darem satisfação à opinião pública sobre os labirintos do Master. Ou seja, decretou o caladão. Mas agiu assim após ser citado em situação conflituosa. Pegou carona em jatinho particular o exterior. E mais: voou em companhia de advogado do Master.  

O dito advogado protocolou recurso do banco no STF. Toffoli é o relator

Na tangente dessa embolada, o envolvimento da mulher do ministro Alexandre de Moraes. Este é o temido relator da “trama golpista”. Moraes colocou na cadeia o ex-presidente Jair Bolsonaro e um bando de generais. 

É cenário, portanto, para panelaços, mesmo que silenciosos.

ENTENDA O CASO – Acesse o post Toffoli de marqueteiro por um Lula-4

Privilégio dado a Alcolumbre; Amapá no mapa

Caminharam por túneis do Master políticos em todos os graus dentro dos Executivos dos Estados e Federal. Também ministros de Estado e do Judiciário.

Isso, em parte, moveu a distinção de Toffoli ao presidente do Senado e Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP). Permitiu ao senador, primeiro que todos, fora do BC e PF, conhecer o conteúdo dos relatórios das investigações.

Não foi, todavia, uma deferência à toa.

Amapá, Estado de Alcolumbre, mereceu uma chamada (abaixo) na edição eletrônica de O Globo, no domingo (28/12):  

Reprodução de O Globo/Internet

Toffoli atropela o rito das investigações 

O ministro, por fim, tenta convencer ao mundo que a intimação do diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos, para a acareação será “salutar”. Estará frente a frente de investigados: Vorcaro e o ex-presidente do BRB – Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa.  

Repete que o BC e Aquino não são investigados. O representante da autoridade monetária estará presente apenas para esclarecer fatos. Mas, misturado a investigados.  

Toffoli, porém, passou por cima de princípios básicos nas investigações até se chegar a uma acareação. Primeiro, ocorre a fase dos depoimentos individuais. Havendo contradições, vem, então, o expediente da acareação.  

Ministros da Corte na moita

Nem mesmo o pedido do chefe da Procuradoria-Geral da República (PGR), ministro Paulo Gonet Branco, convenceu Toffoli de retirar o BC da acareação.  

Ele tem poder para teimar e se impor. E age sem o risco de ser perturbado por seus pares, que sabem aliar adversários.  

BC entra os autos: vira bandido 

Na prática, Toffoli colocará o representante do BC em companhia de investigados, mesmo patamar do Master e BRB. É, portanto, clara manobra política de desgaste: colocar a autoridade monetária em mesmo galinheiro sujo dos elos de Vorcaro.  

Parte dos elos dos ilícitos que o BC e a PF apuram aparecem em infográfico que circula nas redes sociais desde o final de novembro. A todo instante, um daqueles nomes engrossa o noticiário 

Última ficha, no STF e mercado de bancos

O BC, mesmo com as negativas de Toffoli, à PGR e à própria instituição, acena com a possibilidade recorrer ao STF. Todavia, as chances são mínimas.

Na confraria, a julgar por fatos recentes, será melhor deixar Toffoli sozinho no confronto ao BC. Ou seja, quanto menos mexer no vespeiro criado por Vorcarco, melhor. 

Enfim, o banco federal recorre também ao próprio mercado financeiro, aos grandes bancos.

Eleições e tamanho do PT no Supremo 

A outra leitura é simples: 2026 será ano eleitoral. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) é declarado candidato à reeleição. Junto com ele, uma leva de aliados e apoiadores nos Estados e Congresso Nacional. Entre estes, políticos influentes são citados nas relações do Master. 

O PT tem a maior bancada no STF. Na hipótese de Lula conquistar nova temporada, se desejar, o partido poderá até ousar reunir o Diretório no Plenário da Corte. 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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