Metrô toca em sítio arqueológico; parada Saracura/Vai-Vai

  • por | publicado: 28/06/2022 - 23:51 | atualizado: 29/06/2022 - 12:51

Local das obras da estação 14 Bis. Movimentos da cultura Afro, em São Paulo, pedem mudança para nome relacionado ao Quilombo dos Saracura - Foto do Banco de Dados/Sala Imprensa - Crédito: Divulgação/Linha Uni

Sítio arqueológico do Quilombo de Saracura foi encontrado no local das obras de estação da Linha 6 (Laranja) do Metrô de São Paulo. E bem no Centro da Capital paulista. A concessionária Linha Uni (Grupo Acciona, da Espanha), responsável pela construção e futura operação do ramal, entretanto, antecipa que as obras não serão interrompidas.

A descoberta do sítio foi em abril. Acciona assegura que a Linha Uni (Concessionária Linha Universitária) comunicou o fato às instituições afins. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan/Governo Federal), portanto, sabe.

A Acciona, em nota ao portal especializado Diário do Transporte, de segunda (27/06), afiançou que os objetos serão retirados com “escavação arqueológica adequada”. Além disso, para segurança dos arqueólogos, construirá “paredes de contenção”. Dessa forma, então, seguirão as duas frentes: obras de engenharia e as escavações arqueológicas.

As entidades ligadas ao Afroturismo, em São Paulo, farão manifestação no sábado (02/07), em frente às obras da futura estação 14 Bis. Elas atribuem relevância cultural aos objetos encontrados no local do Quilombo do Saracura. Os movimentos afros propõem, além do cuidado com o material, a troca do nome daquela estação do metrô, para Saracura/Vai-Vai.

O atual Largo do Glória, naquela região, seria antigo Largo dos Enforcados, local de enforcamentos de cidadãos negros. Portanto, outro fator relevante no resgate da história afro no país.

Manifesto quer preservação do Quilombo Saracura, em pleno Bixiga, Centro de SP

Metrô apareceu na linha dos escândalos de corrupção

A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM/Governo de São Paulo) licitou o ramal da Linha 6 com traçado de 15 km. Ao longo da linha, serão construídas 15 estações, que receberão, em média, 630 mil passageiros/dia.

As obras, entretanto, ficaram paralisadas por longo tempo. O Grupo Acciona assumiu em agosto de 2021, em substituição ao consórcio das empreiteiras Odebrecht, Queiroz Galvão e UTC. Elas, portanto, envolvidas em escândalos de corrupção investigados na Operação Lava Jato.

Custo de até R$ 17 bilhões

A Linha 6 recebeu dois valores oficiais: mínimo de R$ 15 bilhões e, máximo, de R$ 17 bilhões. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 7 bilhões.

A retomada, porém, corre a partir de outubro, com a conclusão em outubro de 2025. Um grave acidente, em fevereiro, paralisou um trecho da obra. Mas, a espanhola garante que o cronograma daquele ramal do metrô será cumprido.

Acciona, com sede em Madri, reúne mais de 100 empresas multissetoriais e operam em 60 países. O conglomerado chegou ao Brasil em 1996 e toca operações em estados Sudeste e Nordeste. Emprega ao redor de 1.500 pessoas em território brasileiro.

Investidores refugaram o Rodoanel Norte

Outros projetos importantes de infraestrutura na Capital de SP estão paralisados. Mas, além de denúncias de desvios, agregam outros motivos. Entre estes, por exemplo, o desinteresse de investidores. A conclusão do Rodoanel, por exemplo. Relembre AQUI o recente fracasso da oferta pública.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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