Detalge da estátua dedicada ao "Pequeno Jornaleiro", na Av Rio Branco, no Rio de Janeiro - Crédito: Inventário dos Monumentos do RJ.
Os jornalistas, em geral e principalmente dos sistemas Globo, Folha, Estadão e Veja, impuzeram ao leitor que só deve se interessar por Política prisioneiro à rotulações. Algemados em guetos. Aboliram o olhar da Ciência Política para os grupos e partidos, substituídos pelos carimbos ‘esquerda’ e ‘direita’. É, portanto, para se esquecer conhecimentos, como os da História da Filosofia e formação de quem ingressou na política e seus conceitos (ou ausência deles).
A postura das Redações (rádios, jornais e TVs) virou uma praga pela ignorância e favoreceu enlatados da política vadia. E claro, facilitou a fixação de par de asas em eternos espertalhões e velhacos da pobre (e podre) política partidária no Brasil.
Em segundo momento, a imprensa transferiu a rotulação para o campo da religião. Ficou assim: Igreja Católica, por sempre ter apoiado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) e a criação do Partido dos Trabalhadores (PT), em 1980, é ‘esquerda‘. As igrejas Evangélicas, com maioria contrária a Lula e ao PT, ‘direita‘.
Bem antes da Acadêmicos de Niterói e seus acidentados desfile (15/02/2026) e samba-enredo (“Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”), o noticiário da Política já estava em “lata de conserva”!
Resumo da ópera: se, de repente, por exemplo, Editores e Diretores de Redação dos jornais baixarem quarentena para as expressões ‘esquerda’ e ‘direita’, terão de preencher páginas inteiras com receitas de bolos e poemas de Camões. O Estadão, na primeira metade da década dos anos 1970, se valeu muito disso, sempre que a Censura da ditadura militar proibia a publicação de determinadas notícias. Logo, logo, os (e)leitores entenderam o porquê.
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