Inhotim não fechará, garante diretor-presidente do museu

  • por | publicado: 10/10/2019 - 19:46

Inhotim chegou a perder 30% nas receitas líquidas, impactadas por escândalos com o fundador e a tragédia da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG) - Fotos: Divulgação/Inhotim/Redes Sociais

O Instituto Inhotim não fechará. Essa garantia é do seu diretor-presidente executivo, Antônio Grassi, em entrevista publicada nesta quinta (10/10) pelo diário paulista “Folha de S.Paulo”. O executivo relatou momentos difíceis para a instituição, gestora Museu Inhotim (maior espaço de obras contemporâneas a céu aberto do mundo e jardim botânico), em Brumadinho (MG). Fica a 65 km de Belo Horizonte.

Antônio Grassi historiou uma série de percalços, a partir de 2017. Começou quando o fundador do Inhotim, Bernardo de Mello Paz (empresário de mineração, siderurgia e construção, marchand e colecionador) foi condenado por sonegação fiscal. Julgado em primeira instância, foi condenado a nove anos de prisão.

Além de se afastar da direção do Inhotim, Bernardo Paz negociou o pagamento com Fisco de Minas, entregando 20 obras de arte avaliadas em US$ 128,7 milhões. Ele é um dos maiores colecionadores de obras de arte do país.

A condenação arranhou muito a imagem do Inhotim. Muito mais que a prisão (Justiça Federal) do irmão dele, o publicitário Cristiano de Mello Paz. Este era ex-sócio de Marcos Valério Fernandes de Souza (também preso) em agências de publicidade. Os dois foram condenados a partir das descobertas, pela Polícia Federal e MP Federal de esquema de corrupção com verbas públicas, apurado no processo “Mensalão do PT”.

As tragédias de janeiro

Quando essas poeiras começavam a baixar, a frequência às instalações do Inhotim foram novamente abaladas. Desta vez, em duas frentes. Primeira, em janeiro de 2018, com um surto de febre amarela na região, que impôs queda de 25% na frequência de visitantes.

Depois, a partir de 25 de janeiro deste ano, veio um impacto maior: tragédia (251 mortos e 19 desaparecidos) causada pelo rompimento de barragens de rejeitos de minério de ferro na Mina Córrego do Feijão, da Vale S/A.

A tragédia ocorreu no arraial Córrego do feijão, a 12 km da entrada do Inhotim. O museu não foi atingido. Contudo, lama e a poluição, a poucos metros, nas águas do Rio Paraopeba, afastaram novamente os visitantes.

Inhotim foi ao fundo do poço

Esse combo de más notícias criou, portanto, momentos de incertezas quanto à continuidade do Inhotim. Isso foi relatado de forma institucional, revelou o seu diretor ao jornal. Houve perdas de 30% nas receitas liquidas no triênio 2016-2018, detalhou.

A repórter, então, indaga: “O Inhotim vai, então fechar?”. Antônio Grassi, ex-ator e diretor de novelas na Rede Globo, nega essa hipótese: “Não existe a menor chance de isso acontecer”. Ele aponta como um dos sinais dessa nova virada a recuperação na frequência dos visitantes. Foi de 8% de janeiro a setembro, em comparação ao mesmo período de 2018.

O diretor do Inhotim destacou aumento nos patrocínios do Itaú e da própria Vale, de R$ 3,5 milhões para R$ 8,4 milhões. Além disso, crescimento de 20% no número de patrocinadores (para 12). Portanto, esse somatório favoreceu nas captações com a Lei Rouanet: quase quintuplicarem, para R$ 10,6 milhões. As arrecadações cobrem 50% do orçamento anual, complementado por doações, serviços e bilheterias principalmente.

E como prova de fôlego retomado, Antônio Grassi anuncia o retorno ao calendário das inaugurações, a partir de novembro. Houve uma paralisação de quatro anos, publicou o jornal paulista. A reportagem não citou, mas na reabertura, pós-tragédia da Mina Córrego do Feijão, o Inhotim não cobra bilheteria em um dia da semana.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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