CNI e Josué atravessam reforma ministerial de Lula

  • por | publicado: 16/10/2023 - 11:30 | atualizado: 20/10/2023 - 18:04

O presidente da Fiesp (d) em encontro com ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT). Haddad foi derrotado em eleições para Presidência da República, em 2018, e ao governo de São Paulo, em 2022 - Crédito: Rovena Rosa/Agência Brasil

O presidente da Fiesp, Josué Christiano Gomes da Silva, era o vice desejado pelo petista em 2022

A próxima mexida, a tal reforma ministerial, desejada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), poderá exibir rotas externas à Praça dos Três Poderes. E, por mais simples que seja, renderá caras feias, mágoas e desafetos. O histórico de sempre das relações políticas sugere que somente o pós-pleito municipal de 2024 promoverá alguma trégua.

Lula recoloca, portanto, uma obsessão em pauta, que antecede à própria eleição, em 2022.

O petista queria de vice o atual presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Christiano Gomes da Silva. Empresário com origem em Minas Gerais, lidera o maior complexo têxtil do país, o Grupo Coteminas. Coteminas foi fundado pelo pai de Josué, José Alencar Gomes da Silva. Este foi vice de Lula na eleição de 2002, e, na reeleição, em 2006.

A presença de José Alencar se mostrou estratégica para Lula amaciar a rejeição no empresariado.

Lula sondou Josué antes das eleições na Fiesp. Depois de eleito, em pleito de chapa única, em 2021, todavia, o mineiro decidiu não ir às urnas como vice. Assumiu em 1º de janeiro de 2022. Procurado novamente, não mudou. E agradeceu, em primeiro momento, um ministério ofertado, em dezembro, pelo presidente eleito.

É bom lembrar, entretanto, que o empresário da Coteminas não é bom de voto no universo dos partidos políticos.

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Bahia como uma das pontes entre Lula e Josué

Entretanto, o presidente da Fiesp não foi deletado nos planos de Lula.

E este outubro, por exemplo, será favorável à nova investida do petista para ver Josué na Esplanada dos Ministérios. Servirá, também, apenas aproximá-lo mais, mas com maior peso.

A segunda hipótese, entretanto, tem traçado na Bahia. Entra em campo, então, o jogo político da base aliada do PT, ou seja, o do aluguel de cargos para os militantes nos Estados.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) trocará o comando neste mês. Sairá o mineiro Robson Braga de Andrade, sentado lá desde 2010. Entregará a cadeira para Ricardo Alban, presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb). A eleição, também em chapa única, foi em 03 de maio. A posse será em 31/10.

Futuro presidente da CNI, Ricardo Alban (E), com Robson Andrade, a quem sucederá – Crédito: Agência de Notícia da Indústria/Assessoria Imprensa CNI

Em tese Lula, tem um tabuleiro com pedras de fácil manobra. Entretanto, colocar Josué na cozinha do Alvorada, não seria simples exercício de aritmética, via análise combinatória política.

O dirigente da Fiesp, na grade da nova Diretoria da CNI, será o 1º vice-presidente executivo (e presidente regional do Sudeste). Os cinco vices não estão listados pela ordem alfabética. Josué lidera.

Então, se Lula colocar uma cadeira para Alban no governo, Josué passa, automaticamente, a comandar a confederação. Isso será de enorme valia aos planos políticos do petista tanto para 2024 quanto 2026.

Tirar Josué da linha de tiro bolsonarista

Josué à frente da CNI, em Brasília, terá maior facilidade de receber sustentação de Lula, que na Fiesp. Além disso, poderá retribuir tentando aparar arestas contra o petista em todo país. Mas, principalmente em São Paulo.

Na confederação, os colégios regionais de representantes do Norte e Nordeste formam maioria. Lula, nas urnas do TSE, surfa bem nessas áreas. Isso, portanto, lhe servirá, se for o caso, no escudo a Josué.

A entidade patronal paulista é dominada por aliados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em janeiro último, por exemplo, Josué sofreu dura campanha de destituição. O antecessor, Paulo Skaf, fez o mineiro seu sucessor. Mas, por ironia, comandou rebelião para derrubá-lo.

O imbróglio, porém, ultrapassava os limites do cercadinho da Avenida Paulista. Skaf é bolsonarista com firma em cartório. Ele quis forçar nova eleição na Fiesp. A meta era entregar o comando da entidade ao seu grupo, que é forte. Alinharia, portanto, a entidade ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), ex-ministro no Governo Bolsonaro.

As articulações do paulista tinham, nas outras laterais do triângulo, as federações do Rio de Janeiro (Firjan) e de Minas Gerais (Fiemg). Estas comandadas por apoiadores, também declarados, do ex-presidente: Eduardo Eugênio de Gouvêa Vieira e Flávio Roscoe, respectivamente.

Todavia, não vingaram. O ex-dirigente paulista retornou, então, ao esquecimento. Não passa mais Avenida Paulista.

Alckmin pode perder Indústria e Comércio

Na hipótese de cair no Governo Lula, Alban poderia ganhar o Ministério da Indústria e Comércio, pela afinidade com a sua área de atuação. A pasta está nas mãos do obediente vice, Geraldo Alckmin (PSB – ex-PSDB e um dos fundadores). Ou, ainda, da Agricultura.

Entretanto, caso o baiano não queira sair da Confederação, restara a Lula ofertar a sala de Alckmin a Josué.

No Ministério de Lula, a Bahia tem duas representações: chefe da Casa Civil, Rui Costa (foi governador), e da Cultura, Margareth Menezes.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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