Eletrobras dá força à venda com uma diretora ex-Deloitte

  • por | publicado: 27/06/2020 - 00:54 | atualizado: 29/06/2020 - 15:59

Eletrobras detém 50% de participação na UHE Itaipu Binacional (joint venture com o Paraguai). Gera 14 mil megawatts (MW) – Foto: Alexandre Marchetti/Divulgação Itaipu Binacional.

O Governo Bolsonaro quer privatizar o Grupo da Centrais Elétricas Brasileiras S/A (Eletrobrás). O ministro da Economia, Paulo Guedes, identificado como de pensamento neoliberal, é pela saída do Estado da Economia. Portanto, quando colocam na diretoria uma profissional oriunda de multinacional relacionada à grandes privatizações do planeta, é porque engatou a marcha de força à frente.

Na sexta-feira (26/06), o Conselho de Administração da Eletrobras, por indicação do acionista controlador (Governo Federal), escolheu Camila Gualda Sampaio Araújo (engenheira química pós-graduada em Administração e especializada em Inovação) para Diretoria de Governança, Riscos e Conformidade. A nova diretora foi da Arthur Andersen e da Deloitte Brasil (Deloitte Touche Tohmatsu Limited -DTTL). Nesta última, ela trabalhou 20 anos e foi sócia de Riscos Regulatórios.

Engenheira Camila Gualda Sampaio Araújo, por quase 20 anos na Deloitte Brasil, assumirá Diretoria na Eletrobras em 13 de julho – Foto: Divulgação/Deloitte

No currículo resumido de Camila Gualda Araújo, porém, a Eletrobras não associa a Deloitte aos processos de modelagem das privatizações. “Possui vasta experiência em governança corporativa e nos seus principais pilares, como gestão de risco… programas de integridade e anticorrupção, internacionalização de empresas, projetos de estruturação e processos, avaliação de controles internos…”. A Deloitte foi fundada em 1845 e está no Brasil desde 1911. Presente em 150 países, a empresa possui 700 escritórios e emprega 312 mil pessoas.

A nova diretora assume dia 13 de julho. A atual ocupante do cargo, Lucia Maria Martins Casasanta, por sua vez, também por indicação do Governo, assumirá cadeira no Conselho de Administração.

Lucro da Eletrobras caiu 77%

No balanço de 31 de março, a Eletrobras lançou R$ 178,687 bilhões em ativos (R$ 177,466 bilhões, em 31 de dezembro 2019) e patrimônio líquido de R$ 71,524 bilhões (R$ 71,394 bilhões). Suas receitas somaram R$ 6,955 bilhões, portanto mantendo o nível de do 1T19 (R$ 6,465 bilhões 1T19). Mas, o lucro líquido apresentou queda de 77,3%, de R$ 1,347 bilhões (1T19) para R$ 306 milhões (1T20).

De acordo com o Jornal Contábil, em 2018, a Deloitte liderou o ranking (dados do balanço de 2017) mundial das 10 maiores empresas do setor, com US$ 38,8 bilhões de receita.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Cleyton Nicel A Ferreira

Quem é a favor de privatização, recomendo a leitura do livro “Privataria Tucana” onde mostra que a privatização foi feita de um modo totalmente corrupto e usando o dinheiro público. Guedes e sua trupe querem repetir o feito, vender a preço de banana e ainda com recursos do contribuinte no financiamento da compra. Isso amigos! Além de vender barato ajudar a comprar com uma bela propina, para enriquecer a quadrilha.

Daniel Soares Arantes

Meu caro, o seu discurso é de petista! Venda barata, dilapidação do patrimônio público, perda de soberania etc, são argumentos de quem não quer perder as benesses que só uma empresa pública pode oferecer. Políticos, petistas e outros malandros pôr aí é que defendem a estatização!

Cleyton Nicel A Ferreira

Daniel não rebaixe a argumentação para esse nível, não caia nessa falácia barata de que “se o PT é contra eu sou a favor” pois isso tolhe todo o bom-senso e muito da realidade. Pare de jogar todo mundo no mesmo balaio, inclusive você perdeu o meu respeito quando tentou fazer insinuações sobre minha pessoa, que sequer desconhece!

Para mim não importa se algo faz parte do discurso petista, bolsonarista, comunista ou qualquer “m… de ista”, para mim o importante é a questão ser razoável e de acordo com os fatos e a realidade. Para mim pouco importa o que estes movimentos pensam pois eles são todos demagogos, Bolsonaro e Lula são dois hipócritas.

Inclusive em nenhum ponto eu disse que sou contra as privatizações, pelo contrário, alguns tipos de serviços públicos devem sim ser vendidos, mas isso não é motivo de vender tudo a preço de banana, a agenda do Guedes é vender barato e facilitado com o dinheiro do contribuinte, não use cegueira ideológica para ignorar a realidade. Você não venderia o carro 0 km que tirou da concessionária por uma ínfima fração do investido e ainda pagar o financiamento do comprador. Isso é o que aconteceu e o que acontecerá de novo se o povo não discutir isso de forma mais racional e menos “emotiva”.

Faça como digo, leia o livro que conta essa história, pesquise e depois converse com uma pessoa com mais conhecimento e menos ideologia barata. Veja o que a história tem para contar das experiências que foram feitas.

Daniel Soares Arantes

Meu caro Nicel, não foi minha intenção ofendê-lo!
Realmente, ser chamado de petista é uma tremenda ofensa!
Desculpe-me e, por favor, me inclua novamente na sua lista dos “respeitados”.
Acho que você está com um pensamento muito simplista, para não dizer ingênuo.
A empresa pública tem em seus quadros, profissionais de grande valor! Comprometidos, competentes, honestos e que entraram pela porta da frente através de concursos públicos. Conheço vários.
Mas isso infelizmente não é suficiente.
A história mostra que as estatais sempre foram e sempre serão tocadas por políticos e estes, dispensam comentários.
Lembre-se também que, por trás de uma empresa pública, tem sempre uma estrutura enorme de fiscalização e regulação.
Ministério público, federal, estadual, municipal, agências reguladoras, etc.
Isso sem falar das milhares de leis, decretos e portarias.
Já imaginou o custo disto?
Torna-se uma enorme indústria, uma corporação.
Qual sociedade suporta isto?
Portanto, as empresas precisam ser vendidas urgentemente, mesmo que a preços inferiores.
Nossos filhos, netos e bisnetos agradecerão.

Cleyton Nicel A Ferreira

Daniel, alguns serviços devem ser estatais por um motivo simples, demandam alto investimento e não dão lucro, como serviços de saneamento. Ou serviços de valor estratégico, como energia e petróleo. Agora comunicações, mineração e serviços podem ser privados.

Um bom exemplo são estradas, as grandes e movimentadas podem ser privadas sobrando ao Estado aquelas que são economicamente inviáveis. Mas para privatizar tem de ser uma coisa bem-feita, senão faz como aconteceu com a RFFSA por exemplo, um prejuízo tanto logístico quanto econômico.

Logico que Estatal é cabide de empregos para políticos. Por isso acho que o investimento deveria ser misto, onde o capital majoritário é do Estado mas a administração privada. Isso nem pode ser assunto de comentário pela complexidade.

E isso deve ser tratado com ciência e fatos deixando de lado essa besteira de ideologias de pseudodireita e pseudoesquerda.

Allef

Que assim seja. Venda esse lixo o mais rápido possível e leve todas as outras estatais junto.