O presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, divulgou nota contra STF
Em ofício a este site, a veículos de comunicação e outros, a Federação das Indústrias de Minas (Fiemg) descartou vícios em sua licitação de propaganda. E mais, “que nunca foi sua intenção cancelar ou revogar o processo licitatório”. O documento é assinado pelo presidente da entidade, empresário Flávio Roscoe Nogueira. A licitação da Federação foi iniciada no dia 17 de janeiro do ano passado, ou seja, há um ano e 11 dias. Normalmente, uma licitação desse porte duraria de 3 a 4 meses.
A mensagem do Roscoe foi feita após o ALÉM DO FATO noticiar que havia recurso administrativo em defesa do cancelamento ou revisão do processo. A iniciativa foi da agência Filadélfia, uma das concorrentes, alegando erros nas propostas comerciais de outras duas licitantes. No caso, a Lápis Raro e a RC Propaganda. De acordo com o edital, se isso ocorresse, seria critério de desclassificação. E mais, que teria havido reunião posterior para corrigir as propostas delas, o que seria ilegal.
Sobre isso, o presidente da Fiemg informou que a diligência realizada não foi com o intuito de receber novas propostas. “Mas sim, de esclarecer as que foram apresentadas… E, após as análises das respostas das empresas, verifica-se que estas corroboraram suas propostas”, justificou.
O empresário afirmou, no ofício, que a intenção é promover contratação vantajosa e de qualidade para a Fiemg e suas entidades, com transparência. Aliás, transparência foi o marketing da eleição da atual gestão. O mercado publicitário, no entanto, considerou estranha e contraditória a longa duração do processo e a demora em conclui-lo.
Houve vários recursos entre as 11 agências participantes, o que a entidade considerou normal. “A possibilidade de apresentação de recursos é exercício do devido processo legal (contraditório e ampla defesa) garantido pela Constituição”. Roscoe ainda argumentou que a existência deles não significa ocorrência de vícios no processo. “E, ao contrário do afirmado na matéria em referência e ao processo ordinário e corriqueiro”, disse o dirigente. Aqui um equívoco que pode ser esclarecido com a leitura da matéria anterior (veja abaixo). Este site não afirmou isso, só informou da existência do recurso e da possibilidade de o assunto ir parar na justiça. Isso não depende da Fiemg, mas de algum licitante.
Roscoe ainda requer em sua mensagem a retificação da matéria “para que o jornalista e o jornal (?) se dignem a apresentar aos seus leitores a realidade dos fatos”. Ao contrário, não houve erros em nossa notícia, mas tentativa de informar corretamente sobre um processo que começou e continua conturbado. Que ignorou o princípio da transparência e até contrariou regras do Conselho Executivo das Normas-Padrão (Cenp). O Conselho é uma entidade de ética, com atuação nacional, criada e mantida exclusivamente pelo setor privado. Seu objetivo é assegurar boas práticas comerciais entre anunciantes, agências de publicidade e veículos de comunicação.
Como entidade sindical privada, a Fiemg também não se submete à Lei de Licitações 8.666/93, caso contrário, seu processo não estaria em conformidade com a norma. A conta publicitária da Fiemg tornou-se a segunda maior em valores no Estado, cerca de R$ 30 milhões/ano. Para se ter ideia, a da Prefeitura de Belo Horizonte hoje é a maior, de R$ 60 milhões.
Há informações de que a divulgação feita aqui, no dia 24 passado, incomodou a direção da Fiemg. O que parece ser sem razão, já que não tem culpa no cartório, como deixa a entender o ofício. Em razão da divulgação, a entidade estaria disposta a oficializar o resultado da licitação hoje ou amanhã. E mais, evidencia-se o fato de o presidente da entidade ter feito a mensagem. O mercado avalia que, com ela, Roscoe, que é a instância final do processo, já estaria encerrando o processo. Sem cancelamentos ou alterações. Se assim for, o ALÉM DO FATO estaria dando sua contribuição, além de exercer seu direito e liberdade de informação.
É um setor que a maioria prefere não se manifestar, a não ser no anonimato. Não é o caso do presidente do Sindicato das Agências de Propaganda de Minas, Sinapro, André Lacerda. Ele admitiu que a licitação tinha problemas. Desde o início, por aviltar preços e que seria inexequível. “Fizemos várias gestões para que a licitação não ocorresse dessa forma. Alertei, à época, à Fiemg e às agências das imperfeições do processo”, apontou Lacerda. Mais grave do que isso, o dirigente considerou que seria a Fiemg não concluir o longo e demorado processo.
Há um ano, a Fiemg está sem agência de propaganda, recorrendo a esses serviços de forma direta. A situação é ruim para o mercado e agências, porque compromete os planejamentos, a técnica e qualidade da mídia. É ruim para a instituição, que comprará mais caro, para as agências que sobrevivem desses contratos e para os veículos de comunicação. Há pessimistas que apostam que essa seria a intenção da Fiemg, ficar sem agência. Isso seria desastroso, especialmente para uma entidade do porte dela.
Ao contrário disso, o presidente do Sinapro torce para que a Federação conclua logo o processo da maneira que for. Considerou imprópria a intenção de algum licitante recorrer à justiça somente, agora, ao final do processo. “Se for, é direito, mas, então, que o faça e não fique apenas no bastidor”, disse ele, referindo-se à boataria e pouca ação.
Sem considerar fator Bolsonaro, Fiemg prevê crescimento mínimo de 3% em 2020
Fiemg poderá cancelar licitação publicitária para não ser processada
Este 29 de agosto marca os 200 anos da assinatura do Tratado do Rio de…
Após as declarações desconectadas da realidade e até do bom senso, o governador Zema (Novo)…
A holding Energisa S.A., dos segmentos de distribuição e geração, captará R$ 3,910 bilhões para recompra (aquisição…
Em encontro inédito, nessa quarta (27), em BH, o superintendente regional do Trabalho, Carlos Calazans,…
O ex-presidente do Tribunal de Justiça de Minas, desembargador Nelson Missias de Morais, criticou em…
Perto daquelas horas de decisão, o presidente Lula (PT) volta a Minas, nesta sexta (29/8),…