Único apoiador no Sudeste, Zema deveria cobrar mais de Bolsonaro

Zema e Bolsonaro após sobrevoo na Grande BH atingida pelas fortes chuvas, foto Pedro Gontijo/ Imprensa MG

Do ponto de vista da solidariedade, Bolsonaro fez um gesto importante ao visitar Minas nessa hora difícil, trazer sete ministros e anunciar recursos. Foi algo em torno de R$ 1 bilhão para os municípios da região Sudeste. Irão receber a verba três estados afetados com as fortes chuvas. Além de Minas, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Não é muito dinheiro, mas já é alguma coisa. Tão importante quanto isso, ou mais, é a liberação ágil do dinheiro. Entre Brasília e os municípios, há um ‘monstro’ chamado burocracia que trava o socorro às vítimas e às cidades arrasadas. De acordo com o presidente da Associação Mineira dos Municípios (AMM), Julvan Lacerda, o recurso costuma chegar depois do estado de emergência.

Como o mais atingido, Minas deverá ficar com a maior parte do R$ 1 bilhão. Ainda assim, merecia mais. Era hora de Romeu Zema (Novo) ter cobrado mais de Bolsonaro nessa contrapartida, mas não o fez. Não só pela tragédia que se abateu sobre seus municípios um ano após o desastre de Brumadinho (Grande BH). Nesse, morreram 270 pessoas, dessas 11 ainda não foram retiradas do fundo da lama da mineradora Vale) em 25 de janeiro de 2019.

São Paulo e Rio são de oposição hoje

Fora delas, no campo político, o governador mineiro é o único que apoia incondicionalmente o governo Bolsonaro na região Sudeste. Por meio do governador, Minas tem sido cordato.

Senão, vejamos. O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), praticamente rompeu com Bolsonaro e assume enfrentá-lo na disputa presidencial de 2022. O do Rio, Wilson Witzel (PSC), faz de tudo para embaraçar e envolver os Bolsonaros com o assassinato da vereadora Marielle Franco. Tudo somado, já receberam mais ajuda federal do que o fiel aliado mineiro.

Romeu Zema ainda não se deu conta da importância e do potencial da voz de Minas no cenário político nacional. Ele já desprezou a política, tratando-a antes como algo nocivo e falso. Agora, ouve e conversa mais com deputados, a quem desprezava. Sempre que pode, cria oportunidades para elogiar a Assembleia Legislativa.

Assembleia realinha discurso de governador

É mais uma forma de fazer relação política, ainda que sem convicção e artificial, do que de reconhecimento. Já toma mais cuidado quando se pronuncia sobre o meio político por entender que é uma área muito sensível. Aliás, tudo ou quase tudo que sai da boca de um governador ou presidente tem uma repercussão superdimensionada. Positiva ou negativa.

No domingo passado, Zema chegou a afirmar que parcela das pessoas que morreu por causa das chuvas não havia obedecido orientações. Além de culpar as pessoas pobres, soou como insensibilidade. Três dias depois humanizou o discurso depois de ouvir a Assembleia Legislativa, por meio de seu presidente Agostinho Patrus (PV), assim se manifestar.

E mais, seguiu o conselho de Agostinho, quando anunciou a antecipação, em alguns dias, das parcelas da dívida de fevereiro e março para os municípios atingidos. A operação se refere à quitação da dívida do estado com os municípios em 33 parcelas.

Solução é apelar para dinheiro federal

A primeira de R$ 336 milhões será paga hoje (sexta, 31) para todos os municípios. O dinheiro é do município, está sendo apenas devolvido, e tinha, como deve ter, destinação definida e represada por três anos de retenção. Não deverá ser usado na reconstrução das cidades. Minas vive situação de calamidade. Nunca houve isso de ter 200 municípios em estado de emergência.

Como o estado e os municípios estão quebrados, a solução maior é apelar para o dinheiro federal. Mais importante, agora, é olhar para os municípios menores, como Raposos (Grande BH). Foi também fortemente atingido e tem apenas o Fundo de Participação de Municípios (FPM) como única fonte de renda.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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