Após defender novo AI-5, Eduardo Bolsonaro exibe vídeo do pai elogiando torturador

  • por | publicado: 31/10/2019 - 23:57 | atualizado: 1/11/2019 - 10:47
Deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), após defender novo AI-5, exibe vídeo do pai, o presidente Bolsonaro, elogiando torturador. Foto - Agência Câmara

Deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), após defender novo AI-5, exibe vídeo do pai, o presidente Bolsonaro, elogiando torturador. Foto - Alex Ferreira/Agência Câmara

Após enxurrada de críticas por ter defendido um novo AI-5, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que chegou a pedir desculpas por sua fala, parece não ter se intimidado, nem mesmo com a possibilidade de cassação do mandato por quebra de decoro. Usou sua conta no Twitter para exibir vídeo do pai, o presidente Jair Bolsonaro, na sessão de cassação da presidente Dilma Rousseff, na Câmara dos Deputados, em que ele faz um elogio ao torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra.

A ver se as declarações do deputado, num claro desrespeito à Constituição, terão algum tipo de consequência para o parlamentar ou se as instituições, inclusive o Legislativo, Casa a qual ele pertence, farão ouvidos de mercador.

O Conselho de Ética da Câmara deve receber vários pedidos de cassação de Eduardo por quebra de decoro. Ao fazer a apologia do AI-5 o deputado está, na prática, defendendo o fechamento do Congresso Nacional, a volta da tortura, o aniquilamento da oposição. Mas será que há possibilidade de a Câmara cassar o mandato do deputado mais votado da história do país, que obteve dos eleitores de São Paulo quase 1,9 milhão de votos?

Partidos de oposição (PT, PSOL, PSB, PDT, PCdoB e Rede) entraram no Supremo Tribunal Federal (STF) com uma queixa-crime contra o deputado, que já demonstrou seu apreço pela mais alta corte do Judiciário brasileiro. Para ele, se quiser fechar o Supremo, basta um soldado e um cabo.

“Cara, se quiser fechar o STF, sabe o que você faz? Você não manda nem um jipe. Manda um soldado e um cabo. Não é querer desmerecer o soldado e o cabo, não”, disse ele em vídeo gravado em julho de 2018, durante palestra para estudantes de um cursinho em Cascavel, interior do Paraná. Dias Toffoli, o presidente do Supremo, nada disse sobre o desejo do deputado de voltar com o AI-5.

Como recordar é viver, o Ato Institucional nº 5 foi o mais duro instituído pela ditadura militar, em 1968, ao revogar direitos fundamentais e delegar ao presidente da República o direito de cassar mandatos de parlamentares, intervir nos municípios e Estados. Também suspendeu quaisquer garantias constitucionais, como o direito a habeas corpus. A partir da publicação do ato, a repressão do regime militar só aumentou.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

All Comments