Fabricantes de ônibus priorizam lucros do empresários

  • por | publicado: 21/08/2019 - 13:49

Desconforto e congestionamentos retiram passageiros dos ônibus - Foto: Reprodução/Imagem de TV

Os fabricantes de ônibus não priorizam o conforto dos passageiros, mas os lucros dos empresários, que elevam margens na relação direta ao número de pessoas em pé. Os coletivos são homologados para trafegar, em média, com 62% da lotação com passageiros em pé. Essa realidade está longe de desaparecer, a se comprovar na exposição das montadoras dentro do Seminário Nacional da NTU 2019 – Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, ontem (20) e hoje, em Brasília.

As empresas realçam, nos “lançamentos”, itens de “motorização” – menos poluentes -, suspensão, veículos com três eixos (sendo dois dianteiros). Por vezes, falam do “conforto”. A tecnologia é toda voltada para o empreendedor. Os veículos ficam mais longos, robustos, consomem menos combustível etc. Itens que melhoram a margem do investimento. Às vezes, asseguram os fabricantes, até poluem menos, ou seja, em tese, geram menos multas (se houver fiscalização ambiental).

Na verdade, nos coletivos urbanos comuns, o item “conforto” é prosa. A montadora Caio, apresenta, nestes dois dias, em Brasília, um modelo que leva 42 passageiros sentados e 64 em pé. Ou seja, 64% do lucro, se a lotação estiver em 100%, não exigiram investimentos em poltronas. Essa margem é bem maior, pois, em horário do rush, a ocupação em pé, por m2, dobra. A Marcopolo, líder no segmento, mostra uma versão para 112 passageiros, dos quais 77 (quase 70%) em pé. E, outro, para 71, sendo 40 (56%) em pé.

A pergunta é: onde está o conforto para a maioria dos passageiros?

Ônibus perderam 12,5 milhões de passageiros

As empresas de ônibus do transporte coletivo urbano perderam 12,5 milhões de passageiros em um ano, até abril. É o que consta do Anuário 2018-2019, da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU. A queda (4,3%) é resultado, principalmente, dos gargalos nos sistema de infraestrutura nas cidades. A contar de 2009, esses projetos teriam recebido apenas 9,4% dos investimentos para mobilidade, de um total anunciado R$ 151,7 bilhões.

↘Queda de 25,9% em quatro anos

Ainda entre os motivos que fazem o sistema perder passageiros, de acordo com aquilo que foi apresentado no Seminário Nacional da NTU, estão a lentidão do trânsito. Aqui se materializa a deficiência em corredores exclusivos para os ônibus. No triênio 2017-2019, os chamados “projetos ativos” de mobilidade nas cidades brasileiras, de acordo com a NTU, seriam 706, ou seja, 12% a mais que em 2017.  

Maceió faz controle por biometria

Em Maceió (SE), 70% da frota do transporte coletivo rodoviário operam com o controle dos bilhetes eletrônicos monitorados pelo controle de câmeras de identificação por biometria facial. Implantado em abril, o sistema ajuda a coibir desvios dos benefícios tarifários – estudante, idosos, acompanhantes e funcionários dos Correios.

No momento em que o usuário passar na catraca, as imagens dele seguem para o Sistema de Bilhetagem Eletrônica. Se houver irregularidades, o cartão é bloqueado. A partir daí, o titular passa por suspensões, que em caso de reincidências, podem exclui-lo dos benefícios por até um ano. Nos quatro meses de operação, o Sistema Integrado de Mobilidade de Maceió (SIMM) atingiu cerca de 16.800 bilhetes com uso indevido. A meta da Prefeitura de Maceió é atingir 100% da frota até o final de dezembro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.