A coisa amarela, apelidada de Capivarã, lançada na Lagoa da Pampulha, principal cartão postal de Belo Horizonte (MG), não pode ser classificada como embarcação. Menos ainda como veículo para ‘exploração turística‘ em cidade com referências culturais. Aquilo é uma gaiola.
A opinião pública belo-horizontina (e nacional) precisa (re)agir contra toda agressão à cultura, principalmente em relação ao Conjunto Moderno da Pampulha. Este recebeu, em 17 de julho de 2016, o título de Patrimônio Mundial da Humanidade.
Veja qual foi o olhar da UNESCO ao presentear a Capital mineira.
Naquele monumento, estão as assinaturas de Oscar Niemeyer (maior arquiteto brasileiro) e Roberto Burle Marx (maior paisagista brasileiro), além de obras de renomados artistas plástico, como Cândido Portinari (um dos maiores artistas plásticos braileiros). O conjunto de obras da Pampulha data dos anos da década de 1940.
Uma balsa chapa-branca municipal
Cabe, portanto, relembrar ao Secretariado do prefeito Álvaro Damião (União) que não se trata de simples açudinho em área urbana e suas capivaras alopradas. Não é para, numa canetada do chefe, jogar lá uma balsa chapa-branca municipal. Horrorosa em todos os aspectos!…
Quem pilota a gaiola do Damião?
E, sem abandonar avaliação de que a gaiola é um absurdo, cabem questionamentos.
- Tem licença do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)?
- Se tiver conluio do Iphan, o processo e projeto da coisa e o tal ‘pier’ foram criteriosamente analisados?
- Quais os procedimentos técnicos do CREA-MG (ART, ABNT, …) de operação e segurança foram adotados?
- Tem quadro de equipes qualificadas e habilitadas: piloto, segurança, salva-vidas etc.?
Mesmo que tudo tenha sido observado (e certificado), implantado e fiscalizado, a gaiola é e continuará feia. Inadequada para o local.
E não cabe sacar discurso populista do tipo: terá vale turismo pro Bolsa Família. Pro povão.
Capivaras, sim!… Gaiola, não!
A coisa lançada na Lagoa da Pampulha engorda o eterno pacote da falta de criatividade que teima em balsear por alguns gabinetes Prefeitura. Encanta bem mais, muito, ao turista olhar as alopradas capivaras, que dar de cara com a gaiola flutuante de metalon e tubos do prefeito Damião.
Não vale alegar que se trata de um protótipo nem que os passeios são um ‘projeto piloto’.
Aceitar a segunda desculpa será criar a categoria de turista ‘piloto’. A categoria, então, atenderá quem se sujeitar, sem queixas, flutuar engaiolado no espelho d’água da Lagoa da Pampulha por uma hora. Mas se achando turista e ajudar a turbinar a estatística da Belotur (Prefeitura).
Grandes montadoras como Marcopolo, Embraer e Fiat, por exemplo, exibem modelos definitivos. quando apresentam seus protótipos. O tratamento, protótipo é para esclarecer que o projeto ainda não entrou em linha de produção comercial.
Coisa para extrair de areia; poluição
O barco do Damião, forçando a barra por um tratamento melhor, está mais para gaiola de extração clandestina de areia, em fundo de rio, que veículo decente para turismo.
Não inspira momento digno de lazer em uma cidade com o nome Belo Horizonte. Menos ainda para transportar gringos, do Brasil e de fora. O zé povinho (o do voto popular) também merece respeito!
A gaiola turva a fotografia do mais belo (se fechar os olhos para sujeira e poluição, permanentes de janeiro a janeiro) cartão postal da cidade.
É de arrepiar, portanto, olhar para aquilo e, depois, ler, ouvir e ver, no sábado (27/12), o prefeito babar orgulho para sua cria.
Esperar por empreendedor inteligente
Mas, resta torcer para que o futuro concessionário (que seja do ramo, não um apadrinhado) aplique bom senso. Juízo no respeito à cultura. Primeiro passo: deletar a linha do gosto aplicada pelo prefeito.
O Executivo municipal precisa, ao tratar do turismo, incorporar literalmente o sentido do primeiro nome da cidade: Belo. Sinônimo para algo lindo, maravilhoso.
Entregar para SLU; coletar lixo
Aquela gaiola, entretanto, não precisa ser jogada no ferro velho.
A Prefeitura pode aproveitar que seu deslizante está pintado em amarelo quase laranja, e alocar à Superintendência de Limpeza Urbana (SLU).
Será muito útil, pois, o espelho d’água e a orla da Lagoa da Pampulha são um lixo só.
A perenidade da imundice na Lagoa da Pampulha engordou muitas empreiteiras, em diversas administrações. Gerou, portanto, corrupção ao longo de décadas. O histórico do noticiário político municipal na gaveta da corrupção é farto em exemplos.
Mas,…
Prefeito, jogue com a cultura! Vai!… Retire aquela gaiola da Lagoa da Pampulha!
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.


Coisa hororrosa na lagoa. Vixi!!!