Imagem ilustrativa da linha de chapas grossas da Gerdau Açominas, em Ouro Branco (MG) - Foto: Gláucia Rodrigues/ Divulgação Gerdau/Relatórios 2016
Primeiro, acionistas da Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas) decidiram pular do real para o dólar como moeda funcional. Depois, acionistas da Gerdau S.A., que usa o slogan “o futuro se molda”, abriu pacote de cancelamento e recompra de mais ações do capital próprio.
Claro, isso não ocorre por acaso. A Usiminas, por exemplo, amargou, em 2025, prejuízo líquido de R$ 2,910 bilhões, revertendo, portanto, o lucro de R$ 3,362 bilhões no exercício anterior.
A trilogia das explicações da Usiminas é antiga, sempre que precisa justificar desastres nas prestações de contas aos acionistas. A companhia se queixa contra a presença massiva de aços importados, principalmente da China. Os chineses, consta dos relatórios anuais da empresa, carregam no vício do dumping nas exportações: vendas do produto abaixo do preço de custo.
“De acordo com o presidente da Usiminas, Marcelo Chara, a pauta mais urgente na siderurgia ainda continua sendo a importação de aço chinês. ‘As investigações antidumping confirmam a urgência de serem implementadas medidas efetivas de defesa comercial em relação às importações de produtos subsidiados. O Governo tem reagido positivamente, como a decisão de elevar o imposto de importação para nove produtos siderúrgicos. Esse é um importante passo para nivelar o jogo e fortalecer toda a cadeia de valor da indústria brasileira’, afirma”. Esse um trecho do conteúdo de release da siderúrgica na divulgação dos resultados, em 13/02.
A Gerdau não registra gestão de turbulências cíclicas como a de acionistas controladores da Usiminas. Na companhia mineira, uma ex-estatal federal, japoneses e argentinos viveram longo período de disputas, atingindo os minoritários.
Sempre de capital privado e controle familiar, ajustado e disciplinado, o Grupo Gerdau, com sede em Porto Alegre (RS), aplica visão de mercado à frente de mudanças. Por isso, conseguiu, de forma estratégica, sem lamentos, sobrevida sólida nesta fase de tarifaços desajustadores do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano).
O Conselho de Administração, reunido na segunda (23/02), decidiu que a holding Gerdau S.A. poderá cancelar 8,1 milhões de ações, entre ordinárias (7,7 milhões) e preferenciais (418 mil). Além disso, abrir o “Programa de Recompra 2026”, para outro lote de 1,496 milhão (55 mil preferenciais e 1,441 milhão de ordinárias).
A destinação dessa recompra abrange desde a manutenção dos paéis em tesouraria, cancelamento até retorno das ações ao mercado (oferta pública). Na justificativa aprovada pelo CA da Gerdau está se posicionar para “maximizar a geração de valor a longo prazo para o acionista por meio de uma administração eficiente da estrutura de capital e atender os programas de incentivo de longo prazo da Companhia e de suas subsidiárias”.
O acionista, claro, valoriza seus papéis quando eles são lastros de ativos produtivos. Pode-se, portanto, esperar por eventual comunicado da Gerdau com interesse em oportunidade de novos ativos no mercado – país ou exterior. Veja AQUI o Fato Relevante divulgado aos investidores.
Para o exercício encerrado em 30 de dezembro 2025, a Gerdau exibiu balanço consolidado de resultados de com receitas líquidas de R$ 69,858 bilhões. Crescimento nominal, portanto, de 4,22% sobre 2024. Entretanto, o resultado financeiro negativo R$ 1,214 bilhão, pressionou perda de 69,1% no lucro líquido: de R$ 4,599 bilhões para R$ 1,418 bilhão.
Gerdau é um grupo siderúrgico integrado de aços planos e não planos e produtos trefilados. Também é verticalizado, ou seja, possui abastecimento próprio de minério de ferro.
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