Ferrovias esperam boom de demanda e de “conteinizados”

Brasil mantém em níveis baixos a participação do modal ferroviário no transporte de cargas. Porém, o mercado vive a expectativa pela entrada de duas novas malhas, no Centro-Oeste/Sudeste e Nordeste do país – Foto: Welingelichte Kringen/Redes Sociais

O modal das ferrovias é acanhando nas estatísticas da matriz do transporte de cargas (MTC) do país. Mas isso, diz o gerente-geral de Negócios do Segmento de Carga Geral da MRS, Guilherme Alvisi, não seria apenas por causa da “tradição rodoviária” predominante. Há, também, “falta de orientação do empresariado sobre nosso modal”, afirma.

O executivo da MRS destaca, por exemplo, que “o transporte de contêineres (nas ferrovias) participa de apenas 2,5% das exportações deste tipo de carga” no principal terminal portuário do país, Santos (SP). Isso ocorre mesmo diante das inúmeras vantagens da carga “conteinizada” sobre vagões.

Colocar a carga fracionada em contêineres, conforme parâmetros da Bsoft Internetworks, desenvolvedora de software para gestão de transporte de cargas, significa a opção mais segura. A empresa enumera vantagens segurança para os produtos como embalagem resistente e menor custo de logística. O menor custo estaria no fato de o contêiner poder ser transferido rapidamente para diferentes modais. E, também, o fato de ser construído com padrões mundiais e possuir legislação e convenções internacionais de segurança aduaneira.

A despeito da baixa demanda no mercado interno, Guilherme Alvisi manifesta expectativa otimista da ferrovia, que tem significativa atuação na Região Sudeste. Ele espera por um boom, no médio prazo, na opção pelos contêineres no item cargas gerais. Isso não apenas como resultado do crescimento do próprio modal ferroviário, mas por conjunto de ações das companhias da logística sobre trilhos.

Ferrovias saltarão com novos ramais

De acordo com o ILOS – Especialistas em Logística e Suplay Chain, em 2016, o Brasil deslocou apenas 21% da produção por ferrovias e 13% pelo sistema aquaviário. Enquanto na China, a produção é escoada em mais de 50% no modal aquaviário, e, nos Estados Unidos, 30% por ferrovias. O Ilos é do segmento de planejamento, estruturação e implemento em logística.

No “Boletim Estatístico”, da Confederação Nacional do Transporte (CNT), de fevereiro 2019, a MTC (cargas legais transportadas) no Brasil apresentou, em 2018, o seguinte perfil, em milhões de TKU:

  • Rodovias, 485.625 (61,09%);
  • Ferroviário, 164.809 (20,73%);
  • Aquaviário, 108.000 (13,59%);
  • Dutoviário, 33.300 (4,19%);
  • Aeroviário, 3.169 (0,40%).

O especialista em logística ferroviária Urubatan Silva Tupinambás Filho (“E se todos os projetos ferroviários disponíveis para transporte de cargas saíssem do papel?”), considerando a entrada em operação da Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste), e a Transnordestina, acredita que haverá um acréscimo 264.655 milhões de TKU. Isso, portanto, impactará mudança significativa na MTC:

  • Rodoviário, 485.625 (45,94%);
  • Ferroviário, 427.022 (40,39%);
  • Aquaviário, 108.000 (10,22%);
  • Dutoviário, 33.300 (3,15%);
  • Aeroviário, 3.169 (0,30%).

O cliente como propaganda

A MRS fechou recentemente contrato com a Novelis América do Sul, de Pindomanhogaba (SP), para o transporte de bobinas de alumínio em contêineres, para o Porto de Santos (SP) e de Itaguaí (RJ). Guilherme Alvisi, em entrevista para “Revista Ferroviária”, espera disso um efeito positivo. Pois, raciocina, será fator de publicidade espontânea muito importante o novo olhar no mercado de cargas gerais ferroviárias.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.