Apoio de caciques da política não ajuda candidatos a prefeito de Belo Horizonte

  • por | publicado: 24/10/2020 - 20:19 | atualizado: 5/11/2020 - 23:38
Presidente Jair Bolsonaro e ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva

Presidente Jair Bolsonaro e ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva

O apoio de caciques da política não está ajudando candidatos a prefeito de Belo Horizonte, como mostram as pesquisas de intenção de voto divulgadas após o início oficial das campanhas. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o governador Romeu Zema (Novo) e o ex-presidente Lula não conseguiram, até agora, transferir parte do capital político que têm com os belo-horizontinos para seus preferidos.

Jair Bolsonaro deu declarações públicas, bastante explorada nas redes sociais, dizendo que se fosse eleitor em Belo Horizonte seu candidato seria o jovem deputado Bruno Engler (PRTB). Na capital, segundo pesquisa Ibope, o governo do presidente é avaliado como ótimo/bom por 35% da população. Mas Engler, desde que a campanha começou, não saiu do lugar e continua com 3% das intenções de voto.

O deputado federal Lafayette Andrada (Republicanos) também tem usado a imagem do presidente Bolsonaro na sua propaganda eleitoral, com o discurso de apoio à família tradicional e o fato de estar no mesmo partido que “a família do presidente” (os filhos são filiados à mesma legenda partido de Lafayette). Não tem dado resultado. O candidato do Republicanos, conforme pesquisa Datafolha, divulgada no último dia 22, tem apenas 1% das intenções de voto.

Nilmário Miranda, o candidato a prefeito de Belo Horizonte pelo PT, tem o apoio declarado do ex-presidente Lula. Nos programas de rádio e televisão, bem como nas redes sociais, o ex-presidente aparece com frequência destacando as qualidades do seu candidato, como o fato de ele ter sido ministro dos Direitos Humanos, além de deputado estadual e federal. Também não está funcionando. O petista, também conforme a última Datafolha, tem 2% das intenções de voto.

Rodrigo Paiva (Novo) também não conseguiu alavancar sua candidatura com o apoio que tem do governador Romeu Zema. O governador tem avaliação razoável na capital (38% de ótimo/bom, conforme pesquisa Datafolha) e foi para a TV pedir votos para seu afilhado. Mas também não convenceu. Paiva até caiu percentualmente: tinha 2% e passou para 1% (Datafolha).

São Paulo e Rio

Transferência de voto não é mesmo um fenômeno simples. Como o eleitor está cada vez mais informado, ele não precisa balizar sua escolha na indicação de um cacique que, não raro, conhece pouco da realidade local. Ele é que tem condições de definir quem é a melhor alternativa para governar sua cidade – ainda que, em muitos casos, a escolha se mostre equivocada.

No caso do presidente Bolsonaro, havia grande expectativa de que, embalado pelo cargo e por um aumento recente na sua popularidade (por conta do auxílio emergencial), seu apoio fosse decisivo nessas eleições municipais. Ao contrário, em alguns colégios eleitorais os candidatos bolsonaristas estão derretendo.

É o caso do candidato Celso Russomano (Republicanos), que disputa a prefeitura de São Paulo com o apoio declarado de Bolsonaro. Ele começou a disputa liderando as pesquisas de intenção de voto. Já foi ultrapassado pelo atual prefeito, Bruno Covas (PSDB), e aliados temem que ele seja superado por Guilherme Boulos (PSOL).

No Rio de Janeiro, o atual prefeito Marcello Crivella, também do Republicanos, tem o apoio do presidente e de seus filhos Carlos (vereador) e Flávio (senador). Está em segundo lugar, conforme a última pesquisa Datafolha, empatado tecnicamente com a candidata do PDT, Marta Rocha, e do PT, Benedita da Silva.

No caso de ambos, é preciso ressaltar que a culpa pelo desempenho é não exclusiva do presidente. As trapalhadas dos dois também têm ajudado bastante.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.