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Usiminas experimenta do veneno aplicado na Cosipa

  • por | publicado: 28/11/2023 - 16:51 | atualizado: 29/11/2023 - 15:11

Imagem ilustrativa da Usiminas. Há sete anos, a companhia paralisou por completo a antiga Cosipa, em Cubatão (SP) - Crédito: Blog Usiminas

A caminho do terceiro trimestre de inatividade, segue o mistério do retorno à produção do Alto-Forno Nº 3 da Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas), em Ipatinga. “Está em teste”. Essa informação, não oficial, mas digna de fé, é de um diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Ipatinga (Sindipa), na manhã de ontem (27/11).

De oficial, prevalece a previsão que nas informações financeiras do 3T23 entregues no final de outubro à Bolsa de Valores B3: “por estes dias”. O AF-3 está inativo para reforma desde abril, ao custo de R$ 2 bilhões.

ALÉM DO FATO solicitou, na manhã (10h52) e na tarde (14h29) desta terça (28/11), informação à siderúrgica sobre o retorno do AF-3. Entre as questões, por exemplo, da nova capacidade nominal de produção de ferro-gusa. Além disso, se a volta do equipamento à operação implicará em novas contratações na área de produção da usina.

Vista parcial da Usiminas, em Ipatinga (MG) – Crédito: YouTube/2019

A companhia, entretanto, até esta postagem, não respondeu ao e-mail. O texto será atualizado se a companhia enviar informações.

Resposta da companhia

Às 12h08 desta quarta (29/11), a Diretoria de Comunicação da Usiminas enviou a seguinte mensagem: “A Usiminas informa que já produz comercialmente aço a partir da ferro gusa do Alto Forno 3 desde o dia 10 de novembro. O equipamento recebeu investimento de R$ 2,7 bilhões e tem capacidade para 3 milhões de toneladas de ferro gusa” (sic).

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Usiminas fechou parte da Cosipa

Usiminas tem precedente em matéria de retirar equipamentos da linha de produção em área de redução – sinterização, coqueria e altos-fornos. Foi exatamente isso que fez na área de redução de minério na antiga Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa), em Cubatão (SP). A siderúrgica liderou pool de investidores na privatização da Cosipa, em 1993. Em 2005, foi integrada ao Grupo Usiminas e, quatro anos depois, incorporada (perdeu o nome).

Vista parcial da Usiminas em Cubatão (SP), a antiga Cosipa – Crédito: YouTube/2022

Cosipa tinha capacidade nominal para produção de 4,5 milhões toneladas de aço líquido por ano. Mas, no 4T15, houve a decisão da Usiminas pela paralisação total da unidade paulista. Efetivada em 2016. Motivo: crise econômica no Brasil e, excesso de oferta de aços no mercado.

A Usiminas voltou a operar, em ritmo lento, os laminadores de tiras (a quente e a frio) da unidade Cubatão. Ou seja, comprando placas de aço no mercado para laminar. Aquela unidade possui laminador de chapas grossas.

Em 2021, o então presidente da Usiminas, Sérgio Leite, acenou a hipótese de voltar a uma produção em Cubatão, mas no modo semi-integrada. Ao Valor Econômico disse: “Mas ainda não há nada definido, está tudo no campo dos estudos. É uma usina moderna. As coquerias já desativamos totalmente, pois eram equipamentos antigos. Agora sinterização, os altos-fornos e a aciaria são modernos. Estamos no início dos estudos”.

Assista aqui o vídeo que mosta uma Cosipa fantasma.

Nesta fase, portanto, a Usiminas vive o mesmo dilema com o seu próprio equipamento, o AF-3 de Ipatinga. A inatividade dele, entretanto, não altera em nada o abastecimento dos mercados interno e externo.

Nó de aço no caminho de Ipatinga e Cubatão

Mas, uma saída de curto prazo para as unidades da Usiminas, em Minas Gerais e São Paulo, depende de um terceiro caminho. Saber aquilo que novo controlador, Grupo Ternium (braço do Grupo Techint) projeta para a CSA – Companhia Siderúrgica Atlântico, no Rio de Janeiro.

Entenda o imbróglio na reportagem da Bloomberg Línea, de abril deste ano, coincidindo, então, quando a Usiminas paralisou o AF-3.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Oscar pereira

Moro em Cubatão já trabalhei na antiga Cosipa é uma pena que acabaram com essa empresa que deu emprego pra metade da cidade

Altair

Plantas antigas e mal administradas.
Querem somente grandes lucros. Com investimentos baixos.
Exportamos minérios é compramos aço pronto…
Não entendo está lógica brasileira….dar empregos ais asiáticos e deixam nossa indústria morrer!!

Silvio

Chama-se capitalismo. Tudo em nome do lucro.

Amadeu Tavares de melo

Trabalhei na COSIPA nos anos 70…tinha até um certo orgulho. Precisamente na coqueria, na sala de resfriamento de gases. Saudade dessa experiência.