Café afetado pelas geadas apresenta ‘preto verde’

  • por | publicado: 25/05/2022 - 15:56 | atualizado: 26/05/2022 - 14:06

Cafezal da região de Varginha, no Sul de Minas. Parte baixa, queimada pelas geadas, de 2021. A banda mais alta, da lavoura, à esquerda, não prejudicada - Crédito: CCCMG/Divulgação - Foto ilustrativa

As geadas, até agora, estão longe de provocar mesmos estragos de um ano atrás em cafezais de Minas, São Paulo e Paraná. Entretanto, em algumas regiões, houve queima dos grãos ainda verdes. Isso, portanto, provocou o fenômeno conhecido por “preto verde” ou “verde geado”.

Modificado título original: Cafezais afetados pelas geadas apresentam ‘preto verde´

O relato foi apresentado à agência Reuters pelo respeitado pesquisador em cafeicultura José Braz Matiello. Ele integra o corpo da Fundação Procafé – Fundação de Apoio a Tecnologia Cafeeira, de Varginha, no Sul de Minas.

Matiello observou que houve queima dos frutos, mas sem prejudicar as folhas. “Os frutos verdes afetados ficaram com a casca de cor chumbo ou castanha escura e, em seguida, devem secar. Com a queima pelo frio, a película prateada, que envolve o grão, fica escura, dando origem, em sua maioria, a grãos com o defeito conhecido como preto verde ou verde geado, prejudicando tanto o rendimento como a bebida dos cafés”, explicou.

A queima dos frutos representam, claro, prejuízos e perdem na classificação e na “bebida”. Matiello não fez um balanço, tipo ao apresentado pela Funcafé em 2021. Mas apontou como mais afetadas lavouras de café nas baixadas. As queimadas dos frutos ocorreram, de forma já sabida, acrescentou, em lavouras das regiões cafeeiras do Paraná e no Cerrado de Minas.

Café oscilou com alta e estabilizou

De toda forma, na semana anterior, a cotação dos grãos do arábica (superior ao conilon), principalmente na ICE Futures US – pregão da Bolsa de Nova York -, marcou oscilação positiva. Depois, ligeira estabilização, em baixa. Foi o que os experts do comércio tratam por “oscilação técnica”.

O Escritório Carvalhaes, de comércio, de Santos (SP), registra que ontem (24/05) os arábicas finos variaram com cotação de R$ 1.320,00, mínima, e, R$ 1.350,00, máxima. Esses preços foram para para o “tipo 6 para melhor” (produto de exportação) em saca de 60,5 kg. Para o tipo “consumo Riada”, as cotações foram: R$ 1.200,00 e R$ 1.230,00. O conilon (ou robusta), foi cotado a R$ 733,25, ou seja, com variação de + 0,07%. “CD”, na classificação, significa com a “cereja descascada”.

Cepea: melhor preço desde março

Na semana anterior, diante de certa imprevisibilidade para as geadas, as cotações dos dias 16 e 17, para o café arábica tipo 6, na praça de São Paulo (SP), foi de R$ 1.310,00 a saca. Pelas estatísticas CEPEA/Esalq, portanto, o melhor patamar desde março. Entretanto, com a “intensidade moderada” do frio (veja AQUI previsão para esta quinta – 26/05), as cotações recuaram 6,85% para R$ 1.218,65 no fechamento de ontem.

Cepea é a sigla do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada. Esse centro é, por sua vez, parte do Departamento de Economia, e Administração e Sociologia, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq). As instituições pertencem à Universidade de São Paulo (USP).

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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