8 de agosto de 2020 entrará para a história brasileira como o Dia da Vergonha Nacional

  • por | publicado: 8/08/2020 - 14:18 | atualizado: 9/08/2020 - 00:12
Presidente Jair Bolsonaro sobre as 100 mil mortes de brasileiros por Covid-19: "vamos tocar a vida". Foto - Agência Brasil

Presidente Jair Bolsonaro sobre as 100 mil mortes de brasileiros por Covid-19: "vamos tocar a vida". Foto - Agência Brasil

Hoje, 8 de agosto de 2020, o Brasil ultrapassa a fatídica marca de 100 mil mortes pela Covid-19. É um dia de luto. São 100 mil pais (que não estarão com seus filhos amanhã), mães, irmãos, irmãs, velhos, jovens e até crianças. São 100 mi famílias enlutadas e revoltadas, especialmente porque não precisava ser assim. E o é, em boa medida, graças ao desastre das nossas autoridades na condução da pandemia, em especial do presidente da República, Jair Bolsonaro.

O presidente sempre negou a gravidade da doença, que classificou inicialmente como uma gripezinha; foi um crítico feroz das medidas de isolamento social, estimulou aglomerações, contra todas as recomendações de especialistas em saúde, resistiu em usar máscara, insistiu (e insiste ainda hoje) no uso de um medicamento contra a Covid, a cloroquina, que pesquisas mundo afora demonstraram não ter nenhuma eficácia contra o vírus.

Nas redes sociais, onde tem um exército de seguidores e também muitos lunáticos e robôs, o presidente reproduziu fake news sobre a pandemia, como o caso de um vídeo que mostrava um falso desabastecimento na Ceasa de Belo Horizonte, que teria sido provocado pela quarentena. O Instagram, que só no Brasil tem cerca de 70 milhões de usuários, chegou a marcar uma publicação de Bolsonaro como falsa, em que ele questionava o número de mortos no Ceará por doenças respiratórias.

Instagram - reprodução
Instagram – reprodução

“Vamos tocar a vida”

O presidente não entendeu (ou não quis entender) a gravidade do vírus, entrou em conflito com governadores, não conseguiu estabelecer uma política pública clara de enfrentamento da doença que pudesse orientar o país no combate à pandemia; trocou duas vezes o ministro da Saúde na pior crise sanitária vivida pelo Brasil. Três meses atrás colocou interinamente no ministério um general que não entende absolutamente nada de saúde – e que está lá até hoje

E o que diz o nosso presidente sobre as 100 mil mortes de brasileiros pela Covid-19? “Vamos tocar a vida, tocar a vida e buscar uma maneira de se safar desse problema”. A principal receita do presidente para se safar do problema, que é usar cloroquina, infelizmente, não vai funcionar. E o que aflige é que atingimos esse número absurdo de 100 mil óbitos e não há ainda claros sinais de contenção da doença.

Aqui em Minas, segundo o último dado divulgado pelo consórcio de veículos de comunicação que monitora os números de casos da doença, as mortes pela Covid vêm aumentando. Mas lá atrás, de forma irresponsável, na opinião de imunologistas, o nosso governador, Romeu Zema, recomendou ao coronavírus que ele deveria “viajar” pelo Estado. Sugestão parece que acatada, visto que hoje, dos 853 municípios mineiros, poucos ainda não foram afetados.

Desolador é ouvir especialistas dizerem que esse número de 100 mil mortes pela Covid-19 no Brasil pode dobrar até novembro. Ainda que estejam completamente errados, infelizmente milhares de brasileiros ainda vão morrer infectados pelo coronavírus. A luz no fim do túnel, que seria uma vacina, na melhor das hipóteses, só estará disponível em dezembro, ainda assim para uma pequena parte da população.

Como a incompetência de boa parte de nossas autoridades para enfrentar a pandemia – à frente o presidente da República – está mais do que evidente, não parece haver outra alternativa, para as pessoas que não integram o grupo dos negacionistas, do que continuar fazendo sua parte; que nada mais é do que seguir as orientações dos especialistas em saúde.

A outra saída (que não exclui a primeira), para os que acreditam na Providência Divina, é rezar. Oremos, pois!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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