Jumentos em risco; Brasil sobe 8.000% abate para exterior - Além do Fato Jumentos em risco; Brasil sobe 8.000% abate para exterior - Além do Fato

Jumentos em risco; Brasil sobe 8.000% abate para exterior

  • por | publicado: 22/07/2021 - 16:11 | atualizado: 24/08/2022 - 14:18

Denúncia está em estudo de pesquisadores da USP. Apontam vários fatores internos. Mas, pesa o estímulo de mercados compradores na Europa e Ásia, com ênfase à China - Fotos: Mariana Gameiro e Adroaldo Zanella/Divulgação Jornal da USP

Para atender exportações, o Brasil abateu 91.645 jumentos no período 2015-19. Detalhe: esse número considera apenas registros do Ministério da Agricultura, ou seja, não inclui o comércio ilegal. Isso representou, portanto, salto de 8.164% na relação com o quinquênio anterior, 2010-14, cujo abate foi pouco acima de 1.000 cabeças.

Os principais mercados demandantes desses abates são União Europeia (Itália, Portugal e Espanha), China, Vietnã e Hong Kong. Abastecem indústrias do consumo humano de carnes e de peles. Mas, também, à cultura tratamentos da saúde e estética na China, sem eficácia científica comprovada. Os chineses extraem gelatina da pele dos jumentos para aquelas finalidades.

Em 2017, pelo censo do IBGE, o país tinha uma população de 376.874 jumentos, excluídos os animais abandonados.

Extinção do jumento é “probabilidade real”

A denúncia está em artigo de pesquisadores da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ), da USP, publicado pelo Brazilian Journal of Veterenary Research and Animal Science. O conteúdo foi reproduzido no Jornal da USP. Os autores da pesquisa asseguram que pensar na extinção do jumento no Brasil, no atual cenário, “é uma possibilidade muito real”.

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A publicação ressalta: “O abate de equídeos, como cavalos, mulas e jumentos, é aprovado no Brasil há muitos anos, e o decreto 9013/2017 oferece o arcabouço legal que permite o abate de jumentos e outras espécies”.

Os autores do artigo são o professor Adroaldo Zanella e a pesquisadora Mariana Gameiro (pós-doutorado na FMVZ). Parte da pesquisa teve parceria do projeto Animal Welfare Indicators, da União Europeia.

Os pesquisadores da USP relatam oscilações nos abates antes de 2017. Até 2010, a média anual era de 4.825, despencou para 46 (entre 2011-14) e voltou a crescer, para 1.435 (2015-16). No ano do Decreto 9013, saltaram para 26.127. Mas, houve salto exponencial, para 62.622, no ano seguinte. Portanto, 139,6% a mais.

A publicação não faz, contudo, relação com os frigoríficos que lideram mercados externos de proteínas de bovinos, aves e suínos.

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Abates de jumentos na Bahia fazem a diferença

Entretanto, em 2019, ocorreu queda estrondosa: 25 animais. Isso foi consequência da proibição dos abates no estado da Bahia, por pressão da sociedade civil, em novembro de 2018. Todavia, suspensa dez meses após.

Para 2021, os pesquisadores da FMCV/USP apontam dados alarmantes. Com base dados da ONG The Donkey Sanctuary, os abates devem, portanto, atingir 64 mil jumentos. Mas, considerando as “perdas”, poderá chegar a 76.800.

Denúncias de maus-tratos contra jumentos na Bahia – Foto: Policia Civil da Bahia/Divulgação Dezembro-2018

Na Bahia, por exemplo, no triênio 2017-19, “foram registrados 84.112 abates legais de jumentos”. Mas, deve ter sido bem superior, considerando os atos “ilegais”. Os ilegais incluem “animais sendo capturados em estradas ou comprados por até 30 reais para serem levados ao abate e terem as peles exportadas”.

Porém, na decisão citada pelos pesquisadores, as autoridades da Bahia levaram em conta denúncias comuns de maus-tratos de jegues. Em muitos casos mantidos sem alimentação. Reveja AQUI reportagem de jornal local.

O Jornal da USP assinala: “Os pesquisadores apontam que o ritmo atual (dos abates) coloca em risco a espécie, cujo rebanho estimado no Brasil é de 400.000 animais, pois a taxa de reprodução não tem a mesma velocidade”.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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José Antonio

É bom o Bozo e seus bolsomínions tomarem cuidado porque podem ser extintos!!!!