Ufanismos dos generais e Lula nas Copas do Mundo - Além do Fato Ufanismos dos generais e Lula nas Copas do Mundo - Além do Fato

Ufanismos dos generais e Lula nas Copas do Mundo

  • por | publicado: 26/05/2026 - 15:20

Na volta do México, a Seleção tricampeã do mundo fez o beija-mão para o ditador Médici, no Palácio do Planalto - Crédito: Reprodução/Agência Nacional

Neste terceiro governo, bem mais que nos anteriores consecutivos (2003-2010), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP), empreendeu campanha recheada de ufanismos nacionalistas de ocasião. Em determinados momentos, o petista copiou, sem retoques, a espinha dorsal da propaganda verde-amarela da ditadura dos generais.

As linhas centrais dos ufanismos dos generais e Lula se encontram nos objetivos: anestesiar as massas e distrair das mazelas crônicas politicas e econôminas do país. É isso que Lula faz, diariamente, desde a posse, em 01/01/2023.

Neste mês, véspera da Copa do Mundo na América do Norte, a propaganda massiva pela Seleção remete, então, às práticas da triste página 1964-1985, período da ditadura militar. No esforço para arrastar a torcida, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e o Governo Lula, pagando caro, de um lado, e, do outro, empresas de comunicação faturando alto, só faltam reposicionar vinhetas e “músicas populares” do pacote dos milicos da Copa de 1970.

O ditador Médici exibe, no Planalto, a Taça Jules Rimet,
levada pela Seleção tricampeã de 1970. É o gesto do
sonho do consumo político de Lula – Foto: Arquivo

Nacional/Correio da Manhã

General Médici tirou Saldanha e …

Há um empenho agressivo do Governo do PT e da mídia para ressuscitar aquele tal “Brasil de chuteiras” (Nelson Rodrigues), embalado em “Pra frente Brasil“. Na copa dos generais, havia, porém, um diferencial enorme em relação a esta terceira copa do petista: o elenco. O escrete montado, em 1970, pelo jornalista e técnico João Saldanha seria capaz de vencer até cinco campeonatos no mesmo semestre. Eram as “Feras do Saldanha“.

O governo do general Garrastazu Médici, porém, queria extrair algo mais daquelas “feras”. Queria, principalmente, dividendos no povo para a ditadura. Neste ano, Lula torce pela conquista e, abraçado nela, manobrar a fatia não esclarecida do eleitorado, a maioria.

Ícone da “linha-dura” militar, Médici figurou como o ditador brasileiro mais sanguinário (1969-1974): prisões, torturas e mortes (“desaparecimentos”) dos que resistiam à opressão e exigiam o retorno à democracia. Foram, no seu governo, os “anos de chumbo“.

O ditador marcou presença com a intervenção na Seleção. Mandou demitir Saldanha. O técnico foi ex-jogador pelo Botafogo, era bacharel em Direito, Jornalista e político de ideologia comunista. Era filiado ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), o “Partidão“.

… escalou Dadá Maravilha

Saldanha se recusou a atender Médici: convocar o atacante e goleador Dario (Dadá Peito de Aço ou Dadá Maravilha), do Clube Atlético Mineiro, o Galo. “O senhor convoca os seus ministros, pode deixar que dos jogadores cuido eu”. Essa uma das versões publicadas na época à reação do técnico. Era chamado de o “João Sem-Medo“, por não fazer rodeios.

A Confederação Brasileira de Desportos (CBD – atual CBF), sob pressão dos generais, trocou Saldanha por Zagalo, outro ex-botafoguense. O novo técnico, então, chamou Dadá. Todavia, manteve a formação herdada. A mídia, de pronto, trocou o tratamento do escrete para “Formiguinhas de Zagalo“.

Dario era, sim, um goleador. Mas o país tinha um hipermercado de craques. Não houve espaço para ele nem no banco.

O Brasil retornou do México com a taça do tricampeonato. Popular, desde antes, por suas tiradas, mais de meio século depois, Dario ainda carrega o estigma de ter sido convocado por um ditador.

Reinaldo encarou o general Geisel

Em mesma década, Reinaldo Lima, outro goleador e camisa 9 também do Atlético Mineiro, protagonizou situação política adversa. O “Rei Reinaldo”, como era tratado pela torcida, comemorava seus gols com braço erguido e punho cerrado, ao alto. Foi a estrela nacional na temporada de 1977 e seu gesto se popularizou pelos estádios.

