Economia

Caminhos da gafe de Guedes ao citar André Esteves (BTG)

O ministro da Economia, Paulo Guedes, na fervura da sexta-feira (22/10), citou o banqueiro André Esteves como quem estivesse entrando para o Governo. A gafe foi ao anunciar o novo secretário do Tesouro e Orçamento. E, portanto, contextualizou burburinhos de sua troca pelo banqueiro. “Sai o Funchal (Bruno Funchal) e entra o André Esteves”. O presidente Jair Bolsonaro, ao seu lado, de cão de guarda, foi um dos primeiros a quase gargalhar.

Guedes, desajeitado, então, consertou para Esteves Colnago, ex-ministro do Planejamento (Governo Temer). Ou seja, pessoa ligado a um dos conselheiros de Bolsonaro.

O cambaleante Guedes tentou explicar a gafe. E lembrou que André Esteves, dono do BTG Pactual, esteve na bolsa de apostas dos políticos entre os mais cotados para virar ministro. Na versão do ministro, políticos até sondaram com Esteves se “dava para emprestar o Mansueto (Mansueto Almeida)”. Este é experiente na administração pública, tendo, por exemplo, passagem pelo Tesouro Nacional.

“Teve uma ala política que teve indo lá no André Esteves do BTG perguntando se dava para emprestar o Mansueto. Sei que o presidente não pediu isso. Sei que muita gente da ala política andou oferecendo o nome lá e fez pescaria”, contou o ministro, ouvido por Bolsonaro e tocando em seu braço.

Guedes e Esteves juntos no Pactual

Mas, a bem da verdade, a sombra de André Esteves não assusta tanto Guedes. A razão é muito simples: raízes e afinidades de ambos no antigo Banco Pactual, nome anterior do BTG Pactual.

O Pactual surgiu em 1983, pelas mãos de Guedes e mais dois sócios: André Jakurski e Luiz César Fernandes. O ministro também criou o Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) e fundos para investimentos em empresas.

Investigado em operação com fundos

Em outubro de 2018, Guedes foi investigado pelo Ministério Público Federal (MPF), acusado de ação fraudulenta. As irregularidades envolviam, por exemplo, operações com recursos dos fundos de pensão mantidos por estatais. Algo ao redor de R$ 1 bilhão, em 2009. O inquérito, enquanto foi notícia, estava ativo na PF.

Esteves ambicioso e vencedor

André Esteves chegou no Pactual em 1989, atraído por um anúncio de estágio para jovens. Ele ainda estudava (formado em Matemática e tem especialização em informática). Cresceu no banco. Mas, o grande salto veio ao propor a criação de fundos direcionado para investimentos em Fundo de Aplicação Financeira (FAFs) das grandes instituições.

Guedes e Jakurski saíram do Pactual em 1997, ano da privatização da Vale (Cia Vale do Rio Doce – CVRD) e véspera da desestatização das teles.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, foi patrão de André Esteves no antigo Pactual – Foto: Sildon Dias/Agência Brasil

Entretanto, apesar da relação amistosa com o banqueiro, Guedes tem motivos para não se descuidar da fritura dos políticos. Simples: André Esteves é ambicioso e sempre vence. E tem muita bala na agulha

O dono do BTG Pactual é determinado. Começou consertando computadores e virou dono do Pactual (na quebra do fundador remanescente), em 1998. Tempos depois, vendeu para o suíço UBS. Todavia, fracassou nas tentativas de recompra e fundou o BTG.

Entretanto, na crise mundial financeira de 2008, o UBS cedeu. Portanto, da fusão dos bancos, surgiu o BTG Pactual.

Preso na Lava Jato soube se superar

Ao contrário dos empreiteiros fisgados na Lava Jato, o banqueiro soube superar a prisão (2015).

André Esteves, além de dar volta por cima, expandiu negócios , como a compra Editora Abril (dona das revistas Exame e Veja). Ou seja, tem moeda de troca política para oferecer em campanha política de Bolsonaro.

Daí, portanto, parte da adulação dos políticos que blindam o Planalto. Então, se o banqueiro pegar gosto pela ideia, o caminho está pavimentado.

Nairo Alméri

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