Braskem vai de spin-off para o mercado de plástico verde

  • por | publicado: 23/03/2022 - 12:21 | atualizado: 28/03/2022 - 19:42

A petroquímica ofertaria parceira em spin-off de US$ 2 bilhões - Crédito: Braskem/Relatório

Braskem S/A, maior produtor de resinas termoplásticas das Américas e avança no propósito de formatação de unidade autônoma de negócios para resinas de biopolímero. A companhia é líder global desse produto, no seu caso, derivados da cana-de-açúcar. Essa unidade é fornecedora, portanto, matéria-prima para o mercado dos chamados “plásticos verdes”.

É esse negócio, no formato independente, portanto, que a Braskem busca investidores, antes ou depois. Ou seja, caminha com para uma spin-off.

Esse movimento da Braskem não é novidade. Entretanto, na última quinzena, a notícia pipocou em avalanche para o mercado de novos negócios. Braskem é a 6ª petroquímica no ranking mundial. Portanto, sempre há, permanentemente, uma janela para especulações em oportunidades.

Agora, porém, a companhia daria sinais de um ataque com mais pega. A Agência Reuters, por exemplo, notícia nesta quarta (23/03), que a Braskem consultou a área chamada banco de investimentos do Citigroup. O objetivo do contato (ou contrato) é indicação da melhor proposta, na cisão patrimonial. Dessa cisão, portanto, nasceria a spin-off. A planta de “plásticos verdes” seguirá nas instalações do Polo Petroquímico de Triunfo (RS).

O site Reset, com foco em novos negócios, aprofundou o tema Braskem nesta semana. Considera, portanto, mas sem abrir fontes, que a spin-off não nasceria via oferta pública das ações. Então, assegura, o caminho mais provável será o da atração um fundo privite equity. A segunda alternativa considerada, buscar um parceiro SPAC (companhias que abrem ações em bolsa e saem feito tubarões em busca da melhor oportunidade de parceira ou compra) em bolsa dos EUA.

Braskem precificou em US$ 2 bi

Mas, chama atenção, ainda na análise do Reset, os valores. Informa que a spin-off desejada pela Braskem seria ofertada com valor de US$ 2 bilhões (R$ 9,672 – câmbio da tarde, de R$ 4,8362). Portanto, 28,5% (quase um terço) do valor (US$ 7 bilhões) de mercado da empresa-mãe.

Claro, independente de qualquer análise, que a Braskem aposta no apelo da moda: ESG (ambiente, responsabilidade social e governança, na sigla em inglês). Ou seja, no avanço da cultura do mercado cada vez mais sedento por produtos com base em incitativas ecológicas.

A Braskem, conforme seguidas informações ao mercado, planeja, em 2022, crescer 30% a sua capacidade de produção de biopolímero, para 260 mil toneladas/ano. Em 2030, superar 1 milhão t/ano.

Nota da Braskem nada informa

Em nota à Bolsade Valores (B3 – Brasil. Bolsa. Balcão), a Braskem “andou de lado”, no jargão do pregão. Nem negou nem confirmou a busca por investidores para biopolímeros. “Por fim, a Companhia esclarece que analisa constantemente o seu portfólio de ativos, mas que não existe, até o momento, qualquer compromisso ou obrigação, ainda que preliminar, sobre qualquer transação em relação a eventual cisão e IPO ou qualquer outra transação envolvendo o negócio de biopolímeros”. A expressão “por fim” pode parecer que a companhia manifestou muita coisa. Nada disso. Contando com o título (“Comunicado ao Mercado”) e contatos do RI, notinha de 11 linhas chochas, desprovidas de conteúdo.

“Plástico verde” está bem amadurecido

No começo da década passada, a Braskem investiu no fomento de pesquisas (individuais e com parcerias) do “plástico verde” para diversos segmentos. O foco, então, era inovação, principalmente, para áreas da construção civil, infraestruturas e de peças com apelo pela preservação ambiental. “(Busca de) eficiência e sustentabilidade”, era a mensagem mais repetida na companhia.

Naquela época, a chefe da área de Desenvolvimento de Mercado de Polímero, Mônica Evangelista, informou a carteira de registros da companhia tinha, até o final do exercício anterior, 650 patentes depositadas. Além disso que, no período 2010-12, do faturamento da empresa com resinas, 18% estavam na prateleira dos novos lançamentos.

Vendas líquidas recordes; reversão de prejuízo

Em 2021, as vendas consolidadas (Brasil e exterior) da Braskem geraram receita líquida de 105,6 bilhões. O balanço registra patrimonial aponta como recorde e, portanto, salto nominal extraordinário de 80% comparado com o exercício anterior.

Entretanto, a base de comparação, 2020, é fraca: ápice da recessão global causada pela pandemia Covid-19. Ou seja, além da retomada das atividades, 2021 marcou pressão na reposição de estoques de matérias-primas e semiacabados. O lucro líquido somou R$ 13,985 bilhões, também de forma espetacular, reverteu prejuízo do exercício anterior, de e 2020, de R$ 6,692 bilhões. A companhia tem bases de negócios, além do Brasil, no México, Estados Unidos e Europa.

Despachos de resinas em baixa

O volume de resinas vendido pelas centrais de petroquímica (RS, SP, BA, RJ e AL) da Braskem no mercado doméstico, em 2021, somou 3,494 milhões t. Portanto, inferior 5% comparado com 2020. Mas, o tombo foi maior nas exportações: 831 mil t, menos 23%. Nas linhas dos principais produtos químicos, porém, houve alta de 13%, com 3,065 milhões t, no mercado interno. Porém, seguiu em queda nas exportações, de 5%, com 454 mil t.

Spin-off e startup

Uma spin-off é tratada como “derivação” de negócios de uma empresa-mãe. Ou seja, produto ou empresa nova derivados de algo já existente e/ou pesquisado (mantido em gaveta). Nesses projetos, a empresa tira proveito de domínio (conhecimento) e estruturas para inovar e/ou expandir.

Embraer, terceiro fabricante mundial da aviação comercial, depois da Boeing e Airbus, criou a Eve, ligada à EmbraerX. A spin-off assumiu o projeto do veículo elétrico com decolagem e pouso na vertical (eVTOL).

Portanto, difere bem de startup. As empresas criam ou adotam startups com objetivo de expandir mercados. Com esse foco, portanto, foi que o Banco Itaú criou o Cubo, o xodó do mercado em coworking no empreendedorismo tecnológico.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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