Arthur Lira preside reunião de líderes na Câmara, foto Luis Macedo, Câmara dos Deputados
A prisão do deputado federal extremista Daniel Silveira (PSL/RJ) estremeceu a relação e pode abrir crise institucional entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Câmara dos Deputados. A detenção do fanático se deu após ataques à democracia e aos membros do STF. A sentença liminar do ministro Alexandre Moraes, dada na noite de terça (16), foi convalidada, por 11 a zero, pela Corte Suprema na tarde dessa quarta de cinzas (17).
Por vários motivos e um histórico cujo passado o condena, Daniel Silveira passou, até agora, duas noites na cadeia. A razão principal foi a série de vídeos com ataques às instituições e aos ministros do STF, além da defesa de expedientes da ditadura militar, como o AI-5. Para evitar confronto com o Supremo, a Câmara poderá adotar decisão menos dura como a suspensão do mandato do deputado.
Tudo motivado por outra intervenção indevida e antidemocrática do ex-comandante do Exército Eduardo Villas Bôas. No final de semana, veio a público que o militar, confessadamente, pressionou o STF, há três anos, contra possível concessão de habeas-corpus ao ex-presidente Lula. À época, o petista poderia ser candidato a presidente na disputa contra Jair Bolsonaro (então no PSL).
Contra a revelação feita, o ministro Edson Fachin (STF) divulgou nota, na segunda (15), considerando-a “inaceitável e intolerável” à ordem democrática. O general voltou às redes para debochar do ministro: “Três anos depois…”.
Em defesa do general, o deputado fez vídeo, no dia seguinte, insultando Fachin, Alexandre Moraes e outros ministros. A decisão de Moraes de prendê-lo deverá sustar e assustar os autores da escalada golpista que ameaça voltar. Além de ataques, ameaças e ofensas à honra dos ministros, Silveira defendeu, no vídeo, a adoção de medidas antidemocráticas contra o Supremo, como o AI-5.
O Ato Institucional nº 5, de dezembro de 1968, marcou o recrudescimento da repressão na ditadura militar no Brasil, com fechamento do Congresso Nacional entre outros arbítrios. Na avaliação do ministro Moraes, ele tenta impor, com isso, o estado de exceção sobre o estado de direito.
Os militares não se manifestaram publicamente. Além de tentar jogar o Exército contra o STF, o deputado agora põe a Câmara dos Deputados em rota de colisão com o mesmo Supremo. O deputado não tem tamanho para tudo isso dada a sua inexpressividade, mas estremeceu a relação entre os dois poderes. Agora, terá que recorrer aos instrumentos do estado de direito, que atacou, para se defender do julgamento que virá.
Do ponto de vista político, a Câmara dos Deputados poderá trocar a liberdade dele por medida menos dura como suspensão temporária do mandato. A medida seria alternativa para evitar confronto com o Judiciário, que endossou, por unanimidade, o voto do relator da prisão.
Para revogar a prisão, são necessários 257 deputados em votação aberta. Bombeiros de plantão articulam a suspensão do mandato de Silveira como forma contornar a crise. A medida seria acompanhada de outra, da reativação do Conselho de Ética, que discutiria a possível cassação do mandato do deputado. Podem não chegar às vias de fato, mas ganhariam tempo para esfriar a crise.
Em outra ponta, o Supremo irá julgá-lo já que a Procuradoria Geral da República denunciou Silveira ao STF nessa quarta. A denúncia foi apresentada dentro do andamento de um inquérito que investiga atos contra a democracia, e que está em segredo de Justiça no Supremo.
Além da denúncia, a PGR encaminhou ao STF um documento solicitando medidas cautelares (restrições) à circulação do deputado. Pede que Silveira seja monitorado por tornozeleira eletrônica, mantenha distância das instalações do STF e tenha circulação restrita a endereços indicados pela Justiça. A denúncia também foi encaminhada à Câmara dos Deputados para que seja apurada possível quebra de decoro.
LEIA MAIS: Presidente Bolsonaro é acusado de crimes que podem resultar em 30 anos de cadeia
Este 29 de agosto marca os 200 anos da assinatura do Tratado do Rio de…
Após as declarações desconectadas da realidade e até do bom senso, o governador Zema (Novo)…
A holding Energisa S.A., dos segmentos de distribuição e geração, captará R$ 3,910 bilhões para recompra (aquisição…
Em encontro inédito, nessa quarta (27), em BH, o superintendente regional do Trabalho, Carlos Calazans,…
O ex-presidente do Tribunal de Justiça de Minas, desembargador Nelson Missias de Morais, criticou em…
Perto daquelas horas de decisão, o presidente Lula (PT) volta a Minas, nesta sexta (29/8),…
Ver Comentários
Reportagem tendenciosa, maldosa e medíocre com vários erros de português. Jornalista claramente da esquerda reacionária que emite um ranço pela direita com termos depreciativos e desrespeitosos aos eleitores com viés diferente desse pseudo jornalista. Você deve estar revoltado por que perdeu as boquinhas e mamatas? O dinheiro já não entra mais para patrocinar aberrações? Faça a reportagem com isenção e imparcialidade, aprenda! Afinal a opinião será sempre MINHA, o leitor, que mantém esse jornal. VERGONHA!
O único golpista que vejo aqui é você, Orion. Saudoso dos tempos em que a corrupção escancarava, onde se conhecia o nome dos ministros quando a PF os prendia e a imprensa se calava devido às polpudas verbas do governo.