Vale “aciona” o nível 1 em barragem da Mina Jangada

  • por | publicado: 1/10/2019 - 18:58 | atualizado: 2/10/2019 - 10:31

Mina Jangada, no alto à direita, também fica no município de Brumadinho. Em linha reta a menos de 1 km do complexo da Mina Córrego do Feijão, onde se rompeu barragem de rejeito de minério de ferro, em 25 de janeiro. Foto mostra situação antes da tragédia - Foto: Redes Sociais/Semad

Vale continua com 18 barragens dos complexos de extração de minério de ferro em Minas Gerais com Declarações de Condições de Estabilidade (DCEs) negativas. No comunicado da companhia, desta terça (01/10), chama atenção a inclusão da “barragem de sedimentos Capim Branco”, que fica na Mina Jangada, dentro do Complexo Paraopeba, em Brumadinho.

Essa represa, segundo a mineradora, “recebeu DCE negativa nesse semestre, por conta de reavaliação das informações dessa estrutura. Será acionado o nível 1 de emergência desta barragem, sem a necessidade de evacuação da ZAS (Zona de Autossalvamento)”.

Barragem Capim Branco está a três quilômetros do distrito Casa Branca e, a seis, do Córrego do Feijão, onde, em 25 de janeiro, ocorreu rompimento de barragens de rejeitos de minério de ferro da Mina Córrego do Feijão, também da Vale. A tragédia causou a morte de 250 pessoas – outras 20 estão desparecidas.

Barragem Capim Branco, na Mina Jangada, da Vale, em Brumadinho – 1) Portaria da Mina; 2) Barragem. Imagem/Google Maps

Barragens receberam DCEs positivas

No geral, a Vale diz que “foram emitidas 82 Declarações de Condição de Estabilidade (DCE) positivas das estruturas de suas unidades operacionais no Brasil”. Entre estas, três estruturas teriam apresentado melhorias nas “condições de estabilidade e, portanto, obtiveram DCEs positivas nesse segundo semestre, após avaliação negativa em março”. Seriam elas a Barragem 5, da Mina Águas Claras, Barragem Taquaras, da Mina Mar Azul, ambas no Nova Lima (MG), e, Barragem Pondes de Rejeitos da unidade Igarapé Bahia (PA).

Vale detalha situações das DCEs negativas

De acordo com o comunicado, a situação das barragens em Minas é a seguinte:

Barragens desativadas com alteamento a montante, cujas ZAS foram evacuadas por estarem em níveis 2 e 3 do Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração (PAEBM), permanecem com DCEs negativas:

  • Sul Superior, da Mina Gongo Soco;
  • B3 e B4, da Mina Mar Azul;
  • Forquilha I, Forquilha II, Forquilha III e Grupo, do complexo Fábrica.

Sobre a situação das barragens acima, a Vale garante: “Além de manter os reservatórios secos e minimizar o aporte de água nestas estruturas, iniciando o processo de descaracterização, a Vale também está realizando obras de contenção à jusante das barragens, reforçando as medidas de segurança da população, animais e do meio ambiente”.  

Com DCE negativa, mas nível de alerta reduzido. “… em função do rebaixamento do nível de água do reservatório e a reavaliação da instrumentação pelos auditores externos, a barragem teve seu nível de alerta do PAEBM reduzido de 2 para 1 no mês de junho”.

  • Vargem Grande, do Complexo Vargem Grande

Com DCEs negativas e passando por avaliações complementares. “… com estudos complementares e obras já em andamento”. Porém, “continuam interditadas em nível 1 de emergência do PAEBM, sem a necessidade de evacuação das ZAS”:

  • Sul Inferior, da Mina Gongo Soco;
  • Dique B e Barragem Capitão do Mato, da Mina Capitão do Mato;
  • Marés II, do complexo Fábrica;
  • Campo Grande, da Mina Alegria;
  • Maravilhas II, do Complexo Vargem Grande;
  • Doutor, da Mina Timbopeba;
  • Sistema Pontal, do Complexo de Itabira;
  • B6, da Mina Córrego de Feijão;
  • Capim Branco, Complexo Paraopeba;
  • Captação de Água da unidade Igarapé Bahia (PA).

Mantida projeção de vendas

A Vale destaca que, em função da Resolução 13, da Agência Nacional de Mineração (ANM), de agosto, e dos novos parâmetros estabelecidos, seus técnicos e especialistas estariam trabalhando “em análises complementares e no planejamento de novas medidas para o incremento dos fatores de segurança, com o objetivo de assegurar a estabilidade de suas estruturas”. E que “permanece realizando inspeções de campo regulares e monitorando continuamente suas barragens e diques

Por fim, salienta que “as DCEs negativas das estruturas mencionadas acima não alteram a projeção de vendas de minério de ferro e pelotas entre 307 e 332 Mt (milhões de toneladas) em 2019, com expectativa que as vendas se situem ao redor do centro da faixa”.

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