AlphaVille continua no prejuízo e vai esfolar seus clientes

  • por | publicado: 17/05/2022 - 23:27 | atualizado: 30/05/2022 - 12:29

Portaria AlphaVille Residencial 3, em Barueri (SP). Foto ilustrativa: Divulgação

Uma das principais grifes de empreendimentos imobiliários de alto padrão país, a holding AlphaVille S.A. (Alphaville Desenvolvimento Imobiliário) trouxe notícia ruim para o mercado em suas contas do 1º trimestre. A receita líquida afundou de 57% na comparação com 1T21, enquanto, o prejuízo líquido subiu 21,7%.

Os administradores da companhia, uma líder em urbanismo, atribuíram a catástrofe às pressões inflacionária em seus custos. E anteciparam: a conta irá para contratos de clientes financiados, via “correção monetária” (veja mais adiante).

A demonstração financeira encaminhada nesta terça (17/05) à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aponta, portanto, que a receita líquida caiu de R$ 62,810 milhões para 27,278 milhões. O prejuízo, por sua vez, migrou de R$ 70,109 milhões para R$ 85,285 milhões.

O desempenho pressionou o patrimônio líquido. Saiu, portanto, do saldo de R$ 12,896 milhões, no final de 2021, para R$ 71,332 milhões negativos.

AlphaVille apelará para correção monetária

Nas notas explicativas do balancete, a administração da AlphaVille atribui o péssimo desempenho às “pressões de custos em seus projetos”, por conta da inflação. Entretanto, acreditam na hipótese de “mitigar” os prejuízos, aplicando cláusulas contra clientes financiados. “… nosso modelo de financiamento à clientes permite aplicarmos a correção monetária por inflação (ipca/igpm) em nossos contratos. Com isso, acreditamos mitigar o impacto da inflação nos custos” (sic).

O desempenho da AlphaVille, portanto, confirmou uma preocupação da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), apesar dos aumento nos lançamentos. A entidade alertava, mês passado, para os efeitos das “variáveis macroeconômicas”. Mas, na outra ponta da mesa, a apontava na espiral inflacionária excelente indicativo para investimentos em imóveis.

Corre atrás de R$ 250 milhões

A notícia ruim para os investidores em AlphaVille veio, portanto, cinco dias após a companhia abrir Fato Relevante positivo. Na ocasião, informou, então, ao mercado financeiro que firmara acordo com investidores para receber aporte de até R$ 180 milhões. A chegada de pool se daria via oferta pública de ações ou aumento de capital privado.

A administração da AlphaVille destaca que o pacote de capitalização, em formatação, prevê captação de R$ 250 milhões. Essa conta contabiliza o acordo com investidores. O aporte dos investidores ocorrerá em até 90 dias após assinatura do contrato.

Também na quinta-feira (12/05), AlphaVille lançou, em Campinas (SP), o AlphaVille Dom Pedro Zero. Teve VGV (valor geral de vendas – estimativa de receitas) de R$ 299 milhões. De acordo com a empresa, 85% dos 373 lotes (a partir de 400 m2) foram vendidos na primeira semana.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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