Política

Assembleia descarta aprovar a toque de caixa outros projetos de interesse de Romeu Zema

Foi assim até agora e não será diferente em tempos de coronavírus. O governador Romeu Zema (Novo) continuará tendo vida difícil na Assembleia Legislativa, onde não conseguiu organizar uma maioria para aprovar, sem sobressaltos, as matérias de seu interesse.

Ontem, na primeira sessão virtual de sua história, o Legislativo mineiro reconheceu, em rito sumaríssimo, o estado de calamidade pública no território mineiro, dando mais liberdade ao governo para enfrentar a pandemia do coranavírus. Mas o presidente da Casa, deputado Agostinho Patrus (PV), que não reza na mesma cartilha de Zema, deixou claro que tratou-se de uma excepcionalidade.

O recado tem uma explicação. Sob a alegação de que a pandemia vai trazer dificuldades ainda maiores ao governo do Estado, que enfrenta uma situação financeira dramática, Executivo quer que a Assembleia aprove, com a mesma celeridade, outras propostas de seu interesse, como a reforma da previdência dos servidores estaduais e a privatização das estatais Cemig e Copasa.

Não vai acontecer. “Não acredito que se consiga entendimento na Casa para votar temas como esses na forma e no rito que nós fizemos como o caso do coronavírus. Temas tão importantes assim [privatização e reforma da previdência] devem ser exaustivamente debatidos na Casa”, anunciou Agostinho Patrus.

No caso das privatizações, o governador Zema, que desde a campanha eleitoral havia deixado claro sua intenção de vender Cemig e Copasa, vai enfrentar muitas dificuldades, especialmente em relação à empresa de energia. Para conseguir autorização para privatizar, o governo precisa do apoio de um minimo de 48 deputados. Hoje, os dez dedos da mão talvez sejam suficientes para contabilizar o número de votos que o governo teria para aprovar a venda.

Para complicar ainda mais a situação, o Executivo não tem hoje um interlocutor experiente para fazer a mediação com o Legislativo, tarefa que o governador Zema decidiu delegar ao jovem Igor Eto, o novo secretário de Governo.

O que vale dizer que o desejo do Executivo de que Assembleia Legislativa seja boazinha e aprove, sob o argumento da crise provocada pelo coronavírus, tudo que ele desejar, não vai funcionar.

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Ricardo Campos

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