Em tempos de Covid, desafio dos candidatos é despertar interesse do cidadão na eleição

Urna eletrônica já preparada para o primeiro turno das eleições municipais, em 15 de novembro

Urna eletrônica já preparada para o primeiro turno das eleições municipais, em 15 de novembro

Candidatos a prefeito e a vereador de todo o país poderão, a partir de amanhã (27), pedir votos, fazer campanha nas ruas e nas redes sociais e também na imprensa escrita. Nunca, na história do país, tivemos uma eleição como esta, em meio a uma pandemia de um vírus desconhecido, que só no Brasil já matou mais de 140 mil pessoas (mais de 7 mil em Minas).

No momento, o grande desafio dos candidatos é chamar a atenção do eleitorado para o fato de que teremos, em menos de dois meses, uma eleição que vai escolher os mais de 5.500 prefeitos de cidades brasileiras e mais de 57 mil vereadores para as câmaras municipais.

No momento, as grandes preocupações são: não ser infectado pelo novo coronavírus, a descoberta de uma vacina ou remédio eficiente para a Covid-19, o temor do desemprego, o medo de não conseguir outra colocação para os milhões que ficaram desempregados, o preço do arroz. Eleição, neste momento, não é prioridade.

Além da alteração no calendário, teremos uma eleição atípica. Como as recomendações para que se evite aglomerações ainda continuam valendo, comícios, caminhadas, panfletagem, os tradicionais cafezinhos em pontos estratégicos das cidade, abraços e apertos de mão, crianças no colo de candidatos serão cenas mais raras.

A campanha pela internet, que já vinha ganhando importância nos últimos pleitos, terá ainda mais relevância. E como as redes sociais são praticamente terra de ninguém e um campo muito fértil para as fake news, os candidatos terão também que fazer uma campanha diferente, criativa, que seja capaz de convencer os eleitores de que eles são as melhores opções, seja a prefeito ou a vereador.

Cenário difícil para desconhecidos

Tarefa que será especialmente mais difícil para candidatos que não são conhecidos, que não têm um trabalho anterior nas mídias sociais e poucos recursos financeiros. Portanto, será uma campanha que vai beneficiar candidatos mais conhecidos, famosos, que já tenham um exército de seguidores no Facebook, Instagram e similares, e, óbivio, que tenham dinheiro.

Também por conta da pandemia, a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, que começa no dia 9 de outubro, terá mais importância, em especial as chamadas inserções, comerciais de 30 segundos ou 1 minuto, que os candidatos terão direito ao longo do dia (na proporção de 60% para candidatos proporcionais e 40% para candidatos majoritários). Conforme dados do Ibope, a audiência dos canais de TV aberta cresceu, nos últimos meses, 20% em média.

No caso de um colégio eleitoral como Belo Horizonte, por exemplo, candidatos a prefeito e a vereador terão, ao longo do dia, direito a 140 comerciais (de 30 segundos), divididos conforme o tamanho das coligações e com base no tamanho da bancada de deputados federais dos partidos.

Como o primeiro turno da eleição está marcado para o dia 15 de novembro, é chegada a hora de começar a prestar atenção nos candidatos, avaliar suas propostas, procurar conhecer o seu passado, especialmente sua folha corrida. Afinal, está em jogo o futuro das nossas cidades.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.