Drummond recusou; quiseram FHC, Merval, Gil, …

  • por | publicado: 31/10/2023 - 13:44 | atualizado: 06/11/2023 - 11:53

O poeta Carlos Drummond nunca quis o fardão da Academia Brasileira de Letras. Foto de detalhe da fachada da ABL, no Rio de Janeiro - Crédito: Acervo/ Biblioteca ABL

CDA, Carlos, Carlos Drummond e Carlos Drummond de Andrade. Essas formas de tratamento convergem para a mesma pessoa, sempre que assunto for poesia, crônica, contos e tudo mais da literatura brasileira. Chegam ao mais ilustre filho de Itabira (MG) e maior poeta nacional.

Esta terça (31/10) é a data em que se comemora os 121 anos de seu nascimento de Drummond.

Os itabiranos, portanto, respiram poesia com mais força. Neste ano, a festividade principal é guiada pela coletânea de crônicas “A Cor de Cada Um”. Hoje é, também em homenagem ao poeta, o Dia Nacional da Poesia. A data marca o encerramento da 22ª Semana Drummondiana, aberta dia 26/10.

Entre diversos fatos sobre Drummond está uma curiosidade. Por que o poeta, autor de tantas obras não ingressou para Brasileira de Letras (ABL)? Ou seja, virou um imortal. Simples: ele não quis. Assim como ele, Sérgio Buarque de Holanda, Paulo Mendes (ver abaixo).

A postura do trio surgiu de protesto ao ingresso do então ditador Getúlio Vargas. Por um ato de imposição, o político de São Borja (RS) virou imortal.

Drummond rejeitou uma eleição do B; Chico Buarque segue

Alguns fatos marcaram também a recusa de Drummond de chegar lá em eleição arrumada, para não parecer pleito. Amigos já “imortais”, porém, fracassaram na aplicação de um jeitinho brasileiro.

O compositor, cantor, escritor e dramaturgo Chico (Francisco) Buarque de Holanda também assumiu que não se juntará aos imortais da Avenida Presidente Wilson, no Rio de Janeiro. Ele é filho do historiador Sérgio Buarque de Holanda e da pianista Maria Amélia Cesário Alvim.

Pesos político e econômico: ex-presidentes da República e TV Globo

Entretanto, há uma legião de “imortais”, mortos e vivos, que se inscreveu. No popular, levantaram a mão e pediram para entrar. Estes, portanto, lançaram mãos de editais, se inscreveram e foram para as disputas.

Há, então, a corrida do voto por voto. Em muitos casos, todavia, funcionaram influências (e pressão) do peso político. Valeram, e muito, também a importância empresarial na economia e política do país, os benefícios das logomarcas das corporações vinculadas etc.

Na posse de Merval, dois políticos de peso: o ex-presidente José Sarney (sentado, à esquerda); e, Marco Maciel, ex-vice de FHC (em pé, à direita0 – Crédito: Acervo da ABL

Nesse blocão de “imortais”, figuram os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e José Sarney, falecido empresário Roberto Marinho. Este, o todo poderoso e tentáculo da ditadura militar (golpe de 1964) e dono do grupo de mídia TV, Rádio e Jornal O Globo.

Na carona no peso de mídia do Grupo Globo (TV e jornal O Globo) desfilou com sucesso em pule de dez Merval Pereira (jornalista e comentarista político). Merval preside a ABL desde o ano passado.

Caronas na Rede Globo

Na sombra das novelas de sucesso da Rede Globo, a atriz (excelente) Fernanda Montenegro. E, por conta da enorme popularidade na música, o compositor e cantor Gilberto Gil (o ex-ministro da Cultura do Governo Lula.

O assunto, portanto, é árido, nada palatável, à mesa dos fãs daqueles que se candidataram à chamada Casa de Machado de Assis. Isso principalmente em relação aos inscritos nas últimas décadas.

Leia, então, nos links abaixo algumas passagens sobre Drummond e a ABL.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Jfer

Pois é. A mesma coisa ocorre com algumas medalhas distribuídas a ermo. É difícil para muitos se ombrear com alguns destes que foram “premiados” com estas medalhas.

jfer

Vi meu comentário. Cometi um erro quando escrevi: a esmo e não a ermo.