Economia

Credicitrus diz ser competitiva até com BNDES

A cooperativa Sicoob Credicitrus, maior do país em crédito do país, não ficou muito encantada com o anúncio recente de abertura de linha para repasses de R$ 2 bilhões pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para os empresários rurais. Aposta ainda que os recursos próprios têm taxas atrativas no quesito final do “custo operacional de crédito”.

No encerramento do 1T23, a Credicitrus tinha R$ 5,746 bilhões na carteira de créditos.

O presidente da cooperativa Walmir Segatto, em entrevista híbrida nesta quarta (19/04), avaliou que o custo do dinheiro do mercado, com “juros de 15%, 16%, ao ano, está proibitivo. “… cooperado não consegue pagar”, afirmou. Completou que a entidade pratica a “taxa média de juros” mais atrativa para compras de máquinas, por exemplo.

Em fevereiro, o Banco Central calculou que o crédito agrícola “regulado” conviveu com taxa anual de 6,8%, contra média de mercado de 12%.

A Credicitrus, salientou o dirigente, todavia, não irá esconder o dinheiro do banco federal de fomento. “… vamos ter que trabalhar”. Entretanto, aposta que a cooperativa continuará como a principal opção entre seus 160 mil cooperados (2022) tanto na contratação de capital giro quanto para investimentos (compras máquinas e infraestrutura).

O perfil da carteira da cooperativa é de 30% em contratos para investimentos e 70% capital de giro. No total dos empréstimos, a Credicitrus destina 50% para o agronegócio.

Credicitrus exibiu R$ 12 bilhões em ativos totais no 1T23

Às vésperas dos 40 anos de fundação (14 de setembro), em Bebedouro (SP), a Credicitrus tem base de cooperados por mais de 100 municípios em São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.

Diretor Comercial da Credicitrus, Fábio Fernandes (E), e o presidente, Walmir Segatto (D) – Crédito: Reprodução Internet/Entrevista 19/04/2023

O balanço do 1T23 fechou com patrimônio líquido de R$ 2,372 bilhões. Contabilizou R$ 12 bilhões na conta do total de ativos, acima dos R$ 11,44 bilhões, em dezembro de 2022. O saldo dos depósitos era de R$ 8 bilhões, e, as “sobras” (resultado), R$ 111 milhões.

A cooperativa, no final de 2022, registrou capital social integralizado R$ 1,5 bilhão. Os cooperados tiveram retorno de R$ 477 milhões.

Credicitrus buscou ferramentais digitais no Vale do Silício

O perfil Credicitrus foi apresentado Walmir Segatto e o diretor Comercial, Fábio Rodrigues Fernandes. Além da performance nos resultados financeiros de 2022, deram uma prévia de como a entidade se prepara para as mudanças no setor financeiro, em horizonte três anos.

Fábio salientou, entretanto, que ações nessa linha começaram em 2019. Contou que, um ano antes da pandemia da Covid-19 (2020), a Credicitrus montou escritório no Vale do Silício, na Califórnia (EUA). Colocou seu pessoal para conhecer os avanços da consolidação da era digital. Aquela imersão foi no mundo da Google e Facebook. E que continua “estudando com startups”, para se antecipar em ferramentas que o nicho financeiro utilizará em breve.

Evitou confronto com ministro Haddad

Apesar de mostrar uma Credicitrus que avança na superação de obstáculos, Walmir Segatto, no entanto, não respondeu de forma clara questão sobre política financeira do Governo Lula. A pergunta ligou a tendência do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, pelo fim do “crédito rotativo” no cartão de crédito.

O viés do “rotativo”, como oferta automática de recursos dos bancos, figura entre os vilões na bola de neve das dívidas financeiros de empresas e pessoas físicas. O presidente da Credicitrus, entretanto, preferiu um comentário paralelo. Teceu, então, avaliações sobre meios existentes de facilidades no acesso aos financiamentos (via celulares, relógios e parcelamentos no PIX).

Mas, de um todo, prevaleceu a seguinte frase: “Conta (de custos) complexa… deve ver o que será melhor (para o tomador)”. Ele até arriscou: “Será que vamos utilizar cartão dentro de dois, três, anos? É a pergunta”.

Na Agrishow 2023

Os dois diretores da Credicitrus fizeram explanação para os produtos das carteiras para a Agrishow 2023, de 1º a 05 de maio, em Ribeirão Preto (SP). A cooperativa, claro, pretende sair com mais cooperados agregados. E conta, entre os atrativos, por exemplo, com o retorno de parte dos juros pago pelo tomador de empréstimos, no final de cada ano.

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Nairo Alméri

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