Presidente Jair Bolsonaro, ao anunciar criação de comitê para enfrentar a Covid-19 . Foto - reprodução
Foi preciso que o país chegasse ao número desastroso de 300 mil mortes e superasse a marca de mais de 3.000 mil óbitos num só dia para que o presidente da República, Jair Bolsonaro, anunciasse a criação de um comitê para cuidar seriamente da pandemia do novo coronavírus. Mas há também outra razão: o efeito Lula.
Negacionista de quatro costados, que sempre minimizou a gravidade da pandemia, Bolsonaro também anuncia a criação do comitê um dia após a Segunda Turma do STF dar uma vitória ao ex-presidente Lula. Por 3 votos a 2, os ministros reconheceram a parcialidade do ex-juiz Sérgio Moro no processo do Triplex do Guarujá.
Significa que o processo foi anulado, volta à estaca zero e reforça o argumento do ex-presidente de que foi perseguido por um juiz e pelos procuradores da República de Curitiba, que o condenaram sem provas. Juiz que o condenou e que deixou a magistratura para ser ministro da Justiça no atual governo.
Hoje, ainda que pese contra Lula a condenação no caso do sítio de Atibaia, o ex-presidente está com seus direitos políticos recuperados e, portanto, elegível. Pode, em tese, e caso queira, ser candidato à Presidência da República em 2022. Isso porque o relator da lava jato no STF, ministro Édson Fachin, considerou que a 13ª Federal de Curitiba é incompetente para julgar as ações contra o ex-presidente.
A decisão do relator ainda deve ser apreciada pelos outros dez ministros do Supremo. Como não há data para tal, até lá Bolsonaro terá Lula em seus calcanhares. E porque ele incomoda tanto? Porque as pesquisas de intenção de votos, embora falte ainda muito tempo para a eleição, mostram que o ex-presidente é o adversário mais competitivo contra o atual presidente.
E porque a decisão de criar o comitê anticovid por conta do efeito Lula? Porque o ex-presidente tem um discurso completamente diferente do atual mandatário. O primeiro é favor das vacinas, do isolamento social, do uso de máscara e confia na ciência.
Já o atual presidente é contra o isolamento social, o uso de máscaras e, até muito recentemente, era contra as vacinas (especialmente as “vachinas”, aquelas que têm origem na China) e a favor do tratamento precoce contra a Covid, medida que é condenada por 10 entre 10 profissionais sérios da área de saúde. E essa postura negacionista, mostram as pesquisas, já está trazendo prejuízos políticos para o atual mandatário.
A rigor, ainda que a motivação principal para a criação do comitê anticovid tenha sido o efeito Lula, pouco importa. O importante é que o comitê siga o caminho recomendado pela ciência e consiga tirar o Brasil da pior crise sanitária de sua história.
Só vai funcionar, entretanto, se Jair Bolsonaro deixar o novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que é do ramo, assumir, de fato, o comando da pasta. Até então, o ministro da área tem sido, de fato, Bolsonaro, com os resultados catastróficos que estamos assistindo.
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