Essa lambança na Suprema Corte, marca fantasia do Supremo Tribunal Federal (STF), exibe um ponto de saturação política interna promovida pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Os ministros conseguiram o indesejável: tornar pessoais interesses difusos. Dane-se, então, a Justiça imparcial. Escândalos como Daniel Vorcaro, Banco Master, INSS, da lobista amiga do empresário Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), das fakes news e tantos outros fizeram do STF um território do vale tudo, menos Justiça.
O empresário Lulinha é o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP), que concorre à reeleição. Ele mora na Espanha e é investigado por tráfico de influência no Governo do PT.
Há algum tempo, é visível que os ministros do Supremo cumprem orientações partidárias. Virou instância garantidora de mandos e desmandos dos donos dos poderes no Judiciário, Legislativo e Executivo. Por isso a opinião pública zera a confiança na instituição.
Nos últimos dez meses, relatórios da Polícia Federal (PF) escancaram submundos entre os capas pretas da Praça dos Três Poderes, Brasília (DF). E, agora, surgiu até ‘documento’ falso (fake): sem timbre, mas atribuído à PF. O ente de Estado virou moeda de favores entre a Suprema Corte e o Palácio do Planalto.
A zorra saiu do controle. Pior: quebrou a autoridade do seu presidente do Supremo, Edson Fachin, sempre atrasado nas decisões.
Na Roma Antiga, convergem inúmeras literaturas, a “toga simbolizava poder, prestígio e respeito” (Uol).
Os times no STF
No capítulo do atual pagode eleitoral no Supremo, de um lado estão:
- Alexandre de Moraes – ex-ministro da Justiça do Governo Temer e relator do inquérito das fake news (rola há sete anos);
- Gilmar Mendes – quer retirar agentes da PF de dentro do STF;
- Dias Toffoli – ex-consultor da CUT, ex-assessor de José Dirceu e ex-AGU do segundo Governo Lula;
- Flávio Dino – ex-ministro da Justiça no atual Governo Lula;
- Cristiano Zanin – ex-advogado de Lula nos processos e julgamento dos casos de corrupção na Operação Lava Jato; e,
- Edson Fachin – indicado pelo Governo Dilma Rousseff
Em outra extremidade:
- Andrè Mendonça – relator dos inquéritos do Master e INSS e ex-ministro da Justiça do Governo Bolsonaro;
- Luiz Fux – votou contra condenação de Jair Bolsonaro; e,
- Nunes Marques – indicado pelo Governo Bolsonaro e atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
No meio, em silêncio:
- Cármen Lúcia – encarregada por Fachin para elaborar um Código de Conduta para os ministros da Corte. O código desagrada Moraes,Toffoli e Gilmar.
A baderna no topo do Judiciário é quase 100% produto de interesses pessoais e políticos de Lula – do PT.
A fake de Moraes
Moraes e Toffoli, desde o final de 2025, estão fartamente citados pela PF. Aparecem em negócios e contratos com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A mulher de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes, figura em contratos milionários.
O fim do sigilo nas investigações do Master pela PF foi a gota d’água para Moraes. Este, então, elegeu Mendonça como alvo pessoal. Em represália, divulgou um suposto relatório de inteligência da PF e pediu investigação contra o colega dentro do inquérito das fake news. O tal ‘documento’, todavia, carece de valor probatório. Tem falhas primárias como ausência da marca daquele órgão federal.
Mendonça apontou a existência de ‘arapongagem’ na cúpula da PF. Determinou, na terça (08/09), afastamento dos diretores geral, Andrei Rodrigues, e de Inteligência, Leandro Almada. Teve maioria na Segunda Turma.
Se comprovada a desconfiança contra a PF, surgirá outra chaga.
Dino, de caso pensado, faz contramão no STF
Nesta quarta-feira (09/09), Dino entrou no picadeiro. Concedeu liminar contra punição de Andrei. Ou seja, derrubou uma medida já em julgamento, além de agir contra a agenda de sessão marcada para plenário (cancelada depois) por Fachin.
Dino alegou que Mendonça não teria competência para baixar decisão monocrática. Ignorou, todavia, precedentes recentes no STF, conforme demonstrado pela Agência Globo.
Fachin sempre age atrasado, com o bonde do STF descontrolado ladeira abaixo. Mesmo assim, acredita que se investindo de super-relator, ou seja, levando para sua mesa o que está de relevante com Mendonça, moraliza o Tribunal. Mas será difícil, pois Lula acampou ali um partido paralelo.
Moraes foi ministro da Justiça (maio 2016 a fevereiro 2017). Mendonça ocupou a Advocacia-Geral da União (AGU) e o Ministério da Justiça (abril 2020 a março 2021). Dino, por sua vez, chefiou a Justiça de janeiro de 2023 a fevereiro de 2024.
Ou seja, os três foguistas exerceram comandos sobre a PF. É de se supor, portanto, que tenham fichas para jogar nessa seara. Mas, por ser oriundo do atual governo, Dino levaria vantagem no jogo de influência naquela autarquia.
Mesmo em silêncio, Vorcaro mexe nas pesquisas
Enquanto isso, o paraninfo da lambança, Vorcaro, segue de dono da caixa-preta da podridão. Continuar nesse status interessa a quase todos políticos e autoridades nos Três Poderes da República. Ao menos até o final do segundo turno das eleições – 25 de outubro.
Lula, mesmo em vantagem nas pesquisas dos institutos Quaest, Datafolha e outros, não vê mais tanta facilidade no sonho da reeleição. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), segundo colocado na corrida, apesar de enxovalhado em parte dessa lama, retira alguns percentuais das intenções de votos atribuídas ao petista.
Por certo, as projeções do 4 de outubro, dia do primeiro turno das eleições, seriam outras nas atuais pesquisas, caso Vorcaro tivesse comparecido a alguma sessão de delação premiada. Por três vezes, porém, a PF e o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, impediram os eleitores de conhecer outros lances nas relações do Master.
No plenário do STF, entretanto, há lenha de sobra para queimar muita borracha. Por certo, a fumaça subirá nos palanques até o segundo turno. Mas, a polarização do “nós contra eles” e dos “ricos contra os pobres” não será mais a mesma. Perdeu força, virou gelo sob o sol. O PT baixou a bola nos discursos populistas ufanistas.
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