Zema traz a Rothschild, que atuou na venda da Embraer

  • por | publicado: 26/09/2019 - 07:07 | atualizado: 27/09/2019 - 09:08

Governo Zena contratou consultoria da Rothschild por R$ 11,4 milhões. Empresa atuou na privatização da Embraer - Foto: Reprodução/Logo Rothschild & Co

Governo Zema, via Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), contratou, por R$ 11,4 milhões, a Rothschild & Co Brasil Ltda. É empresa de consultoria empresarial do grupo financeiro Rothschild, que marca presença nas privatização no Brasil, como a Embraer. O contrato, pelo critério da “inexigibilidade de licitação”, foi assinado dia 03/09/2019, tendo como objeto prestar ao Governo de Minas “serviços especializados de assessoria financeira”. Receberá, em média, R$ 475 mil mensais.

Vários processos de privatizações no Brasil marcam a presença da Rothschild. Na sua carteira, como consultora, estão os processos da Copesul, Light e Escelsa. O banco Santander quando fez oferta de compra das ações do Santander Brasil, que não eram de sua titularidade (para sair do Nível 2 de Governança, na Bovespa), também recorreu ao grupo inglês, contratando a NM Rothschild & Sons Limited. Atuou também na consultoria da venda Empresa Brasileira de Aeronáutica S/A (Embraer), uma ícone no Programa Nacional de Desestatização (PND).

Zema tem criado incertezas

Os discursos obsessivos do governador Romeu Zema, pela privatização de todas as estatais de Minas, provocam desajustes entre as companhias. Empresas como Cia. Energética de Minas Gerais (Cemig) e Cia. de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) têm projetos de execuções para médio para longo prazos. E aí? Para onde atiram nas áreas de planejamento?

O governador fala como se já estivesse com os editais prontos para publicação. No primeiro semestre, quase todas companhias do Estado realizaram mudanças nos seus contratos sociais. A maioria (controladoras e controladas) alterou objeto social.

Algumas foram além: suspenderam licitações. Um dos últimos casos foi a própria Codemge. Esta adiou sine die edital para contratação de empresa para desenvolver pesquisa mineral para avaliação de recursos minerais em três processos (“Grupamento Minerário”) de 1976, um de 1991 e, outro, de 2000. A disputa seria hoje (26/09), às 10h. Motivo para o adiamento: “Adequação no processo licitatório”. Terá sido, mesmo?

Atrapalharia até Jack Welch

O somatório de posições de Zema, reflexos nas estatais, contratações fora da curva, históricos das reduções drásticas de pessoal nas desestatizações, a babel com a Cemig, no plenário da Assembleia Legislativa etc. mais atrapalham que ajudam. O governador não se deu conta (ou o assessor não agiu) de que três discursos semanais de privatização, de A a Z, só aumentam a pressão no caldeirão político. Contra ele.

Com essa lereia sem trégua, feito corneta no alto do toldo de circo do interior, nem Jack Welch tiraria Minas do buraco em que se encontra – que Zema herdou. Welch, numa última grande empreitada, salvou o Grupo GE. Quando chegou lá, o conglomerado valia US$ 12 bilhões na Bolsa de Nova York. Vinte anos depois, entregou aos acionistas cotado em US$ 414 bilhões.

Detalhe: Zema tem MBA pela Fundação Dom Cabral (FDC). Antes de oferecer uma balaiada de estatais, misturando moeda boa com moeda podre, seria bom o governador recuperar o caderno das primeiras anotações na sala da FDC.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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