Política

TCEMG investiga espionagem de estatal mineira por privatização

Em um despacho do conselheiro Agostinho Patrus, vice-presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), o presidente da Copasa foi intimado a esclarecer o monitoramento que fez de autoridades. A medida integrou contratação de consultoria especializada para agilizar a privatização da estatal mineira.

A representação foi feita ao Tribunal por 19 deputados estaduais apontando que todos os membros do TCE, além de parlamentares, representantes do Judiciário e da imprensa foram espionados na vida pessoal e atuação profissional.

A partir dessas alegações, Agostinho Patrus determinou, na segunda-feira (24/11), a intimação do presidente da Copasa, Fernando Passalio, para que apresente informações e documentos no prazo de 72 horas.

Os 18 parlamentares mineiros questionam possíveis atos e omissões do Governo do Estado no processo de desestatização da Copasa e a contratação da consultoria Ernst & Young Assessoria Empresarial Ltda. (EY).

Documentos e esclarecimentos requisitados

  • Contratação da EY: cópias das etapas da licitação, contrato e aditivos; descrição detalhada do objeto; entregas realizadas; etapas concluídas; cronograma financeiro; critérios de seleção e contratação da consultoria; estágio atual da execução contratual; e comprovantes de pagamentos efetuados.
  • Produtos e materiais entregues pela EY: relatórios mensais, fichas de monitoramento, análises e demais documentos produzidos no âmbito do Projeto Bolt; inclusive materiais referentes ao mapeamento de parlamentares, imprensa, órgãos de controle, representantes dos Ministérios Públicos (federal, estadual e de Contas) e do Poder Judiciário. Também deverá ser informada a origem das solicitações desses produtos, sua finalidade e a base de dados utilizada.
  • Metodologia de coleta e classificação de informações: procedimentos de coleta, tratamento e armazenamento de dados; critérios de classificação (internas, externas ou sensíveis); fontes utilizadas; ferramentas e sistemas empregados; forma de monitoramento e responsáveis; aderência ou não dessas ações ao objeto contratual; e identificação de quem tinha acesso às informações.
  • Tratamento de dados pessoais (LGPD): bases legais utilizadas para tratar dados de autoridades; existência ou não de Relatório de Impacto à Proteção de Dados (DPIA); medidas de segurança adotadas; e eventual risco de exposição indevida ou quebra de sigilo.
  • Fluxo decisório e registros internos: atas completas de reuniões da Copasa relacionadas ao Projeto Bolt; comunicações internas entre a Copasa, a Secretaria de Estado de Governo, a Casa Civil e a EY; e detalhamento sobre como os produtos contratados foram validados ou utilizados pela administração pública estadual.
  • Possível desvio de finalidade: indicação sobre eventual monitoramento de parlamentares, órgãos de controle, Ministérios Públicos (federal, estadual e de Contas) e representantes do Poder Judiciário, bem como a forma de realização e a origem dos dados utilizados nesse monitoramento.

Processo de desestatização da Copasa

Na Representação, os parlamentares afirmam que o processo de privatização estaria sendo conduzido de forma “acelerada e pouco transparente”, sem estudos robustos que comprovem vantagem econômica para o Estado e com risco ao patrimônio público. Também apontam possível conflito de interesses entre agentes públicos e privados, com movimentação entre cargos-chave do governo, direção da Copasa e grupos interessados na aquisição.

Eles afirmam ainda que o Contrato nº 5865/2024, firmado com a Ernst & Young Assessoria Empresarial Ltda. (EY) – Projeto Bolt, teria extrapolado a esfera técnica, influenciando decisões e estratégias internas da Companhia, o que levantaria dúvidas sobre independência, finalidade pública e possíveis atos de improbidade administrativa.

Orion Teixeira

Posts Relacionados

Pacheco está vacinado e decepcionado com Lula

A um aliado, o senador Rodrigo Pacheco (PSD) disse que está vacinado dos encantos do…

17 horas atrás

CVM atrasada contra “sofisticação” dos crimes

No clima das turbulentas investigações das fraudes financeiras no grupo liderado pelo Banco Master S.A., a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) acordou. Desde ontem…

22 horas atrás

CPI Arca de Noé: Master, Toffoli, Congresso, TCU,

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), em pleno recesso, teve o zelo calculado de criar um Grupo de Trabalho (GT)…

3 dias atrás

Master fez Lava Jato virar bifinho

O ministro-relator do escândalo do Banco Master, Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), gera desconfianças na condução do caso.…

3 dias atrás

Simões tem um problema: explicar a dívida de Minas na campanha

Mais orientadoras do que as quantitativas, as pesquisas qualitativas apresentam dados reveladores. O núcleo de…

4 dias atrás

Zema adia saída do cargo para não ser tachado de “fujão”

Estão divulgando que o governador Zema teria agendado o próximo dia 22 de março para…

7 dias atrás

Thank you for trying AMP!

We have no ad to show to you!