Agora com status de ministro de Estado, o deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP) comandará militâncias nos movimentos sociais - Crédito: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
A entrada do deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP) no Governo Lula, à frente da Secretaria-Geral da Presidência, coloca um elefante dentro da cristaleira vidro, o Planalto. O psolista, no ministério de Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP), viverá o ápice de sua trajetória: mestre de bateria em sua militância política de mobilização de protestos urbanos contra governos (todos).
Boulos, em seu currículo, agitou as ruas até contra o PT. Mas, desde a quarta (29/10), tem sala no Planalto. Na porta, mesmo sem placa, se lê: gabinete do Ministro.
Lula entregou ao ex-adversário (2018) do PT em eleição presidencial o papel de ministro de Estado para o leva-e-traz das suas pregações. Desfilará com status no segundo escalão da República.
Isso é um plus do petista ao acordo celebrado nas eleições municipais de 2024. No papel, o PT não lançou candidato à Prefeitura de São Paulo, apoiou Boulos. Este, em contrapartida, ficaria fora da corrida presidencial em 2026.
Boulos perdeu outra vez (primeira em 2020) para a prefeitura da Capital de SP. No total, Lula micou em 25 capitais do país. De forma apertada, e em 2º turno, levou Fortaleza (CE).
Leitura dos analistas: 2024 consagrou o antipetismo. O retrato disso veio em um semestre de rejeição ao Governo Lula.
Está gostando do conteúdo? Compartilhe!
Apurados os votos, ficou, então, o climão para Lula: como segurar um incontrolável Boulos. Mesmo derrotado, continuou dono de invejável espólio das urnas, em 2022: deputado federal paulista mais votado, com o crédito de 1.001.453 eleitores.
O chefe do Planalto, então, se apressou no anúncio de que o psolista chefiaria uma Secretaria da Presidência.
O presidente, todavia, precisou pisar no freio. Enfrentava um polvo de problemas, entre estes o tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Além disso, trabalhava desdobramento do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ) pelo Supremo tribunal Federal (STF). E se ocupava também com os cacos de vidro das rejeições do Governo do PT em consecutivas pesquisas de opinião pública.
O ambiente, claro, era de bode na sala. Colocar Boulos no Planalto naquele momento poderia azedar mais ainda os gráficos das estáticas. O histórico do agora ministro tem seu DNA em protestos à frente do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST – um MST urbano).
O melhor para o petista, pois, foi colocar Boulos em banho maria. Esperou por três trimestres. Como algumas alianças não vingaram, principalmente a ferrenha tentativa com parlamentares evangélicos, Lula findou o calvário da espera pelo psolista.
Missão principal de Boulos: bater tambores dos movimentos sociais. Cutucar permanentemente um eleitorado estimado acima dos 40 milhões de votos. Escorado em bilionários gastos públicos dos “programas sociais”. O custo isolado do Bolsa Família é de R$ 12,88 bilhões (Fonte: Governo Federal, outubro de 2025). Conta total, em 2025, R$ 285,8 bilhões.
Caberá, portanto, ao novo ministro jogar com as militâncias de todos becos e guetos da base aliada partidária do PT.
No popular, o psolista lançará lenha enxarcada de gasolina em fogueiras da polarização do “nós contra eles”, “ricos contra pobres”, e até favelas contra a Avenida Faria Lima. E viajará muito com o chefe, até outubro d 2026.
No discurso da posse, o novo braço do chefe da casa, deu uma palinha. Tirou proveito na matança causada pela megaoperação da Polícia Militar do RJ em favelas dos complexos da Penha e Alemão. Contou com clima favorável do momento, de se culpar apenas a PMERJ e o Governo do RJ.
Assim, acredita Lula, Boulos ficará em rédeas curtas.
Está gostando do conteúdo? Compartilhe!
Para acalmar o petista, no começo do ano, ou seja, muito antes de receber crachá de ministro, o deputado paulista jurou que ficará até o final do Governo Lula 3. Ou seja, nem pensaria nas urnas em 2026.
O novo chegado no Governo do PT, entretanto, inspira confiança relativa, em matéria de política. Por isso o petista agiu em paralelo. Lançou um balão de ensaio. para hipnotizar o brilho da ambição dos olhos de Boulos.
Lula espalhou (antes da posse) o recém-chegado será candidato a uma cadeira no Senado.
Assim, talhou outra pedra na busca de sossego na relação com o psolista. Mas, não há certeza de risco zero para uma eventual recaída de Boulos, e ele atravessar em palanques dos presidenciáveis.
Lembrem-se disto: em dezembro de 2022, com o portfólio de deputado federal campeão de votos em SP, descartou virar ministro de Lula.
Os cautelosos em política conhecem bem o significado de frases populares como “um dia de cada vez” e “atrás de morro, tem morro“. Ou seja, é esperar pelos cacos da primeira espinafrada de Boulos, que chega como mais um trombador dentro no Ministério de Lula.
O ministério do Governo do PT tem outros broncos em matéria de comandar militâncias. Nessa agenda correm o chefe da Casa Civil, Rui Costa dos Santos (PT), ex-governador da Bahia, e a deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR), chefe da Secretaria de Relações Institucionais. Palpita também o marqueteiro Sidônio Palmeira (PT-BA), chefe da Secretaria de Comunicação.
Em raia privilegiada, aparece a mulher de Lula, a socióloga Rosângela Lula da Silva (PT-PR), a Janja. Ela criou aresta para o marido até com o maior bilionário do planeta.
Boulos, não se deve esquecer, sempre alçou voo solo. É esperar, portanto, para ver se se sujeitará às ordens de Lula.
A chegada de Boulos ao Governo do PT, todavia, vai além da consagração de um acordo de face do Lula. Por fora, aparece a sombra do bruxo e ex-ministro da Casa Civil do Governo Lula 1, José Dirceu (PT-SP). Este acelera etapas na recolocação de suas digitais no bureau do PT que sempre ditou as cartas para Lula.
Boulos tem o espírito do Zé Dirceu, quando a pauta é puxar agitações nas ruas, provocar militâncias. Portanto, convergem!
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) é presidido pelo ministro Luiz Edson Fachin, também presidente…
Quando surgiam sinais de diálogo na guerra entre os presidentes Lula e Davi Alcolumbre (Senado)…
Os ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 24 horas,…
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), não surpreendeu. Impôs sigilo máximo e…
Pode ser um bom negócio para quem vive disso, mas um estado, ainda que se…
No saldo dos escândalos políticos e financeiros, novembro criou mais um calcanhar de aquiles para…