Tchau, companheiro Maduro!  - Além do Fato Tchau, companheiro Maduro!  - Além do Fato

Tchau, companheiro Maduro! 

  • por | publicado: 06/02/2026 - 00:34 | atualizado: 13/02/2026 - 16:27

Em maio de 2023, em Brasília, o então ditador Nicolás Maduro recebeu de Lula abraço fraterno e honras de Estado. Ele não pisava no Brasil desde 2015 (Governo Dilma/PT) - Crédito: Marcelo Camargo/EBC/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) deverá ir a Washington (EUA) no começo de março. A agenda será com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano). Coincidirá com o terceiro mês do sequestro do então ditador venezuelano, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cília Flores, em Caracas, por tropas militares norte-americanas.

Em 05 de julho do ano passado teve de cúpula do Mercosul, em  Buenos Aires. O petista pediu à Justiça da Argentina autorização para visitar a ex-presidente da Argentina, Cristina Kirchner. Ela já estava em regime de prisão domiciliar, condenada por corrupção em seu Governo.

Na madrugada de 03 de janeiro, tropas de elite dos marines, da Delta Force, sequestraram Maduro e Cília Flores em seus  aposentos, no Forte Tiuna. Por segurança, naqueles dias, o casal dormia fora do Palácio Miraflores. Estão detidos em prisão de Nova York.

Maduro pode pegar até 20 anos

Maduro e Cília respondem por várias acusações apresentadas à Justiça pelo Governo dos EUA, que redundam em narcoterrorismo.

O Departamento de Justiça formalizou quatro denúncias iniciais: Práticas de narcoterrorismo; Exportação de cocaína para os EUA; Armas de guerra cedidas a narcotraficantes; Conspiração armada com apoio do narcotráfico. Pela Justiça norte-americana, condenação por narcoterrorismo recebe pena de 20 anos de prisão.

Lula não se importa mais com Maduro

Seria de se perguntar, pelo enorme laço de amizade que nutriu por Maduro, se Lula pediria à Justiça dos EUA licença para visitinha ao ex-tirano chavista-bolivariano. Mas, pela forma como tratou o assunto Venezuela, em entrevista ao Portal Uol (Uol News), não vai rolar. Em resposta à pergunta da entrevistadora, Daniela Lima, se haveria “algo a ser feito” pela volta do casal à Venezuela, descartou: 

“Essa não é a minha preocupação principal… Minha preocupação principal é o seguinte: há possibilidade da gente fortalecer a democracia na Venezuela? E o povo da Venezuela, 8 milhões e 400 mil pessoas, que estão fora, voltar para Venezuela? Há condições de fazer com que a democracia seja efetivamente respeitada na Venezuela? E o povo possa participar ativamente?”.

Nas eleições fraudadas por Maduro, em julho de 2024, Lula despachou para Caracas o assessor para Assuntos Internacionais, ex-chanceler Celso Amorim, como observador. Fez isso, era o seu discurso, pela volta da democracia no país vizinho. 

Mas, agora, acha que é o povo local quem decide, sem interferência externa. “Eu disse ao presidente Trump: quem vai resolver o problema da Venezuela é o povo venezuelano”.

Claro, não era isso que Maduro esperava ouvir de um velho amigo e também protetor.

Venezuelano rifado por conta de outubro

Lula, bem mais agora, está empenhado nas eleições de outubro. E se esforça para atrair o apoio de adversários, incluindo simpatizantes com a ação de Trump na Venezuela. Nesse bloco, estão principalmente os evangélicos.

Além disso, pelo que disse ao Uol, não irá à abertura da Assembleia Geral da ONU, na segunda quinzena de setembro. Por tradição, é aberta pelo Brasil.

O petista, portanto, é outro nesta temporada – mas o de sempre em ano eleitoral. Jogou fora 90% do discurso ufanista latino-americano, tão aplaudido por Maduro. Ao seu estilo, ainda na primeira semana da captura do venezuelano, para não desagradar ao PT, Lula fez ataques inflamados aos EUA. A Agência Brasil (oficial do governo brasileiro) deu amplo espaço aos chavistas

Lula destilava doses de  ódio de um petista raiz contra Trump. Mas, agora, é tudo pelos votos. E mudou, tal qual a vice do ex-ditador, Delcy Rodriguez, interinamente no cargo. Trump assegura que Delcy passou a “colaborar” com seu governo. 

Tudo indica, pois, que o chefe do Planalto lerá em mesma cartilha. Ao menos, até apuração das urnas em outubro.

Então, tchau, companheiro Maduro!

Mas, pisando em ovos: MST está lá

O presidente brasileiro pegará leve, mas sem abandonar totalmente os chavistas. Um dos motivos é a presença na Venezuela, há anos, de militantes de um dos braços do PT, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). O MST presta até assessoria de militância ao chavisno.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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