Imagem de Lula e Alckmin dias antes da diplomação (12/12/20220). Neste ano, o petista faz negociatas de apoio e não quer mais o ex-tucano como seu vice - Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O Brasil, a cada dois anos, revive com intensidade as enxurradas do fisiologismo e falsidade dos políticos. As negociatas, porém, são mais absurdas em anos de eleições presidenciais. Nesse jogo não há ausentes, principalmente entre ‘donos’ do poder, no Executivo e Legislativo – em todos os níveis. Mas todos são contaminados, desde um simples vereador, de lugar distante, ao presidente da República, distribuidor das do Poder.
Há fartura de fatos sacramentando o Brasil como paraíso para falsidades e negociatas políticas.
Nas eleições de 2002, por exemplo, o presidente Luiz Inácio Lula Silva (PT-SP) venceu em Minas Gerais (64,44%). E foi graças ao acordo com o candidato do PSDB, inimigo político do PT.
Os petistas não lançaram candidato contra Aécio Neves (PSDB). Este, por sua vez, não fez palanque para o tucano José Serra (33,35%). Nas reeleições de ambos, em 2006, repetiram a parceria.
Em 2006, o candidato do PSDB foi Geraldo Alckmin (34,80%), atual vice de Lula. Soltou cobras e lagartos nos ouvidos de Lula (65,19%). Apontava enciclopédia dos rastros da corrupção do Mensalão do PT.
Aécio, todavia, foi adversário de Dilma Roussef (PT-RS), que se reelegeu. O tucano mineiro, desta vez, portanto, declamou todo repertório nacional da corrupção petista.
Dois anos depois, Aécio, senador, votou pelo impeachment (31/10/2016) de Dilma. Assumiu o vice (reeleito) Michel Temer (P/MDB-SP).
Nas eleições de 2018, Lula estava preso.
Alckmin concorreu novamente, mas ainda pelo PSDB. Os boletins finais o apontaram em 4º lugar (4,7% dos votos) na preferência dos eleitores.
Ao atacar o candidato petista, o atual ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT-SP), o ex-tucano não foi econômico no estoque de casos de corrupção das administrações petistas. Usou e abusou ao citar fatos dos investigados, condenados e presos no âmbito da Operação Lava Jato.
Haddad foi o 2º (29,28%) dos votos, e, Jair Bolsonaro (PL-RJ) venceu (46,03%). VEJA AQUI.
Em fins de 2021, Alckmin largou seu acervo de 33 anos de PSDB. Pulou para dentro do PSB em março seguinte. Três meses depois, o PT aprovou o ex-governador de São Paulo como vice na chapa de Lula. De imediato às negociatas, o Diretório Nacional do PT apagou nas redes sociais do partido todos os ataques históricos contra Alckmin. Agora, novo “companheiro” por Lula.
Neste 2026, Lula (80 anos) não quer mais Alckmin (73) como seu vice nas eleições de outubro. Em parte, a decisão passa pela opção do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de disputar a reeleição. O governador não pensaria mais, portanto, na corrida à Presidência da República.
A desculpa do petista é que, diante do posicionamento do chefe dos Bandeirantes, pensou em Alckmin como puxador de votos em São Paulo, concorrendo por lá. O atual vice-presidente ocupou o executivo paulista por longos períodos. O paulista foi vice-governador de 1995 a 2001, e, governador, em 2001-2006 e 2011-2018.
Lula, então, estende as negociatas até o MDB. Ele acredita que seria uma via para puxar votos de partidos que sobrevivem de plantões no balcão das negociatas. Pouco importa o sentimento de traição do PT contra o ex-aliado.
No popular do “vender até a mãe”, o cofundador do PT (1980) passa por cima das bandeiras que ajudou a escrever. Assim, pois, justifica ignorar que o ex-presidente Michel Temer, estrela do MDB, seja visto nas fileiras do partido como “traidor”, “golpista” etc.
O PT acusa Temer de haver conspirado pelo impeachment de Dilma. Ele foi vice nas eleições de 2010 e 2014. Assumiu, então, em 2016 na cassação da petista.
O petista, todavia, não despreza nem mesmo adversários seguidores do ex-presidente Bolsonaro, que está preso.
Nesta praia, já nem que os bolsonaristas tramaram para impedir sua posse (dezembro de 2024) e praticaram vandalismos em Brasília, 08 de janeiro de 2023. Com uma semana do novo Governo do PT, sipatizantes de Bolsonaro invadiram e depredaram no Planalto, Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF).
Entre bolsonarismo, Lula costura, desde o começo de janeiro, acordo com o senador Ciro Nogueira (PP-PI). O senador enxerga dificuldade para renovar seu mandato no Senado. Ele foi ministro no Governo Bolsonaro, da Casa Civil (2021-2022).
Ciro é presidente do nacional do PP e propõe aliança ao PT, acenando com a possibilidade de arrastar o União.
O plano do piauiense é o Progressistas não subir em palanques bolsonaristas, do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em contrapartida, Lula não pediria voto a outro candidato ao Senado no Piauí, além da aliança com o senador Marcelo Castro (MDB).
Como são duas vagas para o Senado, Ciro acredita, então, que melhoria sua chance no cenário regional atual.
O Piauí é governado por Rafael Fonteles (PT). Está com 80% de aprovação popular e pretende novo mandato.
O PT acha o preço justo, visto que enxerga nesse capítulo das negociatas um retorno apreciável: apoio indireto do PP em 10 Estados, excluído o Piauí.
Ontem (10/02), O Globo publicou: “Ciro Nogueira interrompe bombardeio digital contra a Lula e se reaproxima do PT por palanque na eleição”. A Folha SP tratou assim: “Ciro encontrou Lula e ofereceu afastar o PP de Flávio Bolsonaro por acordo no Piauí”.
O Uol, porém, relembrou que, em 2018, Ciro se elegeu para o Senado com apoio do PT. Mas, ao assumir, 2019, embarcou no bloco do então presidente Bolsonaro, que derrotara o partido de Lula.
Portal O Antagonista republicou trecho de uma das críticas de Ciro (abril 2025), no “X” (antigo Twitter), contra o PT: “A esquerda está desesperada com o escândalo indefensável do roubo dos aposentados. Já escalou seu gabinete do ódio para atacar a oposição. No meu caso, vou assinar a CPMI. Quem não deve não teme. PT, apoie a CPMI. Sua matilha vai latir de pânico”.
Em 2025, observa o portal, Ciro postou 94 ataques ao Governo Lula. Neste ano, nenhum.
As negociatas políticas de Lula consideram ainda fatores latentes do momento. Entre estes, por exemplo, os escândalos de fraude e elos de influência política do banqueiro mineiro Daniel Voracro, dono do Banco Master. Ou seja, está de olho nas urnas naquilo que rola dentro do Congresso e STF.
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