BNDES chegou a aportar 33% dos quase R$ 1 bilhão (valor histórico) investidos Unitec, em Ribeirão das Neves (MG) - Crédito: Divulgação/Facebook
O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação, Marcos Pontes, terá, amanhã (29), em Belo Horizonte, um dia para choros e alegrias: apelos pela Unitec Semicondutores e encontro com novas startups. O ponto alto da agenda será o Programa Centalha, no campus da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). Lançado em novembro, o programa objetiva estimular empreendedores inovadores.
O Centelha é iniciativa federal. Porém, operado de forma descentralizada, por entidades estaduais, como fundações de amparo à pesquisa (as Faps). Na estrutura do MCTIC participam a Financiadora de Inovação e Pesquisa (Finep), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Fundação CERTI.
Na primeira fase, dos 21 projetos selecionados pela Finep, 19 tinham sido encaminhados pelas FAPs. O custeio caberia à própria agência (R$ 13 milhões) e às fundações (R$ 21 milhões).
O Governo Minas, em função do envolvimento direto do Bando de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), deverá apresentar ao ministro Marcos Pontes as queixas contra a recusa da Finep em salvar o projeto da Unitec Semicondutores. Os acionistas, sendo o principal financiador o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), comprometeram R$ 1 bilhão na fábrica. O BNDES é também acionista. O projeto coleciona problemas que começam pela execução das obras civis.
A empresa encarregada pela execução das obras civis da Unitec também é sócia. Nesta terça, os acionistas deveriam realizar uma AGE (que seria dia 12 foi cancelada), para votar o destino do projeto. Sobre a mesa, mesma agenda anterior, onde cabiam venda dos equipamentos, recuperação judicial e extinção. A falta de garantias dos acionistas fez a Finep suspender repasses. Isso também afastou possíveis novos investidores. Os acionistas não deram conhecimento público da AGE remarcada para esta terça.
É provável que o BDMG apresente ao ministro uma enciclopédia de encantos do projeto da Unitec. Mas, se Marcos Pontes tiver perguntas básicas ao Governo de Minas: a Unitec faz falta? O mercado está desabastecido de seus prováveis futuros produtos? Terá preços competitivos com os importados? Os sócios oficiais pediram auditorias dos gastos do projeto? E, por fim, a Finep está equivocada em não querer aportar US$ 80 milhões solicitados, sem receber garantias?
Então, bater um prato feito (PF) no Mercado Central descerá mais suave que um provável almoço com tecnocratas do Governo de Minas. Além disso, o déficit no orçamento do Estado agradecerá, mesmo que a conta siga para alguma estatal. Na época de Tancredo Neves governador, se o projeto interessasse ao Estado, ele próprio advogava – não mandava mensageiros.
VEJA AQUI SITUAÇÃO DO PROJETO
↘BNDES e sócios da Unietc Semicondutores voltam à mesa
↘Unitec, se sobreviver à AGE, deixará acionistas marcados
↘Cemitério de indústrias de semicondutores em Minas
↘BNDES e BDMG admitem extinção da Unitec, projeto de R$ 1 bi
Essa história de apelos, vale lembrar o general Oziel de Almeida Costa (pouco polido), quando presidia o Conselho Nacional de Petróleo (CNP). O oficial veio a Belo Horizonte, em 1981, a convite dos empresários da revenda de combustíveis. Ofereceram-lhe um almoço. No cardápio, reclamações contra as margens controladas pelo Governo, que julgavam magras. A mesa foi posta na unidade de Colônia de Férias do Sesc, em Venda Nova. Enquanto o general dava boas garfadas, a turma do sindicato patronal chorava ao microfone. Depois de limpar o pires da sobremesa, o militar, sem mesmo microfone, respondeu (sentado mesmo). Foi curto e certeiro. “Não entendo o choro de vocês! Acabam de me oferecer um banquete!”. Restaram poucos anfitriões para os abraços ao general.
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