Economia

Toffoli de marqueteiro por um Lula-4

O tabuleiro político de momento do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), é todo para o escândalo do Banco Master. Mas intriga a movimentação das pedras. A cada lance, fica claro que atende a dois interessados principais: ele próprio e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP). Lula é o seu padrinho no Supremo.

Os lances do ministro, porém, causam perplexidade. As raízes das intenções do ministro até a “velhinha de Taubaté” (Luiz Veríssimo – Revista VEJA) percebe.

As fraudes do Master e seu dono, o mineiro Daniel Vorcaro, tiram o sono da turma da Praça dos Três, em Brasília. Além disso, Toffoli ainda não aterrissou com uma explicação para a viagem em jatinho particular. E tenta afastar os holofotes.

Em saia justa com Alexandre de Moraes

Por fora, surgiu outro complicador no escândalo. O envolvimento da mulher do poderoso Alexandre de Moraes, do STF, atravessou na pista.

Master nos palanques de 2026

O cenário, então, obriga Toffoli a redobrar esforços para segurar e controlar as investigações no Master. Ele sabe que o escândalo tem bala na agulha para muito estrago. Além disso, abastecerá palanques em 2026, ou seja, incomodará planos de Lula.

Toffoli em proibitivo

Toffoli foi carona em jatinho de empresário para assistir uma partida de futebol no Peru. Teve a companhia (ida e volta) de um advogado do Master, Augusto Arruda Botelho. O mesmo que lidera recurso protocolado no STF e do qual o ministro é também o relator.

Ou seja, atropelou todos os princípios básicos da isenção da Suprema Corte.

Derrotado no futebol, Toffoli ataca de censor no STF

O Palmeiras, time pelo qual Toffoli torce, perdeu para o Flamengo. A partida foi em Lima.

De volta, ele começou a esculpir a sua carano formato das investigações contra Vorcaro e o Master.

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) foi sacado fora da competência de coordenador das investigações. Por decisão monocrática, Toffoli transferiu todo papelório para sua mesa.

No bojo das medidas, proibiu o Banco Central (BC) e a Polícia Federal (PF) de darem conhecimento público das investigações e dos relatórios.

Foram, portanto, beneficiados tubarões nos Três Poderes, na administração pública e nos mundos político e empresarial. A blindagem motivou queimas de fogos no Congresso e Planalto.

ENTENDA O CASO:

BC de ‘investigado’; acareação

Ainda não satisfeito, nesta semana, Toffoli determinou acareação nas investigações. Listou para confrontação Vorcaro, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o diretor de Fiscalização do BC, Ailton Aquino.

Ele ignorou que o BC não é investigado, não cometeu fraude. Pelo contrário, a autoridade monetária fiscalizou e identificou o rombo no Master. E, juntamente com a PF, mapeou crimes de Vorcaro e suas influências na República.

O buraco no mercado financeiro causado pelo Master é estimado em R$ 70 bilhões. Por fora, fraudes de R$ 17 bilhões junto aos fundos de previdência de prefeituras.

Contra o BC, todavia, assustou, quando não havia mais sustentação para Vorcaro, a pressa na decretação da liquidação. O pacote da intervenção, prisões e liquidação chegou em menos de 24 horas. Há sinais de que, graças à rede de influências, o banqueiro mineiro retardou a liquidação.

Impondo como um dono do Poder

O titular da Procuradoria-Geral da República (PGR), Paulo Gonet, é contrário à acareação. Argumentou, nesta quinta (25/12), ser injustificada, uma vez que as partes ainda não foram ouvidas em separado. Portanto, não haveria fundamentos para se confrontar contradições.

Todavia, o ministro do Supremo ignorou. A acareação, se nada mudar, será na terça (30/12), em Brasília.

Deferência ao AlcolumbreAntes, porém, de determinar a acareação, Toffoli abriu uma exceção em cima da blindagem das investigações de Vorcaro e Master. Mandou abrir as pastas para o presidente do Senado (e Congresso), senador Davi Alcolumbre (AP-União).

Motivos de Toffoli

Os motivos do ministro sugerem olhar por dois caminhos. Um deles, com dois vieses. A trapalhada (ou excesso de confiança que nada aconteceria) da viagem em jatinho de empresário. E, o outro, a companhia de advogado que assina recurso do Master.

No segundo caminho, encobrir a lista (infográfico) com graúdos do Judiciário, Executivo e Legislativo relacionados ao banco. O material circula nas redes sociais. Estão lá autoridades nos Governos Lula-2, Dilma-1 e 2, Bolsonaro e que estão no Lula-3.

A arte serve como raio x preliminar para os elos das relações e influências montadas por Vorcaro.

Governos Bolsonaro e Lula-3 em peso

O infográfico apresenta quatro núcleos principais: Banco Master, Vorcaro, BRB e do banqueiro André Esteves (dono do Banco BTG Pactual). Existem outros quatro subgrupos principais: do PT da Bahia, do senador Ciro Nogueira (ex-ministro Casa Civil no Governo Bolsonaro – PP-PI), do governador Ibaneis Rocha (MDB-DF) e do BTG Pactual.

Entre integrantes da Corte, são citados os ministros Alexandre de Morais (STF) e Gilmar Mendes (STF). Moraes aparece por conta do contrato do escritório da mulher, Viviane Barci de Moraes, para defender o Master.

Do Governo Lula-3, estão os ministros Rui Costa (Casa Civil e ex-governador da BA – PT), Ricardo Lewandowski (ex-STF e atual Justiça) e Fernando Haddad (ministro da Fazenda – PT-SP).

Do Congresso Nacional, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Também o antecessor e padrinho de Motta, Arthur Lira (PP-AL). Do Senado, Jaques Wagner (PT-BA). O senador foi governador da Bahia e ministro da Casa Civil no Governo Dilma-2.

O sucessor de Rui Costa no Governo da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), está lá.

Ainda entre ex-ministros, figuram Guido Mantega (Fazenda Lula-2 e Dilma-1), Flávia Pires (era Flávia Arruda, PL-DF – secretária de Governo de Bolsonaro) e Fábio Faria (PP-RN – ministro das Comunicações do Governo Bolsonaro).

Mantega aparece como promotor do encontro de Vorcaro com Lula.

Marqueteiro do Lula-4

De momento, portanto, Toffoli tem sobre a mesa uma bomba com alto poder destrutivo. Nas mãos da opinião pública, ela causaria estragos significativos sobre os Três Poderes da República.

Na fase atual da campanha Lula-4, os atos do ministro do STF o colocam, na prática, de cabo eleitoral imbatível. Acima, inclusive, do chefe da Secretaria da Comunicação Social do Governo do PT, Sidônio Palmeira (marqueteiro – PT-BA).

Nairo Alméri

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