Economia

Comando do Exército, mesmo com cortes, compra brindes

O Comando do Exército vai de oito a oitenta nesta temporada de austeridade orçamentária para 2020. O Ministério da Defesa sofreu cortes de 36% em seus principais programas, com gastos autorizados de R$ 4,1 bilhões, em 2019, para R$ 2,6 bilhões, estimados. Essas são despesas em itens considerados “estratégicos”. Mesmo assim, a Lei Orçamentária Anual (LOA), do Ministério da Economia, não atendeu aos apelos dos comandos militares.

As Forças Armadas até argumentaram com os esforços extras de caixa, neste ano. Listaram, por exemplo, ações militares humanitárias na tragédia da Mina Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho (MG). Incluíram, ainda, o combate às queimadas na Amazônia. Mesmo assim, essas abordagens, no mês passado, não comoveram o ministro da Economia, Paulo Guedes.

Porém, há baixos na definição de prioridade nos gastos nestes tempos de vacas magras. O Comando do Exército, por exemplo: está licitando “aquisição de brindes”. O acesso ao Edital – Pregão Eletrônico 20/2019, do Museu do Histórico do Exercito/Forte Copacabana, no Rio – dessa compra foi aberto nesta sexta (18/10). A abertura das propostas será em 5 de novembro.

Comando compra troféus, chaveiros…

O Exército comprará: 480 unidades de memória portátil para microcomputador, 120 agendas, 1.350 canetas, 27 troféus, 350 medalhas, 750 pastas de eventos, 1.650 chaveiros e 650 distintivos de uso pessoal.

Diante da chiadeira dos cortes, o que vale é menos o valor da compra (mesmo que sejam brindes revendidos) e mais a essencialidade do gasto.

O balizamento é o estado de penúria da União, que retém dinheiro para reposição de esparadrapos em posto de saúde.

… e investe em manufatura avançada

Comando do Exército ficou contrato com Senai-MG para formar da Imbel em Manufatura Avançada. O curso tem suporta do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), foto – Foto: Letícia de Oliveira Januário/Divulgação ITA

Mas, em outra ponta, o mesmo Comando do Exército, contudo, firmou, via Indústria de Material Bélico do Brasil (Imbel), contrato com o Serviço nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Por esse contrato, então, o Senai fará “prestação de serviço educacional” em nível de pós-graduação latu sensu em Manufatura Avançada para pessoal da armada.

Esse curso, ao encargo do Senai de Minas Gerais, será em parceria com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Pelo termo, oito funcionários da Imbel farão essa pós-graduação, que começou dia 4 deste mês. A conclusão se dará em fevereiro de 2021, ao custo de R$ 151.200,00.

Encomendas dos blindados Guarani

Por coincidência, entre Marinha, Aeronáutica e Exército, a força terrestre foi a mais afetada nos cortes do orçamento para 2020. As restrições nas despesas, ao longo dos últimos anos, sempre afetaram em cheio as encomendas dos blindados Guarani.

A Iveco, montadora de veículos comerciais urbanos e rodoviários, do Grupo FCA (Fiat), em Sete Lagoas (MG), recebeu do Exército, em 2012, encomendas para 1.580 unidades.

Com prazo para término em 2031, ao custo de R$ 19 bilhões, os seguidos contingenciamentos orçamentários, atrasam os cronogramas. A Iveco entregou cerca de 300 blindados.

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Nairo Alméri

Ver Comentários

  • O exército deveria parar com essa megalomania inutil de ter mais de 200 mil soldados todo ano e desenvolver um projeto para profissionalizar 1/3 disso

    • Até porque mais de 80% do orçamento vai justamente pra folha de pagamento... enquanto na França, por exemplo, chega à metade disso. "E olha o que eles são e olha o que nós somos", como gosta de repetir o PR. Aí sobra quanto pra compra de equipamento!? Claro que devem ser valorizados: mas quando isso compromete a própria capacidade dissuasória do Brasil alguma coisa está muito errada aí.

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