Presidente eleito, Lula, e o vice, Alckmin, em Brasília - Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O mais terrível dos Atos Institucionais (tiravam liberdades) da ditadura militar, o AI-5, caiu sobre o país na sexta-feira 13 de dezembro de 1968. Sempre sorrateiros, os militares só deram conhecimento por volta das 23h. Em anexo ao novo ato de truculência contra a luta pelo retorno da democracia, os generais aplicaram um Ato Complementar para o fechamento do Congresso Nacional.
O motivo dos generais para suspender o Senado e a Câmara foi a rejeição (em votação) ao pedido de licença do mandato do jornalista e deputado Márcio Moreira Alves (PMDB-). A licença seria o primeiro passo a cassação do mandato. Moreira Alves, no dia 02 de setembro de 1968, fizera duro e veemente discurso contra as Forças Armadas. Atacou a operação dos militares para sufocar as vozes da oposição que pediam a volta à democracia.
Márcio Moreira Alves foi do combativo Correio do Povo, do Rio. Em 1957, foi vencedor do Prêmio Esso de Jornalismo, a mais conceituada premiação do jornalismo brasileiro por décadas. Saiu do país, clandestinamente, para o exílio, em 1968. Retornou com a anistia, em 1979. Exerceu funções públicas e voltou ao jornalismo. Faleceu em 03 de abril de 2009, aos 72 anos de idade.
O AI-5 foi parido na versão final dentro do Palácio Laranjeiras, no Rio de Janeiro. Antes do anúncio, o ditador-general Arthur da Cosa e Silva reuniu os ministros do Exército, da Marinha e da Aeronáutica (ainda não havia Ministério da Defesa). O ministro da Justiça, Luiz Antônio da Gama e Silva, também esteve presente. Coube a este comunicar mais aquela medida de força.
Na ditadura, os generais fecharam o Congresso por três vezes. Em 27 de outubro de 1965, a suspensão foi via com o AI-2, baixado pelo marechal Castelo Branco, o primeiro ditador do golpe militar de 1964. Veio por causa das derrotas de candidatos dos militares em 5 Estados, nas eleições para governadores. Mas, pegou mesmo foram as vitórias da oposição na Guanabara (mais tarde fundida ao Rio de Janeiro) e Minas Gerais.
Em 1º de abril de 1977, de posse do mesmo AI-5, o general-ditador Ernesto Geisel, fechou o Congresso por 14 dias. Derrotas seguidas, nas eleições parlamentares, de 1974, e, dois anos depois, nas municipais foram o estopim. Isso, portanto, para os generais, criava o risco de derrota na imposição da reforma do Judiciário. O mandatário, então, elevou o grau das medias contra os opositores aos militares.
Na sequência ao recesso imposto ao Legislativo, o general baixou aquilo que imprensa apelidou de “Pacote de Abril”: medidas contra Judiciário, Legislação Eleitoral etc. Geisel impôs, por exemplo:
– Planalto indicaria 1/3 da bancada do Senado, os chamados “senadores biônicos”;
– Manutenção das eleições indiretas para prefeituras das capitais (e as de cidades consideradas de segurança nacional), governadores (pelas Assembleias Legislativas) e presidente da República (no Colégio Eleitoral Congresso – parlamentares e delegados indicados).
O “Alemão”, como o Geisel era chamado na caserna, formou um rosário de casuísmos e, então, encarcerou um crescente PMDB, partido de oposição. Evitou, portanto, o risco de derrota, no Colégio Eleitoral, do indicado para sucedê-lo no Planalto, na escolha de 1978. Além de eleger o último ditador, general João Batista Figueiredo, foi mais além: deu a ele um ano a mais no mandato, pulou para seis. Ficou, portanto de 1979 a 1985.
O político mineiro Murilo Badaró (Arena-MG) virou símbolo dos “biônicos”. Ele reagiu indignado ao tratamento. E, por conseguinte, acabou uma referência nacional quando assunto era senador de segunda classe.
Portanto, 54 anos depois AI-5, que permitiu cruéis torturas físicas e mortes de opositores aos generais, o país assiste manifestações de fanáticos por ditadura. Ocorrem, então, em paralelo aos preparativos para posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 1º/01/2023. Bolsonaristas que estão nas ruas pedem a volta do regime de exceção. Mas, claro, foram inflamados pelo atual presidente nestes quatro de mandato.
Bolsonaristas pró-ditadura acamparam nas portarias dos quartéis do Exército. Os generais os admiram, pois, seguem diretrizes do ainda comandante-em-chefe das Forças Aramadas. O chefe declarou que não admitiria uma derrota na disputa pela reeleição.
Desde o instante em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) encerrou a apuração das urnas, na votação do 2º turno (30/10), com a derrota de Bolsonaro, os asseclas mantêm a vigília e pedem golpe. Os generais silenciam – toleram.
Lula e seu vice, Geraldo Alckmin (Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho), serão diplomados na segunda (12/12). A posse ocorrerá em 1º de janeiro. Então, ungida pelas regras de uma democracia, que resiste maltratada, e o calendário eleitoral em vigor, a posse será daqui a 22 dias.
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