Os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, nesta semana, deixaram alas de viúvas e viúvos na política. Homenageado pela Acadêmicos de Niterói, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP), contrariando fileiras do próprio partido, pisou na Avenida Marquês de Sapucaí. A conta veio na Quarta-feira de Cinzas!
Lula selou sua marca de pé-frio no Carnaval Carioca.
A escola, com o samba-enredo ‘Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o operário do Brasil’, foi rebaixada (última colocada) do Grupo Especial para o da Série Ouro (de Acesso). Amargou o último lugar (264.6). Em 2027, portanto, desfilará na segunda divisão do samba.
Campeã, Viradouro homenageou o samba
Por ironia, a campeã do Carnaval, a Viradouro (270 pontos), também é de Niterói. Mas tomou outro caminho fora da política, lançando olhar para a essência da festa popular. Optou, nessa ótica, pela sua história, não pela Praça dos Três Poderes, em Brasília.
O enredo da Viradouro, “Pra cima, Ciça”, rendeu reconhecimento ao seu Mestre de Bateria, o Mestre Ciça – Moacyr Silva Pinto.
Janja, sempre Janja, quis desfilar na Sapucaí
Todavia, a fatura do fiasco federal não deve ser paga apenas pelo cofundador do Partido dos Trabalhadores (PT). A fila é grande. Começa, porém, mos aposentos de Lula, pela mulher, a Janja (socióloga Rosângela Lula da Silva (PT-PR).
Janja adora uma pista de aeroporto, se intromete em agendas do Planalto e não consegue viver fora da bolha da bajulação. Deve, portanto, ter achado o máximo o marido virar tema de enredo e uma escola de samba da Série Principal do Rio de Janeiro. Insistiu que iria desfilar e só desistiu quase no minuto final para descer do camarote.
A primeira-dama deve ter sonhado o ano inteiro com a conquista do título pela Acadêmicos de Niterói. Seria, então, só festa em palanques de Lula. Pouco (ou nada) se importou com a Legislação Eleitoral e as consequências. Até para o sonolento Tribunal de Contas da União (TCU), dominado por ex-deputados, a ficha caiu. O TCU associou a homenagem às eleições de outubro.
Gleisi cantou fora da SapucaÍ; agora vai chorar
Muita gente da cozinha de Lula embarcou na esteira da governanta do Alvorada. A ex-presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) e chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Gleisi Hoffmann (PT-PR), também queria o homenageado no alto de algum carro alegórico.
A ministra bateu panela contra as críticas a Lula antes do embarque para o Rio. Mas, em sessão da Câmara dedicada ao PT, empanou tudo em discurso velho e cego, o da idolatria ao petista.
Prefeito do Rio procurou sarna
Nesse bloco, claro, desfilou o prefeito anfitrião, Eduardo Paes (PSD-RJ). Defensor da própria pré-candidatura ao Governo do RJ, o prefeito é um penetra na velha guarda do PT. Sempre posando com inconfundível olhar apaixonado pelos eventuais votos que Lula poderá repassar à sua candidatura.
Toffoli também ‘sambou’
Correndo por fora dos holofotes da Sapucaí, estava o encrencado ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal da Federal (STF). Amigo de Lula, torcia pela presença da Acadêmicos de Niterói no Desfile das Campeãs, sábado (21/02).
Uma boa colocação da escola abria chance para o ministro do STF descolar um refúgio nesse mormaço que ele próprio acrescentou ao escândalo do Banco Master e seu dono, Daniel Vorcaro. Enfim, seria, uma sombra fora da pauta principal em Brasília.
LEIA AQUI sobre os escândalos do Master e envolvimento de ministros do STF.
Embolada dos ‘comunicadores’ do PT
Dentro da sala dos influentes diretos sobre Lula, com olhares de acusadores, estão alguns notáveis. Entre estes, o presidente do Diretório Nacional do PT, Edinho Silva (PT-SP), e o secretário de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), Sidônio Caldeira Palmeira (PT-BA).
Edinho é ex-prefeito de Araraquara (SP), ex-ministro da Comunicação do Governo Dilma Rousseff (PT-RS) e ex-coordenador de comunicação da campanha de Lula, em 2022. No ano passado, assumiu a presidência Nacional do PT, no lugar de Gleisi. Todavia, 2025 não foi só festa. Veio a condenação por improbidade administrativa dolosa em Araraquara.
Sidônio, ex-marqueteiro da campanha de 2022, virou ministro em 2024. Goza de muita confiança junto ao chefe do Planalto. Ele conseguiu, por exemplo, desacelerar a desaprovação do petista. Isso, inclusive, foi determinante no estancamento da pressão de contrários à candidatura de Lula à reeleição.
Edinho e Sidônio, portanto, se perguntam: quem errou ao deixar o presidente e a Acadêmico levarem adiante a homenagem em pleno ano eleitoral?
Ressaca dos culpados; Novo volta ao TSE
Além das vaias no Sambódromo e ter de assumir o vexame da escola, o PT terá de administrar novas ameaças de ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A Folha SP deu a seguinte chamada: “Carnaval 2026 – Críticas de setores religiosos a desfile em homenagem a Lula alarmam aliados do presidente; Planalto vê repercussão negativa; Presidente se irrita com fogo amigo por enredo da Acadêmicos de Niterói”.
Pesquisa terá mais ônus que bônus
Ao choro das viúvas e viúvos de um Carnaval político desperta olhar de preocupação com a próxima pesquisa de opinião dos eleitores. A vez, pois, é para as vozes da Sapucaí!…
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

