Brasil entra para grupo de 'muito alto desenvolvimento humano' Brasil entra para grupo de 'muito alto desenvolvimento humano'

Brasil entra para grupo de ‘muito alto desenvolvimento humano’

Chefe do PNUD no Brasil, Claudio Providas, e a coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do escritório brasileiro, Betina Barbosa, durante coletiva sobre o Radar IDHM: Evolução do IDHM e seus componentes de 2012 a 2024/ Foto Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O Brasil entrou pela primeira vez no grupo de países com muito alto desenvolvimento, segundo os dados do Radar Índice de Desenvolvimento Humano (IDHM), divulgado nesta terça (26). A notícia foi divulgada pelo jornal O Globo. A análise do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) em parceria com o IBGE e a Fundação João Pinheiro comparou os resultados de 2012 a 2024, período em que o índice brasileiro passou de 0,744 para 0,805. O crescimento, no entanto, não foi suficiente para aplacar as desigualdades do país, principalmente nos recortes raciais e de gênero.

O IDHM varia de 0 a 1 e, quanto mais próximo de 1, mais desenvolvido é o local. Dessa forma, a leitura se dá assim:

De 0 a 0,499: muito baixo

De 0,5 a 0,599: baixo

De 0,6 a 0,699: médio

De 0,7 a 0,799: alto

0,8 a 1: muito alto

O IDHM brasileiro considera as mesmas três dimensões do IDH Global (longevidade, educação e renda), mas adequa a metodologia ao contexto do país. A análise abrange os 26 estados e o Distrito Federal, as 20 regiões metropolitanas, a Região Integrada de Desenvolvimento (RIDE) da Grande Teresina e cinco macrorregiões. Os resultados foram calculados usando como base os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com a equipe técnica e pesquisadores da Fundação João Pinheiro.

O compilado de dados traz comparativos de gênero e de raça, que mostram as diferenças sociais entre homens e mulheres, que são ainda mais graves quando se analisa a disparidade entre brancos e negros.

Diferença entre brancos e negros

Mesmo que, nos últimos anos, a evolução do índice de desenvolvimento para a população negra tenha acontecido em um ritmo maior que o da população branca — 10,3% contra 5,5% —, não foi o suficiente para acabar com as defasagens. Enquanto o IDHM dos brancos evoluiu de 0,804 em 2012, para 0,851 em 2024, o da população negra (pretos e pardos) saiu de 0,694 para 0,774 no mesmo intervalo de tempo. O fato é que em 2024, a população negra ainda tinha IDHM 10% inferior ao de brancos (0,774 contra 0,851).

No caso da população branca, em uma análise detalhada dos subíndices de 2012 para 2024, o IDHM de Renda saiu de 0,781 para 0,806, com a renda per capita crescendo de R$ 1.029,68 para R$ 1.208,58. Já a dimensão Longevidade registrou uma evolução de 0,890 para 0,913, com a expectativa de vida saindo de 78,40 anos para 79,80 anos. Por fim, na Educação, foi de 0,748 para 0,838 com a porcentagem da população adulta com ensino fundamental completo passando de 66,38% para 76,63%.

A mesma análise na população negra mostra um o IDHM Renda passando de 0,670 para 0,712 em 2024, com a renda domiciliar per capita subindo de R$ 518,57 e R$ 673,65, pouco mais da metade da população branca. No campo da Longevidade, o índice foi de 0,800 para 0,846 em 2024, fazendo com que a esperança de vida saísse de 72,78 para 75,73 anos. E o IDHM Educação subiu de 0,623 para 0,770, elevando a taxa de pessoas com 18 anos ou mais de idade com ensino fundamental completo de 53,02% para 67,33%.

Há uma disparidade também quando se trata de gênero. O IDHM das mulheres passou de 0,736 para 0,798, enquanto o recorte para os homens mostra um aumento de 0,737, em 2012, para 0,802, em 2024. Isso mostra que, enquanto os homens atingiram o patamar de muito alto desenvolvimento humano, as mulheres permaneceram no patamar de alto desenvolvimento humano.

Quando se analisa especificamente a questão da renda, é possível identificar que, em 2024, a distância entre homens e mulheres aumentou, com o rendimento médio feminino em R$ 1.260,45 e o dos homens em R$ 1.604,30. Já na questão da longevidade, em 2024 foi registrada a menor diferença entre os grupos, com a esperança de vida entre mulheres de 79,88 anos e a dos homens de 73,3 anos.

Análise de estados

Quando o recorte se volta para os estados, os destaques são Alagoas, Piauí e Rio Grande do Norte, que registraram os maiores crescimentos dos respectivos IDHMs. Dos 26 estados mais o Distrito Federal, 10 unidades federativas alcançaram o nível mais alto da escala que mede o desenvolvimento humano, enquanto as outras 17 se inseriram no patamar de alto desenvolvimento humano.

Mesmo com o crescimento, a disparidade entre as regiões permanecem. Em 2024, por exemplo, o IDHM atingiu o valor de 0,866 no Distrito Federal e 0,838 em São Paulo, enquanto registrou 0,745, no Maranhão e 0,746 em Alagoas.

Nove UFs registraram IDHM superior ao do Brasil: todos os estados das regiões Sul (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná) e Sudeste (São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santos e Minas Gerais), além de Mato Grosso e Goiás.

Renda, educação e longevidade

Os três subíndices que compõem o IDHM ascenderam de 2012 a 2024, ainda que suas trajetórias não tenham sido lineares. Em todas as análises foi possível identificar um recuo do desenvolvimento por conta da pandemia, que

O índice da Educação foi o que apresentou a maior evolução no período, com taxa de crescimento médio anual de 1,35%. Para o cálculo, são usados indicativos de escolaridade da população e frequência escolar. O primeiro, mede a proporção de pessoas de 18 anos ou mais com ensino fundamental completo. No período de 2012 a 2024, este indicador passou de 59,53% para 71,38%. O Distrito Federal é o local que aparece com o maior percentual: 83,38%. Já a Paraíba é a que aparece com menor: 59,14%.

O índice de Longevidade é calculado usando como base o dado de esperança de vida ao nascer, que projeta um número médio de anos que um recém-nascido viveria, mantendo-se constantes as taxas de mortalidade. De 2012 a 2024, o indicador apresentou trajetória de crescimento, interrompida por duas quedas consecutivas em 2020 e 2021, por conta da Covid-19.A taxa retomou trajetória ascendente a partir de 2022, mas registrou uma redução em 2024. O local que aparece no estudo com menor expectativa de vida é o Amapá, com 74,32 anos, e o com maior é o Distrito Federal, onde a expectativa é de 79,75 anos.

Já o IDHM Renda, que analisa o valor domiciliar per capita, apresentou trajetória de altos e baixos, com quedas em 2015, 2016, 2020 e 2021. Nesse último ano, também em razão da pandemia, o valor registrado foi inferior ao de 2012. Nos outros anos, o crescimento da renda domiciliar per capita foi acompanhado pela diminuição da proporção de pessoas vulneráveis à pobreza e do Índice de Gini, criado para medir o grau de concentração de renda. Os dois apresentaram, respectivamente, taxas de crescimento médio anual de -3,46% e -0,54%.

(*) Notícia do jornal O Globo

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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