Antes do embarque para a Copa de 1978, na Argentina, Reinaldo foi pressionado pessoalmente pelo ditador sucessor de Médici. Recebeu, então, a proibição pessoal do general Ernesto Geisel (1974-1979) de comemorar seus gols com o gesto, que a ditadura associava ao socialismo.

Na verdade, Reinaldo repetia aquilo que via na imprensa sobre protestos antirracistas dos Panteras Negras, o movimento Black Power, nos Estados Unidos. O gesto foi consagrado por atletas negros norte-americanos nas Olimpíadas do México, em 1968, após o assassinato de Martin Luther King. Luther King foi o maior líder da luta por Direitos Civis dos negros nos EUA.

O próprio atleta do Galo contou que, dentro do Palácio Piratini, em Porto Alegre (RS), ouviu da boca de Geisel: “Vai jogar bola, garoto! Deixa que a política a gente faz“.

Pois bem. O representante do time mineiro marcou o gol da estreia do Brasil, no empate contra a Suécia. Repetiu a comemoração e não vestiu mais a camisa da Seleção. Os donos da casa, também sob ferrenha ditadura militar, venceram a Copa.

Caserna dentro da Seleção

Em 1978, a CBD era presidida por Heleno Nunes, um almirante da Marinha. O técnico da Seleção, Cláudio Coutinho, um capitão do Exército, que assumiu o lugar de Oswaldo Brandão. Oficialmente, Brandão pediu demissão.

Coutinho gostava de treinar o time nas dependências do Forte São João, quartel no bairro da Urca, no Rio. O Forte era vizinho à Escola Superior de Guerra (ESG), ninho da doutrina de militares de alta patente e de políticos alinhados. Ou seja, os militares (Governo) controlavam cada m2 daquela Seleção também.

Coutinho, ao ser chamado pela CBD, comandava o Flamengo, ou seja, do time mais popular do país.

Lula sobiu no trio elétrico dos generais

Os jogadores da Seleção de 2026, do italiano Carlo Ancelotti, não beiram nem as chuteiras das “Feras do Saldanha”. Mesmo assim, Lula pediu a Ancelotti que volte com o hexacampeonato.

Com o italiano, uma lambada da faceta de Dario. Ainda que camuflada, pairou a imposição pela convocação de Neymar. Ancelotti teve, pois, de engolir seco. A imprensa, todavia, fez a vontade do Planalto parecer um apelo popular.

Mas, fato é que, atrás da bola rolando, todos querem faturar, na política e comerciais. A coisa ficou explícita no dia 18, na divulgação da lista dos convocados.

Desde os governos anteriores, Lula recorre ao uniforme da
Petrobras e às mãos sujas de petróleo em suas investidas
populistas – Foto: Ricardo Stuckert/Agência Brasil

Ufanismos caros para o Tesouro

O peso real da fatura da máquina pública na campanha de Lula não está transparente. Talvez, só mediante investigação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

Os ufanismos políticos do Lula-3 ficaram mais escancarados no afunilamento do calendário preparatório da Copa. A sensação é a de que o uso da infraestrutura do Estado pelo pestista supera em muito o tempo dos generais.

Nesse blend, o Planalto faz sua derrama de “bondades” eleitoreiras. Lula libera a rodo as verbas das emendas parlamentares, “benefícios sociais” da periferia do Bolsa Família e renúncias fiscais.

Só em 2026, naqueles expedientes e similares, o Governo comprometeu o Tesouro Nacional em mais de duas centenas de bilhões de reais. Tudo, portanto, na conta da tentativa da reeleição do chefe, em outubro.

Sem picanha, mas com muitos escândalos

Lula briga com as próprias promessas de campanha, em 2022, não realizadas. Uma delas, fazer o povo “voltar a comer um churrasquinho, a comer uma picanha e tomar uma cervejinha“. Aliado a isso, pressionam os escândalos políticos colaram no Lula-3. Até este mês, perturbam alto os casos Banco Master, roubos nos benefícios dos aposentados do INSS etc.

A Copa do Mundo será de 11 de junho a 19 de julho. As eleições, em dois turnos, em 04 e 25 de outubro. Ou seja, brasileitos irão às urnas 77 dias após conhecida a seleção campeã do mundo.

Título original: Ufanismos dos generais e Lula se encontram nas Copas

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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